Incrível como um feriadinho no último mês do ano causa tantos problemas. Primeiro que pra eu ir pra padaria tem trânsito. E, chegando lá, tem uma fila de dois quilômetros para comprar pão (pois eu juro que entendo o sumiço dos panetones, a briga pelos perus e a massa na feira da Afonso Pena, mas por que a febre de Natal atinge locais insuspeitos como a padaria, o parque, a manicure e o estúdio de tatuagens?). E mesmo a melhor parte do Natal – que ainda é a comilança – é estragada a mania idiota de misturar frutas com arroz.

Fiquei muito indeciso em listar quais as coisas mais chatas do Natal. Acho que um bom motivo pra achar tudo um saco é que a maioria das pessoas que resolvem decorar suas casas com luzinhas sofrem de uma carência crônica de senso estético, de forma que você vê multiplicar, na vizinhança, fachadas que mais se assemelham a casas de tolerância. Mas, acredite ou não, essa não é a pior coisa da data.

Alguém precisa avisar pra população cristã – na qual eu não me incluo, grazadeus – que dezembro não tem finais de semana suficientes para fazer o amigo secreto da faculdade, do condomínio, a festa de confraternização da empresa e a visita aos 324 tios e tias da família. Aliás, geralmente a gente consegue encontrar apenas com um bom grande e velho amigo ou apenas um dos 324 tios, dá um beijo e um abraço apertado, deseja “feliz Natal” e torce secretamente pra aquilo chegar, de alguma forma misteriosa, aos 323 tios restantes – que você só vai ver no ano que vem.

Na verdade, mesmo que dezembro tivesse 48 finais de semana, meu (pseudo) salário (de estagiário sem 13o) não me permite um presentinho pra cada pessoa da faculdade, condomínio e escritório e continuaria frustrado por não poder dar um presente para aquele tio que nunca vejo, para cada um dos amigos mais queridos, companheiros de blog e para o moleque que vende bala no onibus – e que poderia estar roubando ou matando, mas está ali, apenas pedindo sua ajuda e te desejando uma boa viagem.

Uma das coisas que mais me deixa encabulado com o Natal é a de que o planeta inteiro modifica sua maneira de pensar, preços e decorações pela data cristã que não é a mais importante do cristianismo. Minha gente, que adiantaria Jesus nascer se ele não tivesse morrido na cruz e blá blá blá? A data mais importante é a Páscoa, porra.

Natal é punk, pois me bate aquela ansiedade terrível de falar com todo mundo, amarrar as pontas soltas, perdoar o colega de trabalho cretino que espalhou o boato de que você dançava no mastro da Up, procurar aquela garota que era sua melhor amiga na segunda série e que você nunca mais viu. Também me bate um desespero de organizar armários, gavetas, caixas, guarda-roupas, caixas de e-mail e de CDs – especialmente depois que fui procurar o meu Best Of do Frank Sinatra para ouvir “Have Yourself a Merry Little Christmas” e encontrei um pirata escrito “Avril Lavigne”, com a letra da minha irmã, dentro da caixinha.

PS: Texto original aqui e ho, ho, ho, felisnatau.


  1. beum (unlogged)

    uhahuauhauhauhauhauh…fiquei sabendo que a UP acabou ne? aquele mastro deve ter vida própriaaaaaaaa ja…é o apoio amigo (pra não dizer consolo) nas horas de embriaguez mórbida
    feliz natal hohoho
    realmente, até banheiros públicos tem fila no natal…um coisa puxa a outra…você ganha mais (tá que existem os estagiários), você compra mais, você come mais, você CAGA mais. é a vida mermão… :)

  2. Lucas

    Finalmente alguém consciente nesse mundo. Brigado.




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