É que o de cima sobe e o de baixo desce. Tchan tchan tchan!

“O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas.”

BRECHT, Bertold in O analfabeto político.

 

Putz, miguxo, fudeu!

Já é quinta e não sei o que escrever… Só uma coisa (que eu me lembre, óbvio) me chamou atenção essa semana: o preço do feijão. Gente, vocês notaram? Em Salvador, segundo o noticiário de hoje, o quilo chega a oito reais. Tá, talvez você pense: e eu com isso? Meu amigo, talvez você não faça suas próprias compras, mas isso é um baque e tanto. Semana passada comprei lentilhas. Apanhei pra fazer? Sim! Mas agora não sei mais se volto pro feijão. Essa história de jeitinho brasileiro, arroz com feijão (+ tomate, alface e batata frita) não me engana não. Minhas retinas não apagaram os lúdicos tempos em que eu, no meu precoce (e frustrado) investimento agrícola, plantava feijoezinhos em todos (todos!) os botes de chambinho que via pela frente. Não meu amigo, talvez eu nem gostasse do queijinho petit-suisse, ou quisesse na verdade fazer mil chocalhos com aquelas coisinhas vermelhas. Mas não dava, era mais forte que eu. Potinho, algodão, água e feijão. Que se explodam os colarzinhos de macarrão e os desenhos colados com milho. Meu negócio era mesmo um dia poder colher o que eu plantei.

Claro, nunca rolou. Os brotinhos nunca vingavam e eu sempre era negligente no cuidado posterior. Mas valeu a pena… Andei colhendo na vida outras coisas plantadas por mim (mas não eram feijão).

Agora, 8 reais, companheiro… Vamo combiná  que acaba com qualquer sonho infantil.


  1. “Tchan, tchan tchan” foi o melhor do texto. Calma, eu explico. O texto ficou ótimo, a revoltas expressadas também. Mas o “Tchan, tchan tchan” deu um toque de sarcasmo especial ao nosso feijão com arroz de cada dia!

  2. Não só compro, como vendo. Tem um llitro (um kg e meio, após correções) aqui do carioquinha to vendendo por R$6,00 (meu deus, vale um big mac)…
    Mas sério que os seus brotos não vingavam? Uma lágrima por dia era o suficiente.

  3. Ana Clara Otoni

    O pior é saber que realmente muitas pessoas não ligam a mínima para o preço do feijão. Semana passada estava eu no novo Centro de Especialidades Médicas vulgo IPSEMG, quando uma senhora velhinhazinha já, coitada, com uma voz rouca me perguntou se eu não queria comprar brincos. Poxa! Ela tocou no ponto fraco BRINCOS, tá tem bolsa e sapato tbm! Mas, ela vendia brincos. E eis que tive a curiosidade de perguntar quanto era.
    ELA: Quatro reais!
    EU: Nossa dona, muito caro!
    ELA: Caro? Caro minha filha, é o preço do feijão! Caro é você pagar quase oito reais num quilo de feijão!

    Pior ainda, foi a cara que ela fez do tipo “Essa menina nunca deve ter comprado feijão na vida!” Engano dela, afinal, moro em república e a gente tem nossa vida de dona-de-casa também! Daí olhei os brincos, tadinhos…eram tão feinhos, daqueles de plástico, acrílico sei lá! Acabei comprando um, depois de ter chorado um pouco. Paguei três reais, e ela ainda me disse: – Não é nem metade do feijão!

    PSIU: Desculpem, o comentário ficou parecendo mais um post! Deve ser a falta que ando sentindo do meu…Mas, tenho fé que ainda voltarei.

    Beijos




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