Archive for the ‘Contêm glúten’ Category

Quem tem irmãos ou convive com gente pequena deve saber: crianças são capazes de inventar as brincadeiras mais nonsenses da paróquia. E o legal é que, apesar do amplo repertório comum – com jogos do tipo esconde-esconde, taco, chá de bonecas e afins – toda criança teve suas brincadeiras particulares. Como as minhas com Isabela.

Como muitos sabem, Isabela nasceu quando eu tinha seis anos e era a estrela da casa. Foi duro ter de dividir o posto com um bebê que parecia um queijo branco. No conviver, a pessoa absorve um pouco de você e a identificação foi aparecendo e fomos ficando o mais amigos que podemos ser com essa diferença de idade.

Tínhamos, por exemplo, mania de inventar música pra todas as coisas. Quando nossa mãe fazia um pudim, tinha uma musiquinha. Quando pegávamos elevador, tinha outra. Era muito engraçado.

Nosso quintal tinha uma cratera quadrada gigante que meu pai gostava de chamar de “buraco onde vamos construir uma piscina”. Um dia, munido de cubinhos de chiclete, fazia bolas com eles e cuspia dentro desse buraco. Um a um, logo havia uma pequena plantação de bolas vazias e vermelhas dentro da piscina. Chamei Isabela e disse: “Tá vendo aquilo? São ovos de aliens”.

Hoje nosso catálogo de piadas internas é tão vasto que, num almoço em família, peguei meu avô dizendo pra minha mãe: “Eu não entendo nada que eles conversam”. Claro que não. Uma conversa nossa, em dias de bom-humor, envolvem falas de filmes, séries, rimas, trocadilhos e musiquinhas.

Explicação? Até hoje não achei. Mas são memórias inexplicáveis que ainda me fazem sorrir.

PS: Decepção total desse encontro ter furado, ein 25ers!

Ontem enquanto beijavam meu pescoço, eu tive uma idéia para um texto genial. Não dava pra parar o que eu estava fazendo pra anotá-la , mas entrei em pânico pois sabia que ia acabar esquecendo. Fiz força pra manter aquilo na mente. Repeti em silêncio. Mas a vodca com suco e as cervejas me fizeram esquecer mesmo. Falta-me dom na genética – entendam como quiserem.

O lado ruim dos one-night-stands é esse. Quando passa, eu fico mais confuso que antes. E depois penso “que idiotice. Meu maior problema hoje foi inventar assunto com o taxista. Pessoas no mundo não têm o que comer, não têm nada do que eu tenho; eu sou muito privilegiado. Cala a boca, Gabriel!”. E por aí vai.

Chego em casa e vejo velhinhos fazendo cooper no caminho. Isso é deprimente.

Aí hoje acordei relativamente cedo com uma grande idéia. Dois minutos depois, percebi que não era tão boa. Mas, durante sessenta segundos, fui tomado por um otimismo contagiante e por aquela sensação de euforia presente nos momentos especiais da vida. Aquelas que me provocam a ilusão de que estou vivendo cenas de um filme, e me fazem pensar que dali para frente nada mais será como antes. Mas depois passou.

E isso me fez pensar na vida e na efemeridade dela. Eu já falei sobre isso aqui? Se a história do mundo fosse comparada com o espaço de um ano, a humanidade ocuparia os últimos 5 minutos do dia 31 de dezembro. Nós somos nada.

Ops. Acho que deprimi. Licença, vou comprar um livro de Chuck Palahniuk

Se você fosse uma criança e te dessem um quebra-cabeça montado, você não chacoalharia a caixa pra poder monta-lo depois? E se, no esconde-esconde, você contasse até 10 e, quando se virasse, seus amigos estivessem parados na sua frente? O objetivo do jogo é achá-los, você ganhou. Mas não foi divertido…

“Você me pergunta se dor é o único caminho para a felicidade”, diz Dido em uma canção. Mas é. Vamos fazer um teste: aposto que você tem uma lista de desejos com coisas que quer comprar e fazer. Mas você risca aquilo que realizou? Por exemplo, nesse segundo em que lê esse texto você está com dor de dente? Supondo que não, poderíamos dizer que seu desejo é de não ter dor de dente? Tsc tsc. Pois desejos realizados não são mais pensados.

É assim que eu tento ver o mundo. Agradecer por tudo que tenho e não tenho. A diversão do esconde-esconde, mais do que achar seus amigos, é procura-los. A do quebra-cabeça, mais do que ver a figura completa, é montá-la. Problema existe para ser superado. São sérios, grandes, punks, mas estão ali por esse motivo. Claro que não basta sentar e esperar que tudo se resolva num passe de mágica mas, respondendo à Dido, você só consegue experimentar a felicidade se tiver tido um pouco de problemas antes. Você só acha se procurar, só completa se montar.

Todo mundo tá muito apertado e preocupado. Problemas com chefes, empregos, salários, saúde. Mas depois de passar a semana toda lidando com deadlines e trabalhos de pesquisa, a última coisa que quero – me desculpem – é ouvir o problema dos outros. Mentira, eu quero ouvir. Mas gostaria que só compartilhassem comigo se estiverem afim de conselhos. Se a pessoa quiser apenas ouvidos, alguém para ter dó dela, pra fazer drama, me dá preguiça. Eu fico querendo sacudi-la e falar “você mesma está criando problemas pra você”. As pessoas são escravas do sofrimento, sabe? Acham que vão ser mais bem colocadas ou reconhecidas pois estão passando por conflitos.

A grama do vizinho só é mais verde se você não tiver cuidado do seu gramado.

PS: Ontem eu fui no show da Fernanda Takai e escrevi sobre ele no meu blog. Quem quiser ler e comentar, fique a vontade. Boa semana a todos.

Depois de boas semanas de pegação e conversas bobas, as coisas começam a fica mais sérias. As conversas mais profundas, as saídas mais freqüentes e chega a hora de conhecer onde a outra pessoa mora.

E você entra sem pedir licença mas acanhado. Tenta olhar tudo sem parecer estar olhando e vocês seguem pro quarto. Rola um papo casual enquanto guardam as compras, bolsas, casacos ou mochilas e você olha. Ali está! A prateleira de livros.

Você não necessariamente torce pra encontrar nenhum em especial. Você passa os olhos tentando identifica-los pela lateral de escritos verticais. Vendo se há alguma ordem ali, se estão organizados por título, autor, sobrenome do autor ou aleatoriamente. E então acontece; você vê seu livro favorito na prateleira. Meio minuto depois vocês já estão fazendo sexo.

Livros favoritos são complicados. Pense nos seus. Faça uma boa lista e depois vá até sua prateleira. Quantos deles você tem em casa? Quantos livros mudaram sua vida e pertencem a bibliotecas ou amigos? Esse é o motivo da excitação. O outro achou esse livro tão bom que ele o tem em casa. Ele! O livro! Em casa!

Não é nada superficial. Encontrar Zibia Gaspareto na estante de alguém não é broxante. Mas achar um Mark Twain ou Gustave Flaubert é pra lá de excitante – se a pessoa já tem outros pré-requisitos, claro. Isso se chama “tesão cultural” e “penetração intelectual”.

Você já viu “Juno”? Se não, desliga esse computador agora e vá ao cinema. Tá, Ellen Page foi indicada ao Oscar de melhor atriz. É, Diablo Cody ganhou o Oscar de roteiro original. Mas esqueça isso, pois não existe competição quando o assunto é arte, certo?

Juno é o nome de uma adolescente que engravida de sua paixonite Paulie e, com a ajuda de sua melhor amiga e o apoio de seus pais, resolve seguir com a gravidez e dar o bebê para adoção. Assim, ela conhece Vanessa e Mark, dispostos a adotar seu filho.

Pra começar a explicar porque gostei do filme: releia a sinopse. Juno não é burra, não quer se matar e não quer ser popular no colégio. Isso é revolucionário para um filme americano sobre uma adolescente. Segundo que a trilha sonora é ótima: tem Velvet Underground, Sonic Youth, Belle and Sebastian, Buddy Holly, Moldy Peaches e The Kinks. Terceiro que o filme mistura muito bem a seriedade da situação com algumas piadas ótimas – e eu nem ouso exemplificar pra não perder a graça.

“Juno” é sobre lidar com coisas que estão além do seu grau de maturidade. “Juno” é sobre esperança na humanidade. “Juno” é sobre o lado bom das coisas ruins. “Juno” é sobre os vários tipos de amor que existem.

PS: Leve Tic-Tacs de laranja pro cinema. Sério.

Canções como “Wake Up Alone” da Amy Winehouse e “No Pressure Over Cappuccino” da Alanis Morissette têm o poder de me deixar pra baixo, meio melancólico ou – como minha mãe insiste em rotular – deprimidinho. Mas, para minha sorte, a modinha do verão é ouvir feel-good songs! Pense nas baladinhas dos Cardigans e dos White Stripes. “Keep Fishing”, do Weezer, também.

Sim, as feel-good songs voltaram com tudo – odeio essa expressão. Geralmente são musiquinhas folk com violões simples e pianos, que trazem um ar retro. Mocinhas bonitinhas cantam lindamente letras também bonitinhas sobre coisinhas do dia-a-dia. Relacionamentos, rotina, amores, animais de estimação. Elas não cantam nem tocam mal e as músicas são feitas pra gente ouvir e ficar alegre. Algumas ainda nos dão a chance de soltar uns palavrões e dar uns gritos.

E eu estou adorando. Essa onde está me fazendo bem, eu acho. Gosto de letras doces e de arranjos simples – e as duas coisas estão vindo agora juntas. Começou com Feist. Desde a propaganda daquele perfume da Lacoste a música não saía da minha mente. Depois veio Regina Spektor, minha a favorita do estilo. As letras são ótimas, ela canta sobre amores, família, cultura, história, drogas e religião. Tem pianinho, guitarrinhas, beat box e batuques em cadeiras. Ela é bonita e tem senso de humor.

Também entram na lista Fiona Apple (pouca coisa, na verdade) e Kate Nash (foto) – que descobri recentemente e ando viciado. No Brasil, acho que o CD solo da Fernanda Takai – que eu recomendo – serve muito bem de exemplo. Bem mais da metade dele tem o frescor dessas músicas pra ser feliz. E, aliás, tem show dela no final do mês.

Esse ar infantil das canções é tão legal! Refletem meu estado atual, sabe 🙂

Na ceninha de Belorizonte já é mais que obrigatório que todo lugar tenha uma festinha new rave por semana. Nada contra: Klaxons, Justice, Simian Mobile Disco, New Rave Kids On The Block e CSS fazem parte dos sets e eu gosto do som deles. O problema é que ainda não está bem certo se é um estilo, uma tendência, apenas um simples apelido ou – a opção que tenho como verdadeira – tudo isso junto.

O termo surgiu aleatoriamente e se tornou hype. A parte legal é que elementos de várias gerações se misturam: roupas coloridas e bastões de néon num clima de festa e bagunça decadente ao som de batidas que embalam o público que dança sem parar às músicas que misturam rock clássico com as novas vertentes do eletrônico.

Acho que tudo começou, na verdade, com o primeiro álbum do LCD Soundsystem, pois eles começaram a misturar rock e e-music de uma maneira eficaz e diferente. De lá pra cá veio o The Rapture (com seu sugestivo nome pra esse contexto) e aí os ingleses do Klaxons. Então, agora, basta uma cor mais forte ou um sintetizador mais forte pra falarem que The Strokes, Clap Your Hands Say Yeah e Arctic Monkeys são new rave! Acho que essa rotulação atirando-pra-todos-os-lados pode fazer do new rave mais um simples termo diante de tantos outros que surgem e desaparecem no mundo da música… E, por outro lado, se ninguém sabe de onde veio qual seria o problema de acabar, right?

Enfim. Pra pressionar o termo a não sumir tem gente que aceita como verbete, outros como gênero musical, outros como moda mesmo. O mais bizarro do movimento new rave é a sua existência inexistente (uau, essa foi a frase mais paradoxal da minha vida). Pois não é um movimento, mas ninguém sabe direito o que é. “É tão subjetivo que é quase uma sensação, um sentimento” alguém me disse outro dia. Puxa, rapaz, talvez meu pai seja new rave e nem saiba.