O anonimato é místico. Essa semana estava eu com um livro de fotografias que retratava apenas faces, algumas pouco disformes, quando uma amiga me aborda:
- Quem são essas pessoas?- Bom, eu não sei…- Ah, então não tem graça.
Como assim não tem graça? A gente vive na era da informação, da notícia atrás de notícia, dos jornais de 25 centavos. Ora, aquele livro nada mais era a prova de que pessoas, às vezes, não precisam de tipos: homem, mulher, rico, pobre, brasileiro, senegalês, gay, hetero. De que importa? Pessoas não precisam de números e códigos pra se tornar pessoas. Aliás, se não os possuem, podem tornam-se entidades, tão místicas quanto por vezes necessitamos nesse mundo desencantado. Não me admira o fato de que hoje dificilmente contamos histórias como antes. O documento oral foi substituído pelo escrito, e logo pelo virtual. Saber exatamente o que aconteceu no Japão há meia hora atrás? Fácil! Mas e saber das lendas, das estórias, dos mitos, dos bichos que navegam nos mares junto com as caravelas e das noivas de branco que moram no banheiro?
Deixo claro a todos os jornalistas (maioria nesse blog) que não sou contra a profissão, mas não raro me pego apenas pensando em onde tudo isso vai dar. A sutileza dos fatos, o não saber, o oculto, o não registro disso ou daquilo parece desaparecer tão rápido quanto tantas formas de informações se proliferam e nada (n-a-d-a) escapa das lentes. Talvez seja certa tecnofobia, mas há dias em que tudo que quero é não ouvir a nova música do momento, não ver o que acontece nos noticiários tão gananciosamente engajados, não ouvir nem falar algo diferente da minha própria voz.
São enfim conseqüências desse mundo bandido que insiste em nos ludibriar e nos deixar, a cada dia, um pouco menos luminosos.
Gente, eu sei que tô no dia errado, na hora errada, na fonte errada, sem links, sem nada… Mas é que meu computador deu um suspiro aqui e eu consegui conectar a 12kbps e estou, na raça, torcendo pra dar certo. Essa semana acho que resolvo essa meleca. Saudade de tudo aqui! Malu.




17 Março, 2008 at 2:37 pm
E também, com esse bando de pessoas iguais, se a gente não sabe de quem se trata a foto, parece que a pessoa é apenas um xerox mal feito da outra. Hilária pós-modernidade, que faz com que a Madonna seja mais legal num pôster do que ao vivo.
Bjao!