Arquivo para outubro, 2007


foto da seleção de 1950.

O Brasil é um país cheio de controvérsias, Meu Deus. Por um dia, os jornais pararam de falar da política corrupta, do leite adulterado, da tropa de elite, pra falar de futebol. Colocar brilho no olho do trabalhador que por um instante acredita que vai poder ver de perto os melhores times do mundo. Não é verdade, povo. Os jogos provavelmente vão ficar restritíssimos aos estrangeiros cheios de dólares – será que eles vêm?, que vão vir ver os jogos. Os possíveis investimentos que o país vai atrair possivelmente não vão cobrir nem um doze avos dos gastos que serão tirados dos cofres públicos. Os lucros jamais serão nossos.

 

Tem ainda a questão da floresta amazônica, já pensou se, aproveitando a entrada no país, os estrangeiros resolvem ocupar a amazônia e libertá-la do país, transformando-a num “território de todos”? (aqui, entende-se num território dos E.U.A). É uma possibilidade, sim.

 

O Brasil não é mais o país do futebol. Desde que nossas crianças perderam a esperança de um futuro digno, desde que elas pararam de sonhar em ser jogadores de futebol, desde que não é mais seguro sair de casa pra ir num campinho de várzea jogar bola, não tem mais essa história de país da bola não. Coisa do passado.

 

E se falam que a Copa ser aqui era um sonho de todo brasileiro, afirmo que é mentira. E olha que pelo menos 10 vezes ao ano eu ouço, numa narração emocionada do meu pai, a história da seleção que perdeu o título no maracanã, em 1950. Talvez seja sonho dele, meu pai, a oportunidade de refazer essa história. No entanto, o sonho da maioria do povo brasileiro é ter um prato de comida em casa todos os dias, direito a saúde e educação.

 

Quando falam que a Copa do mundo é nossa em 2014, não quer dizer que ela seja nossa, tipo minha e sua, não. Nossa quer dizer deles.

 

Será que daqui a sete anos vamos estar vivos pra saber?

 

Hoje o meu espaço chama sem açúcar…

 

Bráulio,


acrescente enrolada no meu perfil.


Rocha,


foi bom falar com vc!

Não, eu não moro em hotel. Mas é um dos meus maiores desejos de consumo (falo como publicitário consumista que sou). Então quando vêm aqueles papos, o que você faria se ganhasse na mega-sena ou se achasse uma reserva de petróleo eu…compraria um hotel! Vamos lá, dá pra contar nos dedos:

Cama hotel

1 – Os frigobares estão sempres abastecidos (sim, eu sobreviveria por alguns meses comendo castanhas, batatinhas, chocolates e bebendo somente água gaseificada).

2 – A sensação de sair pelado do banheiro (diga-se O BANHEIRO, com aquelas duchas que são capazes de cortar uma folha de papel com a pressão, quatro tipos de toalhas e ainda milhares daqueles sabonetes miniaturas que perdem em tamanho mas ganham em essência). Pois bem, você sai do banheiro pelado, aquela nuvem de vapor devido aos seus 30 e poucos minutos no banho começa a se dissipar e você caminha em direção à porta do quarto, aquele ventinho frio do ar condicionado invade suas virilhas, dorso e nariz, trazendo a boa nova. Cheirinho bom!

3 – O controle remoto da TV é só seu. Você entra no quarto do hotel e a primeira coisa que você faz é pular na cama, pegar o controle remoto e ligar a TV. Sim, a TV. Ela é a maior companhia para os solitários (sozinhos nunca) de hotel (já falei da minha opinião sobre os livros). Mesmo aquela simpática TV pendurada na parede do canto do teto ou uma plana de fazer inveja, as TVs à cabo dos hotéis são sempre melhores do que em casa, porque a programação, querendo ou não, sempre se adequa ao seu estilo de vida e à sua situação emotiva.

4 – Todos os telefonemas são para você. A não ser que a última pessoa que passou pelo quarto deixou o número do quarto e do telefone do hotel pregado em algum orelhão a procura de emprego ou serviços de acompanhante, massagista, vouyerismo e afins.

5 – Você economiza dinheiro com motel, além do que é mais fácil arrastar gente pro seu quarto no hotel do que para o motel. Sua vida sexual melhora, bein! Motéis são demoníacos, hotéis são respeitáveis. Então as pessoas (ou a maioria delas) se sentem mais à vontade quando são levadas para um destino final por meios que não condenem o fim logo de cara, afinal toda surpresinha por mais que esteja na cara é bem vinda. Ou como conversávamos outro dia na mesa do bar, os fins justificam os meios, mas os meios não têm que declarar fim nenhum.

Então, do mais apertadinho para os mais geeks, a receita é a mesma. Junta-se então o frio do ar condicionado, com o friozinho da barriga, com o vinhozinho do frigobar, aquele filmizinho da tv à cabo e pra finalizar aquele cheirinho de lavanda…é meu povo, se ajeite no edredon e só acorde na manhã seguinte com a portaria te informando – Senhor, o café está servido.

Bom pessoal, essa é minha nova coluna – 5 contra 1 – e nela vou tentar convencê-los (esse é meu job) de que há sempre 5 bons motivos para você gastar o seu sofrido dinheirinho com alguma coisa legal. Isso é qualidade de vida!

Nunca fui muito fã de Turma da Mônica ou tirinhas japonesas de nenhum tipo. Posso afirmar com total certeza que minhas tiras favoritas são as que contam as aventuras de uma menina chamada Mafalda, as de um tal Calvin e seu tigre de estimação Haroldo e as de um melancólico garotinho chamado Charlie Brown. Francamente, quem nunca leu uma dessas? Quem nunca se viu em um destes personagens?

Para os desinformados, essa semana será lançado o livro “Schulz and Peanuts”, do jornalista David Michaelis. Essa é a primeira biografia do desenhista Charles Schulz, criador da turma do Snoopy, a ser lançada após a sua morte. Dizem que a história retrata o cartunista como um homem extremamente melancólico, o que fez com que a família, que desde o começo colaborou com informações e material para a obra, não gostasse do resultado.

Melancólico ou não – aliás, porque seria esse adjetivo pejorativo? – o fato é que o cara era genial. E quem descreve muito bem a inteligência de Schulz é o prórpio Bill Watterson (de Calvin & Hobbes), descrevendo tudo que via na obra dos Peanuts e sonhava em fazer também: “Os desenhos limpos e minimalistas, o humor sarcástico, a honestidade emocional inflexí­vel, os pensamentos de um animal de estimação, as crianças levadas a sério, as loucas fantasias!”.

Ser criança é muito complicado e poucos entendem ou lembram disso. De certa forma, acho que todos nós somos um pouco Schulz ou um pouco Charlie Brown (se é que eram pessoas diferentes). As três tirinhas que citei no primeiro parágrafo são um sucesso pois misturavam de forma singular inteligência e bom-humor – dois artigos que estão ficando muito raros.
E sobre a polêmica do livro, Watterson diz que “o senhor Michaelis realizou uma extraordinária investigação e escreveu um relato perceptivo e comovente da vida de Schulz”.

Quem ficou com vontade de ler levanta a mão!

Exagerado

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Meu Deus. São 22h38 e eu ainda não escrevi meu post.

Eu enrolei o dia todo. Eu tomei uma cerveja que me deu preguiça e enrolei o dia todo. Eu não escrevi meu post. E como a regra mestra vigente nesse blog é clara, agora, eu só tenho uma uma hora e vinte pra escrever meu post. A regra é clara! Damn it!

E… pois é. Tem coisa que eu acho exagero. É tipo quando você está naquela conversa com seus amigos e, de repente, você se dá conta de que: “NU! Meu amigos são estranhos”. É ruim. Acontece o tempo todo.

Também é estranho o tipo de coisa que aconteceu hoje. Eu estou andando no shopping, conversando, todo mundo bem, feliz pra caramba e – BUM! Eu vi um iPhone! A próxima coisa que eu me lembro é estar em casa triste porque estava sem bateria. Como assim? Como assim que o cara da loja deixa o iPhone sem bateria? COMO ASSIM?!

Eu saí correndo pra pegar o iPhone, eu fiquei indignado por estar sem bateria e, sinceramente, eu fiquei puto porque o maior gadget de todos os tempos acabou de chegar no Brasil e ninguém tava nem aí. São três coisas que eu acho exagero. Por exemplo.

Mas você veja. Um cara investe 55mil dólares e oito anos pra construir um simulador do boing 747 no quarto dele. E tem sempre um chinês que morre depois de passar uma semana jogando video-game. Ele tinha 150 quilos!.. Meu Deus!… Mas dó é o pior sentimento do mundo.
Eu gosto de ver essas pessoas loucas. É confortável pensar no que tem de pior que você por aí. Sempre dá certo. É como: “tudo bem, eu sou cego, surdo, mudo e não ando, mas olha aquele ali que, além disso tudo, é impotente! Coitado!”. Definitivamente, esse exemplo foi um exagero.

Um vício é um exagero. Mas quem é qualquer um pra julgar? E abre-se uma exceção quando o vício é muito chato. Tem gente vivendo próximo a mim que é viciado em MSN. Você veja. Mas é engraçado. É quando a pessoa não sabe mais o limiar entre o real e o virtual. É quando, às duas da manhã, você escuta o barulhinho de que alguém mandou uma mensagem pra ela, depois ouve uma risadinha e um comentário baixinho. É tipo a pessoa louca falando com o computador. E eu odeio risadas de MSN. E aquele emoticon padrão pra 🙂 tem cara de débil mental. uhauahauha

Já diagnosticaram, inclusive, a mania de certas pessoas de checarem o e-mail várias vezes por dia. É doença. Tem de tudo. O governo da China está preocupado com o relacionamento psicótico entre sua população e a internet – qual o problema dessas pessoas?

Mas o fato é que, quanto mais viciado você fica, menos exageradas as coisas parecem. Eu já não acho um absurdo pagar 2 mil e 500 reais num celular Nokia que faz absolutamente todas as coisas. Menos ainda num iPhone. E, definitivamente, pessoas que tem um iPod são mais legais… Já as que não acham iPods GRAAANDES coisas?… Tá. Eu sei, eu sei. Dó é o pior sentimento do mundo.

23h56… UAU.

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Tinha jurado pra mim mesma que, tão cedo, eu não escreveria sobre amor. Falar só de amor é chato. Ler então, nem se fala! Mas, ontem, um amigo me disse que nunca amou. Aí não teve jeito. Parei para refletir sobre tão triste confissão. É clichê, mas é verdade: que droga deve ser uma vida sem amor. Imagine passar uma vida inteira sem saber o que são aquelas borboletas no estômago; sem se derreter com um simples olhar; ou sem trocar uma balada com os amigos por um filminho a dois, com direito a pipoca e sussurros ao pé do ouvido. Tudo bem que ele tem só 20 anos, mas já me pareceu preocupante.

Tá, sei que posso não entender bulhufas sobre o assunto. E mais: posso também nunca ter amado. Mas, pelo menos, pelas situações aí de cima, eu já passei. É tão bom — quando se é correspondida, é claro! Algumas paixões platônicas também valem a pena. Perduram por anos a fio e fazem plenamente feliz quem as sente, só pelo fato de o ser amado existir. Porém, há casos em que quando a idealização se torna real e se descobre que o outro não é nada daquilo que imaginávamos, a magia acaba e a paixão vai junto. Existem também, aqueles que passam a vida inteira com medo do amor e acabam nunca amando (risco que corre o meu amigo). Ai, ai… tem de tudo!

Você pode também, estar desiludida ou encalhada (como eu), mas sempre vai existir aquele pé de chinelo velho pra te completar. Sempre. Claro que você pode demorar um pouco mais a encontrá-lo. Vai que você é quem está se escondendo. Mas, ah, como eu disse no início, ler sobre amor é chato. Então, não adianta ficar falando, o negócio é amar!

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Tentando sempre fazer menção à minha vida, egocêntrica que sou, eis que essa semana passei por péssimos bocados. Coisinhas pessoais à parte (afinal, blog é blog e veado é veado), acho impressionante o quanto as pessoas podem ser como pedrinhas de gelo. Já reparou como hoje em dia só os velhinhos dão bom dia pra quem nunca viram na vida? E eu aqui, ainda acreditando no riso descompromissado e na bondade humana, tsc tsc tsc. Ainda acreditando até o último fio de cabelo que as pessoas podem ser melhores do que são.

O cenário não me parece animador.

Lembra dos Jetsons? E da robozinha deles, a Rosie? Pois é rapá, ela é mais gente que muita gente por aí. E olha que já andam inventando até robô com sensibilidade ao toque. Já imaginou quando nos livros haverá escrito que nos tempos áureos da Antiguidade havia médicos, enfermeiros e padres capelães? Não nabucos, não estou exagerando. Já pensou seu avô mandando cartas pra sua amada? Já se imaginou mandando cartas pra sua amada? Pois é… Isso talvez me assuste. Aliás, isso me assusta com certeza.

Não nego a modernidade, mas talvez queira fugir das pessoas-robôs e me encontrar mais com as pessoas-sui generis. Dessas raras, que não pensam em que roupa usar e sim no algodão que conforta. Dessas que dão abraço sincero e apertado. Dessas que tem a capacidade de amar tudo, todos, todos os extremos, e, não deixando o rancor tomar conta, desmecanizam-se.

Acho hoje que não há nada melhor que não virar robô. Nada melhor que conhecer pessoas ao acaso e nunca mais voltar a ver. Nada melhor do que dar um sorriso ao desconhecido até que se torne conhecido, pois é conhecendo que se vive. É caindo. É cantando. É levantando. É levando. É aprendendo.

É aprendendo a ser gente todo dia, tipo pessoa-sui generis, e não essa gente robô que insiste a perambular por aí, a me incomodar; dentro de mim.

(A propósito, bom dia!)

Deus castiga!