Arquivo para fevereiro, 2008

Assisti Across the Universe e depois de passado o deleite das imagens surreais, com os arranjos ineditamente frescos dos Beatle-Hits, algo perdurou por mais tempo. Por que justamente um algo? Não sei. Mas é o que eu gostaria de saber. Porque algumas coisas ficam e outras passam? O que permanece das revoluções é o que as faz? (sinto cheiro de inconsciente coletivo no blog, juro que escrevi antes de ler os posts dessa semana!!!). 

Para continuar no terreno artístico, um outro musical sessentafílico mostra de forma diferente aquela época ainda não tão distante: Hair trabalha com os anônimos que, primeiro individualmente, e depois coletivamente, desconstruíram para tentar construir um novo no lugar. São os que viviam realmente aquilo que pregavam. Na forma do fazer. Solidamente. Mas é mesmo essa massa de pessoas que não deixou nomes para serem lembrados. (Além é claro de ídolos estandartizados, como Martin Luther King nos EUA). 

Em Across, temos um dos personagens principais como um artista, e a garota, seu par romântico, como ativista. O conflito entre os dois se dá quando é questionada a autenticidade revolucional das atividades de ambos. Enquanto o garoto se “aliena” em desenhos, a menina parte para a frente de ataque, ao lado de outros militantes que combatem a polícia com bombas. Porém, no final, é a bandeira com a arte do garoto que fica em evidência, enquanto a menina se confunde entre a contradição de seus ideais e as práticas para alcançá-los.  

Parece ser o filme revelador dessa tendência humana: o que fica é o invisível, os arredores e detalhes inconscientes das grandes mudanças estruturais e alarmantes. A estética sempre ganha. Ou pelo menos, chega antes, sorrateira. Exemplo: minissaias antes da revolução sexual. Ou a preocupação de Hitler com um símbolo, a suástica, para representar suas idéias. 

O fato é que não há explicações para isso. Só inquestionável é o apelo da arte na efetivação de mudanças concretas na sociedade. E, no entanto, muitas vezes ela é tratada como algo superficial. O filme Saneamento Básico traz esse velho dilema: Na prioridade das escassas verbas públicas, deve vir antes o esgoto ou o cinema? 

Assim, se de um lado as mudanças vivem acontecendo no dia-a-dia, e do outro, as antenas da arte tentam captar sua significação mais primordialmente humana, eu fico no meio, apreciando experimentações estéticas que solidificarão, ou não, um novo modo de pensar o mundo. Bem, em todo o caso, já foram suficientes para me modificar! 

Post Scrptirurururum: Esse post já está enorme. Mas eu tenho que escrever. É que fiquei cismada com uma coisa. Tipo que esse filme Across the Universe foi lançado ano passado. Ta certo que esse ano fazem 40 anos da Revolução de 1968, mas os EUA estão vivendo uma guerra agora. Que já chegou até nos clipes da Avril Lavigne!!! Por que os protesto de agora parecem tão secos? Tudo parece estar tão desacreditado. Às vezes até penso se não estão escondendo da gente uma nova era de aquário. Sei lá. Maybe it´s just a sixtyfilic!

Na ceninha de Belorizonte já é mais que obrigatório que todo lugar tenha uma festinha new rave por semana. Nada contra: Klaxons, Justice, Simian Mobile Disco, New Rave Kids On The Block e CSS fazem parte dos sets e eu gosto do som deles. O problema é que ainda não está bem certo se é um estilo, uma tendência, apenas um simples apelido ou – a opção que tenho como verdadeira – tudo isso junto.

O termo surgiu aleatoriamente e se tornou hype. A parte legal é que elementos de várias gerações se misturam: roupas coloridas e bastões de néon num clima de festa e bagunça decadente ao som de batidas que embalam o público que dança sem parar às músicas que misturam rock clássico com as novas vertentes do eletrônico.

Acho que tudo começou, na verdade, com o primeiro álbum do LCD Soundsystem, pois eles começaram a misturar rock e e-music de uma maneira eficaz e diferente. De lá pra cá veio o The Rapture (com seu sugestivo nome pra esse contexto) e aí os ingleses do Klaxons. Então, agora, basta uma cor mais forte ou um sintetizador mais forte pra falarem que The Strokes, Clap Your Hands Say Yeah e Arctic Monkeys são new rave! Acho que essa rotulação atirando-pra-todos-os-lados pode fazer do new rave mais um simples termo diante de tantos outros que surgem e desaparecem no mundo da música… E, por outro lado, se ninguém sabe de onde veio qual seria o problema de acabar, right?

Enfim. Pra pressionar o termo a não sumir tem gente que aceita como verbete, outros como gênero musical, outros como moda mesmo. O mais bizarro do movimento new rave é a sua existência inexistente (uau, essa foi a frase mais paradoxal da minha vida). Pois não é um movimento, mas ninguém sabe direito o que é. “É tão subjetivo que é quase uma sensação, um sentimento” alguém me disse outro dia. Puxa, rapaz, talvez meu pai seja new rave e nem saiba.

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Que atire a primeira pedra quem nunca teve um sonho erótico. Pois é, não há como se defender deles. Algumas pesquisas por aí dizem que há mais ou menos meio século, os homens sonhavam muito mais com sexo do que as mulheres. Mas as coisas mudaram. O tempo mudou. Hoje elas se sentem mais livres e sonham sim, tanto quanto os homens (pesquisas, gente!).

Muitas vezes os sonhos são simples. Apenas aquele homem por quem você daria a vida, a alma e sobretudo o corpo se ele pedisse. Só que, como ele nunca pediu, o remédio é sonhar e pronto. Pior que é logo aquele homem nada a ver com você, aquele que você jamais permitiria que encostasse em você e, menos ainda, que te olhasse com desejo. O estranho é que só de lembrar dá um frio na espinha. Ah, se ele soubesse…

E às vezes tem aquela pessoa que te quer desesperadamente e você nem sabe. Ou que você quer e não tem coragem de falar. Se estiver pretendendo dizer, não deixe pra daqui a 20 anos. Convenhamos que 20 anos depois, não se resolve nada. Mas, quer saber? Talvez seja melhor não dizer mesmo. Vai que perde a graça.

Voltando ao sonho: a qualquer hora você vai cruzar com esse homem, conversar ao telefone, encontrar por aí. E aí, como é que fica? “Oi, tudo bem?” E aquele desejo violento que ninguém no mundo jamais vai saber? Ele nunca vai imaginar, provavelmente. Mas quem sabe você toma coragem e conta? Não em 20 dias, muito menos em 20 anos. Que tal daqui a 20 minutos? Não, ele não vai saber nunca. Mas deveria ser considerado crime sonhar e não contar.

Minha ciranda não é minha só
Ela é de todos nós
A melodia principal quem
Guia é a primeira voz

Pra se dançar ciranda
Juntamos mão com mão
Formando uma roda
Cantando uma canção

~ ITAMARACÁ, Lia de in Minha Ciranda.

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Gente, vou confessar… Desde o início do 25 tive uma dificuldade enorme em achar notícias cotidianas pra intertextualizar com alguma coisa por aqui. Porém, ultimamente, acho que tenho me libertado dessas amarras, fingindo que sou uma colunista bielocult (quem dera) e, finalmente, vou postar sobre algo que sempre quis: ciranda.

 

Mas não é ciranda-cirandinha-vamos-todos-cirandar (aliás, talvez seja também), e sim um tipo musical (será essa a terminologia mais adequada?) que não costuma descer muito o Brasil. Tendo caixa, bombo e ganzá como instrumentos mais usuais, conta ainda com pandeiro, sanfona, cuíca, uma flauta de leve e o que mais aparecer por perto. Mais comum e originada na Zona da Mata pernambucana, destacam-se nomes memoráveis como Lia de Itamaracá e outros que estão surgindo por aí (representando tão bem a versatilidade, a miscelânia inerente e a mutabilidade que só a boa música sabe experimentar sem perder a linha), tipo Comadre Fulozinha Issar e tantos outros anônimos, que se juntam na beira do mar, no quintal e no terreiro, começam aquela boa brincadeira e… touché! A roda cresce, crianças e adultos girando sempre pro mesmo lado, coreografando.

Cirandas, Maracatus, Cocos e afins, indiossincraticamente ligados… Mineiríssima que sou, reconheço que conheço (sic?)muito menos do que gostaria. Ritmos que, inicialmente podem parecer estranhos aos ouvidos, podem se tornar pra nós, estranha e inevitavelmente BRASILEIROS.  

Confiram: http://www.youtube.com/watch?v=L3TF_Vc2hnU 

                  http://br.youtube.com/watch?v=aZWX_ph-7Aw

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Perguntas que todos querem fazer, mas ninguém quer responder: 

* Por que temos o péssimo hábito de ver o lado negativo dos acontecimentos, se sabemos que por detrás de uma lágrima há sempre uma vitória a surgir? 

* Por que não sorrimos para estranhos se sabemos que o nosso ato pode mudar o dia deles, da mesma forma que os mesmos poderiam fazer o mesmo por nós? 

* Por que puxamos o tapete do próximo (na faculdade, no trabalho e na vida pessoal) com a doce ingenuidade de que a maldade não nos retornará? 

* Por que super valorizamos quem está ao nosso lado e subestimamos os que distam de nós com a subjetiva idéia de que conosco só estão as pessoas boas? 

* Porque nos esquecemos que Ele tudo vê e por isso agimos às escuras de forma a enganar o próximo se enganamos a nós mesmos? 

* Por que não é fácil admitir um erro, pedir perdão e seguir amando? 

* Por que não é fácil aceitar um erro, perdoar e seguir amando? 

* Por que temos a infeliz idéia de dizer que tudo anda bem, quando nossas atitudes, nosso olhar e nossa áurea demonstram que a qualquer momento a bomba vai explodir? 

* Por que contamos até 10 para não apelar com o chefe e na primeira oportunidade mandamos quem menos precisa, ir à merda? 

* Por que quando gostamos de alguém acabamos por deixar que um sentimento de posse faça parte da relação? 

*Por que nossos olhos marejam-se de lágrimas a cada vez que um desafeto, pelo qual ainda nutrimos um sentimento bom se faz presente no mesmo recinto? 

* Por que sentimos vontade de crescer, literalmente, e nos tornarmos independentes a cada bronca do pai ou da mãe e quando nos vemos “livres”, o que mais queremos é voltar atrás? 

* Por que cobiçamos justo o que ao outro pertence e com a maior cara-de-pau? 

* Por que nos julgamos infelizes diante de tanta felicidade debaixo de nossos narizes? 

* Por que recorremos a escrita quando percebemos que a comunicação oral não soa mais como antes? 

* Por que contar até três, se sabemos que a partir do dois pararemos em todas as casas decimais? 

* Por que fingimos de cegos se, muitas vezes, precisamos enxergar? 

* Por que querer somente para nós o que podemos compartilhar? 

{…} Por que sempre deixamos com que o medo e o receio do que iremos encontrar diante nossas buscas e análises falem mais alto? Porquê?

rawpepsidm1002_228x379.jpgAcaba de ser lançada na Inglaterra uma versão da Pepsi para naturalistas, a Pepsi Raw. Não aqueles que correm pelados pelas praias de nudismo ou dormem em cima de caixas de ovos, mas a geração saúde, a que prefere uma granolinha a um Cheetos mesmo sabendo que essa mesma geração em quase sua totalidade são os filhos da geração da Era de Aquarius – movimentos em prol da liberdade política, sexual e receituária de drogas na década de 70. Costuma dizer que é assim: as gerações conseguintes sempre se apresentam em extremidades opostas de comportamento. Pois se na década de 20 nossos bisavós eram heart-of-rocks, a próxima geração veio amolecida pela guerra, que acabou chocando um galho revolucionário dentre seus descendentes. Revolução está associada ao tabaco e a banha de porco. Coisas não saudáveis, claro!
Hoje em dia, em meio às transmutações de genes, conservantes microbióticos e corantes fosforescentes, nasce a parcela da população preocupada com os riscos a longo prazo desse ku-klux-kan alimentício.
Algumas dicas para quem quer começar a se cuidar sem ter que consultar metade dos hippies e vegans de sua cidade:
– Comece abandonando aquela empadinha que você aprendeu a fazer no programa da Palmirinha Onofre.
– Não acredite que só porque a carne do Mc Donalds é 100% carne bovina e Zero Trans que é a mesma coisa que você comer um Double Mc Salad (que por sinal é feito de polietileno, ninguém nunca percebeu?)
– Aquele suco de soja que você se habitou a tomar todo santo dia com aquele outro leite fermentado com lactobacilos vivos (como aqui não é o Faustão, é do Yakult que me refiro) são muito docinhos para serem saudáveis.
– Uma coisa eu aprendi vendo TV e ouvindo música: coma brócolis, use filtro solar, dance a dança da mariazinha e viva na estabilidade.
E como disse uma japonesa pra mim um dia desses, tudo é uma questão de manter: a mente quieta, a espinha ereta e o coração tranqüilo.

Para saber mais
Teste cego Pepsi Raw/Pepsi comum
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Não sei se vocês conhecem, mas hoje eu queria simplesmente dar uma dica de site.

O blog PostSecret publica todo domingo cartões postais anônimos em que as pessoas escrevem segredos seus. Eu até já enviei alguns – que não foram publicados ainda – mas é impossível não se identificar com alguns segredos de outras pessoas. Alguns são muito sérios e outros até cômicos. Acho que vale à pena.
O PostSecret já virou um fenômeno: existem três exposições intinerantes nos Estados Unidos, salvo engano. Livros, vídeos e um clipe do All American Rejects também explorou a temática. Espero que achem o site tão tocante como eu acho.