“A inteligência não é para qualquer um…”
Gibran Khalil Gibran

- Sem estudo a gente não chega a lugar nenhum!
- Meu filho, quando crescer, vai ser dotô!
- Tem gente que não deveria estar numa universidade…
Atrás das grades, Sofia sorria silenciosamente lembrando de suas últimas aventuras. Ela e seu amigo Patrick arquitetavam secretamente um happening na cidade em que moravam. Segundo o plano, era preciso juntar umas 300 pessoas para, na praça principal, levarem seu livro predileto e lerem em voz alta. O objetivo era um zumbido polissônico das melhores literaturas mundiais. Quando o delegado soube disso, somou à causa de prisão de Sofia, logo embaixo de “não comparecimento sucessivo às aulas”: “baderneira”!
Alguns anos antes, Sofia já sabia o que queria ser quando crescer. Sabia disso sabendo o que não queria. O velho método educacional da sua escola não a inspirava nos estudos. O professor na frente cuspindo palavras, ela atrás de outras cabeças, tentando achar algum sentido naquele pretenso conhecimento. “Professor, é possível que uma pessoa colada no teto resista ao poder da gravidade e não caia no chão?”. “Cala a boca menina. Tem coisa que a gente tem que pensar antes de falar!”. Patrick nunca perguntava nas aulas. Aliáis naquele dia ele tinha conseguido o que queria exatamente por não acreditar nos conhecimentos alheios.
Não foi a primeira vez. Patrick é mestre em fugas. Aos dois anos fugiu da escola sem que notassem sua ausência por horas. Prova de que era apenas um número para eles.
Nem Patrick nem Sofia vão prestar vestibular esse ano. Eles não acreditam nisso. Eles não acreditam em fileiras de cadeiras. Não acreditam em resenhas. Muito menos em exercícios seriados. Eles acreditam em outras coisas…




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