Arquivo para novembro, 2007

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A promessa de mudar de tema está oficialmente quebrada e enterrada. Em todos esses dias que fiquei sem postar, fiquei tentando encontrar algum outro assunto que coubesse aqui, e nada. Não dá. É querer negar a força que me impulsiona e me faz acreditar que a vida tenha, verdadeiramente, algum sentido.

Hoje, ouvindo a música “Amor é sempre amor”, versão de Jair Amorim para “As time goes by”, decidi que era hora de escrever. E nada melhor do que falar sobre o que talvez seja a coisa mais inerente à minha personalidade: esse romantismo que está em cada palavra ou gesto meu.

Sou escrava da crença de que o amor é um sentimento que pode sim, ser transmitido, irradiado, espalhado. Quando nos albergamos no coração de alguém, a partir daí, é simples. É só cuidarmos. Sabermos cuidar do nosso cristal.

Mas também sou daquelas que sonham alto. Bem alto. Que acham que um amor perfeito tem que ter Paris, neve e música ao fundo. Que querem viver um romance de filme e idealizam um príncipe encantado.

A cada vez que ouço os versos “Enquanto houver ciúme, enquanto houver perfume na vida de uma flor; enquanto houver nós dois, é sempre o amor”, tenho mais certeza de estou no caminho certo. Ainda existem pessoas que acreditam, que sentem, que amam. Ainda existe você. Eu. Nós dois.

Ai que nesse dia branco…

“Devagar, esquece o tempo lá de fora. Devagar… esqueça a rima que for cara.” SÁ, Roberta; Samba do Minuto 

 

A leveza é mesmo sublime.

Um sorriso, uma palavra, um toque. É o mínimo de todo dia. É a vida que passa sem ver. O sinal que fecha e a pessoa que cruza. A leveza é companhia da solidão. A solidão é credencial para a felicidade. Sozinha, me elevo. Leve. Leva-me. Se os temporais vão passar ou não, tanto faz. O que importa? Chove. A leveza é meu cheiro lavanda. É meu falar comigo em dias de sol. São meus pensamentos. A leveza é menino de rua. É a mão que estende, e que não entendo.

A leveza está agora. A leveza é o coração que se quebra, e sana, e volta a quebrar. A leveza é a morte, é o ócio, é o asco. A leveza é a esperança – e a desesperança (que é comboio).

É tênue fio, que nos separa.

E é sobretudo raio: o que nos une.

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Acredite, nem tudo que é bom, é intrínseco ao bem. Assim como ninguém é todo bom ou todo ruim. Somos o meio termo de todo e qualquer parâmetro. O que vale são as circunstâncias. Eu sempre gostei da sensação de limpar o ouvido usando cotonetes, por exemplo. Mas meu otorrino me falou que a melhor forma de limpar o canal auditivo é com o cotovelo. Com o cotovelo? Ou seja, mais fácil lamber o pomo-de-adão. Mas certos prazeres são impagáveis, mesmo nos custando a integridade física e mental. A decisão que nos cabe é de saber lidar com os excessos, é ter a quase certeza de que o que seja eterno enquanto dure… Dure muito.

É assim quando queremos prolongar alguns prazeres. Do tipo, ficar lambendo a tampa do iogurte ou furar a bundinha do Yakult para restringir a vazão. Ou mesmo andar a 10km/h em uma rodovia beira mar. É a vontade que dá de apertar o “slow-down” do controle do aparelho de DVD (hoje em dia na própria TV digital) quando a cena deve ser apreciada nos mais íntimos detalhes.

O site LiveScience listou 10 coisas (legais ou não) que não fazem parte de uma “receita para uma vida melhor”, mas que curtem um efeito positivo para a sua saúde, a longo ou curto prazos, embasado em estudos científicos. A maconha, por exemplo, que frequentemente está associada a perda de memória, ironicamente está sendo estudada em casos para recuperação da mesma em portadores do mal de Alzheimer. Segundo pesquisas, a cerveja é boa para o coração, o LSD te faz parar de beber, café é bom para diabetes e o sol para asmáticos. É o Ying e Yang do consumo. Ficamos à mercê dos riscos ao tentar abraçar o bem o mal, já que ambos coexistem em uma parte pelo todo. E se beber em excesso é ruim, amar também. E mesmo sendo o último dos românticos, eu sugiro que tome um copo de água com açúcar. Ou tome uma limonada suíça. Como disse o Lucas no sábado, faça uma limonada com os limões que a vida te dá só caso você queira tomar limonada, eu prefiro incrementar alguns ingredientes.

Agora vamos à minha receita de limonada suíça.

INGREDIENTES:

  • 3 limões
  • Leite condensado a gosto
  • Gelo
  • Água ou soda limonada a gosto aproximadamente uns 3 copos

MODO DE PREPARO:

  1. Lave os limões e corte-os em 4 partes mantendo a casca.
  2. Bata tudo no liquidificador, coe e sirva em seguida.
  3. Por causa da casca não pode guardar este suco, pois pode amargar.

Além mundo, eu gosto de pinçar os pelos do bigode e do nariz e de tomar água do chuveiro (aerada). Arrot. E você, gosta de quê? Bonapetit.

A hipocrisia faz parte da noss avida

A hipocrisia faz parte do nosso dia-a-dia…

(Vista de cima de um grande teatro. As cortinas vermelhas se fecham enquanto o público se levanta e aplaude de pé. Todos estão sorrindo, entusiasmados):

– Viu como ele incorpora a música?

– Como toca bem…

– Que bonito! Parecia que estava em transe com a música!

– Artistas assim, de verdade, estão cada vez mais raros…

– Talento genuíno!!!

(Noite. Em volta de uma mesa retangular, uma família de classe média janta enquanto assiste televisão. No jornal, mais uma notícia sobre apreensão de drogas, dessa vez uma dona-de-casa de 54 anos, mãe de um ex-presidiário. A discussão na mesa começa.)

Mãe: – Uma mãe dessas, sabendo o que o filho faz, deveria ser presa…

Pai: – Esses drogados são tudo uns vagabundos. Querem tudo fácil, tudo na mão. Não adianta arrumar trabalho, dar estudo. Essa gente só sabe viver assim.

Filho: – Pai, mais tarde vou tomar uma cervejinha com uns amigos, me empresta o carro?

Pai: – Toma cuidado onde estaciona. (ele passa a chave para o filho). Perto de morro, não, que esses marginais não tão perdoando nem carro velho. Pra eles vale tudo pra sustentar o vício…

Mãe: -Ai, como tenho horror a drogas…

(nesse momento, na televisão, uma matéria sobre o show do dia anterior)

Mãe: – Como foi bom esse show…

Pai: – Taí coisa que não é pra qualquer um. Imagina um desses pivetes num concerto desses. Eles só sabem escutar funk!

Mãe: -É verdade…

(Uma sala branca silenciosa. Na porta, uma placa: Camarim. Não há ninguém, além do artista. Alguém bate na porta e ele responde “Já vai!”. Do bolso, tira um saquinho plástico com um pó branco. Espalha-o sobre a mesa e em um segundo aspira uma carreira de 10 cm. Passa a mão no nariz, na mesa: “Estou pronto” grita alto. Pega seu instrumento e dentro em instantes entra no palco, a platéia aplaudindo, as luzes piscando. Mais uma amostra de seu talento genuíno. Mais uma viagem alucinógena. A música que ele consegue fazer, ninguém acredita como é possível. E ele não pode decepcionar. Jamais. Afinal, é o seu trabalho. É pago para isso. Ele não pode decepcionar):
Mãe: -Isso é que é talento… Bem que o Jorginho podia tocar assim…

Ou é só pra aumentar a audiência do blog?


Sim, o cinema é uma máquina de lucros quando estamos falando daquele que é feito em Hollywood. Mas no meio de moças como Hillary Duff e Lindsey Lohan a gente ainda acha gente como Natalie Portman e Scarlett Johanson – que são lindas, mas também talentosas e preocupadas, acima de tudo, com a atuação.

Vamos para o outro lado agora. Do lado dos homens também estamos cansados de assistir “o melhor ator de todos os tempos” surgir toda hora. Poucos se mantêm com esse status (por favor, basta olhar para Adrien Brody e Jamie Foxx). Mas (felizmente?) a regra também é a mesma aqui: os moços que lideram as listas de mais sexys também são talentosos – pelo menos é o caso de Brad Pitt, George Clooney, Leonardo DiCaprio, e Johnny Depp. E vou falar dele hoje.
Ele, sem dúvidas, é o maior responsável pelo estrondoso sucesso da franquia “Piratas do Caribe”. Capitão Jack Sparrow é um dos personagens mais engraçados e peculiares do cinema – mas não da carreira de Depp, que também criou uma persona adoravelmente bizarra em “A Fantástica Fábrica de Chocolate”, “Edward Mãos de Tesoura” e “A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça”. Brilhante em dramas como “Em Busca da Terra do Nunca” e “Chocolate”.

Eu revi “Platoon” só por causa dos 5 segundos que ele aparece. “Donnie Brasco” é um ótimo filme contemporâneo sobre máfia e “Ed Wood” também é ótimo. “Noiva Cadáver” é uma gracinha e “O Libertino” é… bom, outros adjetivos.

Tudo isso foi apenas pra dizer que eu já não agüento mais de euforia e vontade de assistir seu novo filme. Não porque ele é lindo, não porque é do Tim Burton, não porque é um musical – mas um pouco de cada coisa. Estou na contagem regressiva pra estréia de “Sweeney Todd”. Quem quer se juntar a mim?

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Duas coisas: Destino e decisões. Talvez a vida seja simplesmente isso. Se, por um lado, o primeiro aparece de vez em quando pra bagunçar os planos e as expectativas, por outro, o segundo… basicamente, o segundo controla. Na maior parte do tempo, as decisões definem para onde a vida vai. É tudo sobre escolher os caminhos porque, tipicamente, as verdadeiras mudanças vem do que você decide fazer com seu destino. Você só faz uma limonada com os limões que a vida te dá, se quiser.

De um dia para o outro, nossas decisões se tornam fundamentais. De um dia para o outro, nós temos o poder e faz parte do processo de crescimento, como pessoas, saber o que fazer dele. De um dia para o outro, nós passamos a ter responsabilidade sobre nossas atitudes e nos tornamos o que fazemos. Monstros, por exemplo. Decidir não é fácil e vai ficando cada vez mais perigoso. De repente, uma escolha muda nossas vidas. Uma escolha muda a vida de outras pessoas. De repente, nós temos o poder. E grandes poderes demandam grandes responsabilidades. Provavelmente nós só nos daremos conta disso depois de uma decisão ruim. Ou MUITO ruim. Depois que você está triste e arrependido. Depois que alguém saiu machucado. Depois que você usou os limões e fez um enfeite de mesa.

Decisões ruins são tomadas o tempo todo. Elas acontecessem porque, simplesmente, na hora fez sentido. Mas o difícil, pra qualquer decisão que seja, é fazê-las ter sentido depois. Nós deveríamos culpar menos os responsáveis e pensar melhor na hora. Pensar no que fazer em seguida… Porque decisões ruins são tomadas o tempo todo, mas pode não ser possível voltar atrás.

Saber escolher entre o certo e o errado, entre o bom e o ruim, entre um sonho ou uma necessidade é importante. É uma questão de consciência e de coragem. De maturidade, principalmente, e de se sentir responsável por mais que você mesmo. É só que nós temos o poder. Um dia é que você se dá conta disso e é aí que as decisões ficam difíceis de verdade.

Na maior parte do tempo, é tudo uma questão de escolhas. Você pode fazer o que quiser… Mas talvez, o que realmente importe na vida não seja o poder de fazer qualquer coisa e sim, exatamente, os nossos motivos para não fazer.

Há muito tempo eu escuto esse papo furado
Dizendo que o samba acabou
Só se foi quando o dia clareou

VIOLA, Paulinho. Eu Canto Samba

 

Quando era pequerrucha, domingo de manhã era dia de acordar cedo pra aproveitar que todo mundo estava em casa. Como desde sempre a preguiça me acompanhava, existia uma técnica bolchevique: música no último volume. Domingo era dia de pegar os vinis que ficavam no armário da copa e acordar ao som de Chico, Francis Hime, João Gilberto, Paulinho da Viola e Pink Floyd (tá, vai entender…). Eu ficava um pouco nervosa nos cinco primeiros minutos, mas logo depois já pegava minha pipa pra ir à Pça. do Papa. Eis que cresci, mas o gosto ficou. Sim, a estranha no colegial, com sua coleção de vinis antigos. Sempre achei uma pena o preconceito que as pessoas nutrem religiosamente por tudo que é brasileiro, genuinamente brasileiro. O maior exemplo disso é o samba… Cartola, Bezerra da Silva, Zé Kéti, Leci Brandão (isso pra não falar nos mais desconhecidos) andam perambulando por aí, de universidade em universidade, de escola de samba em escola de samba.

Minha surpresa foi então quando vi que a MTV (sim, aquela mesma que promoveu BSB, Avril Lavigne e hoje tem entre os top 10 o NX Zero) lançou um acústico do Paulinho da Viola. Lindo, lindo, lindo! Me pego pensando se existe por aí alguma garotinha, emo que só, ouvindo em casa Paulinho e descobrindo que mora num país de gente excepcionalmente genial. Sei que não tenho muita autoridade pra falar porque conheço pouquíssimo do que se produz fora da América Latina, mas que me perdoem os roqueiros: o samba é fundamental!

Ps: fica o convite pras atividades do FAN (Festival de Arte Negra) que tá rolando aqui. Imperdível!!!