Arquivo para janeiro, 2008

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Marina estava eufórica. Há anos aguardava aquele momento e mal podia esperar pelo instante em que passaria por aquela porta. Poderia ter escolhido o caminho de radiojornalista ou de repórter de rua, mas não, sua escolha fora bem diferente da que todos imaginavam – inclusive ela mesma.

Sempre dissera ser ótima redatora. Produzia belos textos, sua imaginação fluía como nenhuma outra. Até livros chegara a escrever. Ah, aquela bela história sobre contos de fadas que pôde redigir com seus colegas em pleno segundo ano colegial… ficara na história e em sua memória. Mas a vida não permitiu que ela seguisse os seus sonhos, não permitiu que ela seguisse com o gravador na mão.

Hoje Marina continua a lidar com a imprensa. Mas lida do lado de cá. Atende jornalistas, procura publicações, vende matérias, relaciona-se com repórteres. Envia releases, clipa notícias e tem metas a cumprir. Ela não se arrepende. Gosta do que faz. Mas sonhava em seguir outra vida. Lembra-se com carinho de seus estágios na época da faculdade. Falava de boca cheia que queria muito voltar à redação. Voltou. Mas não permaneceu.

Seus colegas de curso tomaram rumos bem distintos. Gabriele não seguiu no jornalismo, hoje trabalha com eventos. Rafaela queria muito trabalhar com comunicação empresarial, mas não deu certo – hoje lida com fotojornalismo. Michelle nem seguiu na profissão, foi morar no exterior. É tradutora e professora de Mandarim. Joana seguiu no que sempre sonhara, trabalha numa grande emissora no programa de esportes. Ricardo virou editor de um dos maiores jornais do Estado e dá um show no caderno de cultura. Pedro virou assessor da própria faculdade. Fabrício acabou mudando-se para São Paulo, é crítico de cinema. Tudo a ver com ele. E Marina?

Marina continua em Porto Alegre. Fez cursos, se especializou. Ficou por alguns anos trabalhando em uma revista nacional. Tudo o que sempre quis. Afastou-se por um bom tempo do tão adorado jornalismo cultural, mas voltou. Entretanto, as circunstâncias da vida a trouxera de volta ao universo dos AI’s – assessores de imprensa. Ela se lembra com carinho dos primeiros aprendizados enquanto estagiária de comunicação. Mal sabia redigir um release e hoje tira de letra qualquer resposta a um jornalista mal informado (ou intencionado, vai saber!).

A verdade é que Marina se encontra muito bem no cargo que exerce em sua profissão. Se sente realizada e feliz. Defende seu superior no que for preciso e não deixa jamais o código deontológico de lado. É ética! E às vezes peca por isso – é que nem todo mundo vê tal atitude com bons olhos…

Agora, não sei se Marina se comporta assim por ser uma profissional exemplar por si só ou porque gostaria muito de estar no lugar dos jornalistas das diversas redações que recebem seus releases quase todos os dias. Sinto que ela queria muito poder receber um release e ir além. Pesquisar, ligar para as fontes (não fornecer a fonte) e produzir um material de interesse público a sair no jornal no dia seguinte… Mas Marina é feliz e isso é o que vale!

A indagação do dia? Por que sempre deixamos de ver o lado bom das coisas? Por que o ser humano tende ao negativismo, ao pessimismo e à constante diminuição de si mesmo? É preciso acreditar em si. No seu potencial… Marina pode ser você amanhã. Ou eu, vai saber!

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“Carnaval would be tragic if it weren’t funny.” – Hitchcock

Uma semana para o carnaval e a virada do ano praqueles que vivem e presumem todos os feriados que terão do trabalho-família-cachorro-relógio-cama-chuveiro-arrozcomfeijão-emacarrão no segundo dia do ano. Carnaval por aqui em mins (MG) vira antônimo de mulata sambando with lasers na Sapucaí, isso tudo é coisa para atrair os gringos. Carnaval pro bom brasileiro agora é rua, ladeira, micareta, baile funk (e quem deu nome a isso de baile, me explica)… samba, epa, samba também é pros gringos.
O carnaval ganhou um pouco de pudor… Digo isso porque como as coisas andam, o brasileiro já deveria ter perdido a inocência quanto a nudez exposta na televisão, parar de colocá-la como ícone cultural para ser vislumbrada somente em peças de teatro. A gringa, que se ruborizava frente às mulatas e biquínis brasileiros, hoje televisionam cenas de nudez até mesmo em canal aberto. E por que o pudor? Qual a graça em ver um desfile com a rainha de bateria camuflada de pavão? Devemos repugnar é a zoofilia.
Não posso falar de carnaval com tanta veemência quanto uma cuíca armada ou alguém da velha guarda da Portela, eu era o do sofá. De ficar vendo o desfile em casa com a família, de amargurar o desfile de algumas escolas com raios de pensamentos malcriados e decorar o samba-enredo da Mocidade como se eu morasse em Padre Miguel. Eu era o da gringa. Mas depois percebi que o carnaval, assim como qualquer outro feriado, nada mais era do que uma dispersão de pensamentos para quem nada queria pensar, mas fazer. Tornou-se o ápice de viver a vida e criar vidas, e o ministério da saúde adverte: a igreja não entende nada de sexo.

Carnaval esse ano cai no dia 5 (terça-feira) e tem sempre um jeito de emendar ali, costurar aqui para que o batuquê se prolongue. A data acompanha os sete domingos que antecedem a Páscoa também conhecida como fugadoshebreus-ressureiçãodecristo-mudançadeestação-primeirodomingodeluacheiaapós21demarço – “você sabia?”.
Querendo ou não, pelas bandas de cá (de minas), o carnaval começa cedo nos guetos e ladeiras das cidades históricas, que é gerado pelo buzz marketing (o boca a boca), isso sim que é o carnaval do pão de queijo (por aqui, escolas de samba têm razões sociais e não culturais).
São cinco dias para fugir, do Nepal ao sofá da casa de seus pais, do “vamos pra cachoeira” ao butequê da esquina, do EGO ao ID. É QUASE uma copa do mundo, até os comentaristas da globo estão lá, para que você não perca sequer um lance e nem se atrapalhe na hora de empurar as bolas pra dentro do gol.

Aproveitando o clima de falar da música em todo lugar, alguém viu que as ações da Apple caíram 16% nos últimos sete dias?! Eu falo isso, pois, há cerca de três meses elas estavam batendo recordes no mesmo dia que foi anunciada uma parceria da mega empresa (que é a fabricante do iMac, iPod e do iPhone, caso você more numa caverna e não saiba disso) com a maior cadeia de cafeterias do mundo, a Starbucks.

O plano é levar o termo cyber-café a um outro patamar: a Starbucks vai lançar um serviço em rede sem fio com a Apple e distribuirá milhões de músicas por meio de downloads. O cliente recebe um cartão resgatável com a “Song of the Day” (Canção do Dia) da loja virtual iTunes, e tem direito a uma música de cortesia selecionada pela Starbucks Entertaiment. Com isso, a rede de cafeterias vai distribuir cerca de 1,5 milhão de downloads por dia.

As gravadoras, que estão quebrando a cabeça pensando em maneiras de lucrar e combater a pirataria na internet, logo logo estarão entrando nessa também. Em breve você poderá comprar o single da sua banda favorita “com um acréscimo de dois dólares no seu capuccinno”!

Seria essa a próxima tendência? Pois, afinal, depois dos charmosos e pequenos cyber-cafés, os mega shoppings tem internet wireless, existem PCs no McDonald’s e agora a Starbucks é parceira da Apple. E qual seria o próximo acontecimento? Irá o Google comprar o Burguer King?!

“Eu quero estar com você
Até nós sermos um só
Até meu corpo saber o seu de cor
Eu quero estar com você
Até jamais saciar
Até ninguém me querer
Até ninguém mais te olhar
Até a gente viver
Até poder sonhar

Eu quero estar com você
Até nem sermos mais sós
Até o amor não poder viver sem nós
Eu quero estar com você
Até teu rosto enrugar
Até envelhecer
Até não se acreditar
Até a gente morrer
Um sim cantar”
 

 Cláudio Nucci e Paulo César Pinheiro. EU QUERO ESTAR COM VOCÊ.

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* Revolta com o desrespeito. Revolta com casos como este.

 

* Eu sempre gostei mais dos casais mais velhos, nas novelas. Até hoje não achei explicação pra isso.

*Hoje me perguntaram como seria a pessoa ideal pra mim, aquela com quem eu gostaria de passar o resto da vida. “Resto da vida…”. Eu nunca tinha parado pra pensar nisso de verdade. Daí descobri que eu sonho mesmo, formar um casal lindo e feliz, meu marido e eu, velhinhos. Até não se acreditar. (…)

Numerais

Enquanto todo mundo
Espera a cura do mal
E a loucura finge
Que isso tudo é normal
Eu finjo ter paciência…

LENINE in Paciência

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Dois pães, por favor.

Trinta reais e sessenta e cinco centavos, senhora.

Já é a quinta vez que te falo isso, meu filho.

A bolsa cai sete por cento no fim dessa tarde, Fátima.

Trezentos e cinquenta mil japoneses.

Vinte e cinco milhões, quinhentos e setenta e dois mil e novecentos mortos.

Números.

Aproximadamente.

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Iguais, diferentes, judeus, cristãos, hindus, negros, brancos, leprosos, mulheres ou pessoas?

Aqui da janela de onde vejo, são números. Sem vida nem história.

E só.

Têm dias que esse preconceito me cansa. Têm dias que me cansa muito.

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No ônibus cada pessoa carrega o seu. Uns ouvem pagode, outros rock. Tem quem prefira funk, axé e até hip hop. Mas há os que optam por ouvir as notícias do dia, da hora, dos últimos 20 minutos. E assim o transporte coletivo segue o seu trajeto. Cada indivíduo vai com seu fone imerso num universo só seu.

Na padaria do bairro não dá para anotar. Você passa cartão, dá cheque, parcela até sumir de vista. Mas tirar a caderneta e solicitar que a moça do balcão anote seus pedidos, isso jamais. É como num supermercado – diria até hiper. E repito, pode parcelar no cartão, afinal, têm coisas que seu dinheiro não compra.

Nas ruas, outdoors. “Vire artista de televisão”. “Perca 27 quilos em um mês”. “Faça já seu empréstimo seguro”. “Ganhe um celular”. Quanta ilusão! Esses negócios servem mesmo é para poluir a cidade (por falar nisso, não tinha um projeto de lei que impedia essas propagandas gigantes em determinados pontos da metrópole?). Onde já se viu? Por acaso você acha que Fernanda Montenegro freqüentou cursinho de teatro e concorreu a uma vaga em Malhação? Já viu Preta Gil virar Gisele Bündchen da noite para o dia? Encontrou algum agiota que emprestasse dinheiro com segurança? Já viu cair do céu algum eletroeletrônico? Então, meu caro, não se iluda. O que seus olhos vêem nos muros da cidade é pura ilusãopoluição visual. Só.

As pessoas não se conhecem. Se numa cidade do interior, ao efetuar uma compra, você ganha um desconto por ser sobrinha neta emprestada da mãe do vendedor, aqui na capital você nem ao menos conhece as pessoas. Sim, e o vendedor não quer nem saber para que são suas compras, de onde você é. Simplesmente pega seu produto, passa no leitor óptico e recebe seu dinheiro. Simples assim.

Você custa a aprender os trajetos. Tudo é tão longe, tão cheio de voltas, tão do outro lado da cidade que você custa a se lembrar que já esteve no local. Também, provavelmente, pegou ônibus, metrô, táxi, carona e ainda deve ter dado uma caminhadinha até chegar ao seu destino. Aposto. Cidade grande é assim!

Aqui as pessoas não se importam com o seu bem-estar. O “bom dia” do trabalho, acompanhado do “tudo bem?” nada mais é que parte de um automatismo freqüente da rotina egoísta típica de cidade grande. Ok. Isso não significa que numa cidade do interior as pessoas estejam realmente interessadas em saber se está tudo bem com você e que, caso contrário seja, estarão ali, prontas para lhe ouvir desabafar. As atitudes são calculistas, as relações são de interesse e as máscaras caem com maior facilidade – acho que é porque aqui elas existem em maior abundância também.

E assim o indagações desta semana resolveu pensar… É, sobre como o ser humano se comporta diferente em locais diferentes ou épocas desiguais. Como por exemplo em uma cidade do interior e uma capital. Mas agora eu te pergunto, seria culpa da cidade grande que é grande? Seria culpa do tempo que leva tempo para nos mostrar como devemos levar a vida? Ou seria culpa do ser humano? (… é, aquele que se diz ser o ser racional dos irracionais).

É aquela vontade que dá quando você não quer que o momento passe, pois é. Vamos valorizar o slow motion. E hoje eu pego carona na tríplice da coluna da Carol “Três lados da moeda” e lanço três episódios em slow motion que me chamaram a atenção essa semana.

Aceitamos cartões.

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Saiu o Monopoly (versão americana do Banco Imobiliário) com Cartão de Débito Eletrônico! São as indústrias dos jogos de tabuleiro tentando acompanhar as cabecinhas em três dimensões da criançada. Que Nintendo Wii que nada, eu quero é um hotel na Morumbi e Interlagos à vista no cartão!

GIF ou GUIF?

Aquela arcaica forma de animar o seu website e que hoje sobrevive em alguns banners e sites pornôs agora tem um espaço próprio. É o GIFTUBE, você cadastra o seu .gif, coloca suas tags e pronto, o mundo todo vai poder utilizar o seu “videozinho”. E é bastante útil pra ficar rindo (eu recomendo a sessão de esportes) no trabalho, isso se a sua empresa bloqueou todo os sites “legais” para passar o tempo.

A nova propaganda da Kaiser.

Até que enfim arrumaram uma alternativa para tirar o baixinho do centro. Ninguém aguentava mais ver o bigodudo sendo disputado por loiras e morenas peitudas e ora ou outra aparecer em affairs virais com Karina Bach e dando selinho na Adriane Galisteu somando às capas CARAS, afinal, que marketing é esse que oferece cerveja para tias dondocudas. A nova campanha mostra a gelada, as loiras e os beicinhos com bigodinho de espuma tudo em slow motion, em quanto todo o resto do público continua em velocidade normal.
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“Ué, que é isso?”, pergunta um dos rapazes no bar. “Ah, é que no Bar da Kaiser é assim: a mulherada toda em câmera lenta. Vai dizer que não fica mais gostoso?”, responde o amigo. Em seguida, um dos rapazes serve calmamente sua Kaiser, simulando o efeito de câmera lenta e quando seus amigos estranham ele logo esclarece “Vai dizer que não fica mais gostoso?”, diverte-se ele.

Nem a Gisele Bündchen conseguiu tal proeza.

Sexta-feira agora (25) tem encontro dos 25 no Graças a Deus – Black music sem contra-indicações man!, isso se a dor de dente da Mallu passar e ela voltar a tempo, Carol descer de pára-quedas e o Lucas acreditar que a sua vó vai continuar vivinha pelo menos por mais uns vinte anos… Semana que vem coloco o link com as fotos do encontro e conto como foi. Grande abraço hermanos e hermanas.

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