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Não, não esqueci.

É o tempo. Aquele mesmo tempo que me faz pensar em ti.

Venho aqui, tendo esboçar algumas letras. Nada sai. Retrai. Por quê? Não sei.

Um outro ser suga a energia, a criatividade e a imaginação. É o ser do fim. O ser do novo. O ser que amedontra e que, ao mesmo tempo, entusiasma. Ela. Sim, no feminino. A formação.

O coração segue cheinho, lotado, explodindo de tanto amor para dar. E também de saudade… é, ela não passou. Segue comigo, contigo, conosco. Toma conta de nossos seres e intimida nossos prazeres. Por quê? Não sei.

A cabeça dói às vezes, esquenta com os problemas, incha com as informações, complica com tanta mudança. Mas sei que isto faz bem. Faz bem pra ti, pra mim, pra nós.

Ausência não é sinônimo de esquecimento. Esteja certo. Certo?

A cabeça parou. A imaginação cessou, o roteirista tirou férias. Será? Que nada! Ele anda é trabalhando demais. De mais a mais.

Mas vale lembrar que ela não me abandonou. Nem ele, claro. Não podem. Afinal, se o ser do fim, o ser do novo se aproxima nada melhor que contar com imaginação e roteirista para trabalharem juntos na empreitada que se iniciará. Um dia? Talvez. Sempre? Com certeza. E está mais próximo do se possa imaginar. São meses, são dias, menos de ano. E o fim, enfim. O começo que mereço. Eu sei. Sem pretensão, porque não? Ah porque assim deve ser o fim. Acredite em mim!

Mas quando percebo, o enredo… é aquele mesmo que você sente falta ao criar suas pautas some da mente de repente e tudo volta ao normal. Mal? Não, é natural. É preciso descansar, irmão. E se preciso for, ele se ausenta da mente de forma que a gente se sinta obrigado a deixar de trabalhar. Só assim pensamos em descansar, dançar, festejar, namorar, cantar… Depois do ócio sim, pode-se voltar a trabalhar. Prepare-se mente, pois seu momento se aproxima e roteirista, imaginação, trabalho e disposição deverão andar juntos rumo a construção de uma belíssima profissão.

Mas para isso talvez, seja preciso a ausência. Paciência!

 

E a indagação de hoje pergunta por que depositamos a culpa do que fazemos ou a esperança do que queremos no tempo. Sabemos que se trata de ilusão, sabemos que o tempo não traz amores de volta, que o tempo não devolve o tempo que não levou e que o tempo não cura nenhum mal. Sabemos. Então por quê?

 

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E já que estou com muito tempo, o novo modelo de postagem e a internet super rápida do meu trabalho não colaboraram com esta publicação. Por isso vai sem foto, sem link… quem sabe o tempo não me arrume um tempo a fim de retocar?

Ele é como é

Já reparou como o ser humano é? Fala que faz sem fazer bosta nenhuma. Diz que emagreceu sem nem ter se esforçado para tal. Enche a boca para dizer que a namorada fez isso, isso e isso sem querer saber se o próximo está mal por nem namorada ter. Grita aos quatro cantos que é malandro, marrento e inovador, mas quando analisado bem a fundo não passa de um jovenzinho careta alá anos 30. Enfim.

Certo dia estava eu a pensar o que leva um indivíduo a cometer tais ataques à personalidade sua de cada dia, sendo que retorno positivo mesmo não vai haver. Retorno por si só é possível, claro. Tem bobo pra tudo, né? Então porque não haveria alguém apto a acreditar em tais lorotas? Acreditam e exaltam… quanta ingenuidade!

Temos como exemplo a Marieta Felícia que outro dia estava lá dentro do ônibus falando em alto e bom som o quanto seu marido a faz feliz. Que ela casou-se virgem, que guardou todo o amor que tinha – literalmente – para dar, para o amado futuro e atual esposo e que ensinara o mesmo às filhas. E falava isso tudo a uma pobre adolescente que não tinha nada a ver com suas lorotas amorosas, queria mais era ler sobre as técnicas de aplicação de injeção que vinha estudando no curso de farmácia. O pior é de tudo é que era tudo mentira. Marieta não era a mais feliz das donas-de-casa. Marieta tinha um marido carrasco que mal sabia o que era amar. E o que ele fizera com ela (quando a pobre se entregou) mal passara de um simples ato sexual.

Outra história para inglês ver partiu de Francisco Ermiliano. Francisco é um menino pobre, do interior, que adora tirar onda de intelectual. Francisco é inteligente, tudo bem. Entende tudo sobre literatura e se dá muito bem com quem fala a mesma língua que ele. Mas há um problema, Francisco gosta de se fazer de sabichão. Acha que manja de tudo, que é malandro e ainda por cima popular. Quanta pretensão! Francisco não é nada disso. A verdade? Vou falar. Francisco é frustrado. Ninguém lhe dá muita atenção, a começar por seus pais que ficaram lá no interior… os amigos só querem saber dele para os momentos que convêm – e quando chega o final de semana, só lhe resta o computador. Francisco é meio nerd. Deve ser por isso que ele escolheu fazer Ciência da Computação. Francisco não tem namorada, não tem animal de estimação. Francisco é mal amado, diria até invejoso. É, ele se incomoda com a felicidade alheia. Mas adora contar vantagem por aí de que o que vale mesmo é estudar (não estudar de estudar, mas de ter conhecimento sobre coisas diferentes. Sobre literatura). Francisco não é normal. Não pode ser!

Não nos cabe julgar quem é feliz, quem está certo ou errado. Não nos cabe alertá-los de que a vida não é este conto de fadas que eles tentam mostrar a quem lhes rodeia. Não nos cabe acabar com a fantasia de pessoas como Marieta e Francisco. Não. Sabe por quê? Porque mesmo estando imersos num mundo inexistente, vai ver é isso que segura a onda e os mantêm firmes. Não justifica, eu sei. A gente precisa ter o pé no chão e a consciência de que nossas vontades nem sempre estão passíveis de ocorrer. Mas ainda assim a indagação que fica é: por que o ser humano tem mania de criar um mundo que não existe, e achar que todos devem acreditar que mundo melhor que o seu não há?

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Você é o que você come. Você é o que você veste. Você é o que você fala. Você é o que você sente. Você é o que você ouve. Você é o que você… Será?

Sempre tive muito apreço pelo nosso tão amado e ao mesmo tempo odiado português. Desde muito pequena me destacava nas produções textuais e na facilidade para com as questões gramaticais e de interpretações de texto que a tia dava na escola. Ao contrário da maldita matemática que além de ter me dado a primeira nota vermelha no colegial, me barrou na 1ª etapa do vestibular e me desclassificou de concursos militares. Enfim.

Muito falante, romântica, poetisa (quanta pretensão!) e amante de boas leituras, ainda quando pequena já procurava falar corretamente e tinha o péssimo hábito de corrigir os coleguinhas. Fui crescendo, aprendendo e absorvendo ainda mais os conhecimentos que a nossa língua portuguesa de cada dia tinha a me oferecer. As próclises, ênclises e mesóclises são itens essenciais desta minha adoração. São fatores que nem todo mundo conhece e quase todo mundo detesta.

Logo no primeiro período da faculdade nos foi recomendado ler o livro “Preconceito Lingüístico” de Marcos Bagno. O livro é um escândalo. (Ok, sei que não estou aqui para fazer propaganda do produto alheio – mas neste caso o produto é muito bom e o produtor ainda mais. Por isso, seguirei fazendo sua propaganda off off. E tenho dito!). Continuando. O livro fala sobre os preconceitos criados ao longo do tempo acerca da nossa tão amada e odiada língua portuguesa. Fala de vícios de linguagem, da tal “dificuldade” maioral do português, do (des)uso de preposições, etc.

Nunca mais nem ouvi falar do autor. Me desliguei. Quando foi esta semana, eis que quando bato os olhos na Caros Amigos dou de cara com quem na capa? Quem? Quem? Quem? Ele. O próprio. Estiloso, com cara de intelectual e inteligente. Ali numa fotografia recheada com jogos de luz e chamadas super coloridas ao seu redor. E mesmo que a minha curiosidade para ler a entrevista fosse enormemente gigantesca segui meu ritual: fui lendo página por página, trecho por trecho até que chegasse na tão esperada página de n°30. E eis que cheguei.

Muito boa a entrevista. Descontraída, construtiva e repleta de olhos com dicas acerca do nosso português. Marcos Bagno é lingüista moderno, inteligente e cheinho de opiniões que tem tudo a ver com o que a gente vive e viveu por causa do português. Ele é polêmico também. Critica os veículos que buscam fontes como o Pasquale e a Dad Squarisi, que segundo ele não possuem formação e diz que o vestibular é uma catástrofe.

[…]

Essa foi a dica da semana. Você que ainda não conhece, procure saber quem é Marcos Bagno e o que ele tem a dizer sobre o português. Ele dá dicas sobre coisas que a gente aprendeu lá atrás… coisas como “oração subordinada substantiva objetiva direta reduzida do particípio”. Sem contar que, segundo outros estudiosos, Você é o que você come. Você é o que você veste. Você é o que você sente. Você é o que você ouve. Você é o que você lê. Você é o que você fala. Você é o que você… E aí, como anda o seu português?

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Perguntas que todos querem fazer, mas ninguém quer responder: 

* Por que temos o péssimo hábito de ver o lado negativo dos acontecimentos, se sabemos que por detrás de uma lágrima há sempre uma vitória a surgir? 

* Por que não sorrimos para estranhos se sabemos que o nosso ato pode mudar o dia deles, da mesma forma que os mesmos poderiam fazer o mesmo por nós? 

* Por que puxamos o tapete do próximo (na faculdade, no trabalho e na vida pessoal) com a doce ingenuidade de que a maldade não nos retornará? 

* Por que super valorizamos quem está ao nosso lado e subestimamos os que distam de nós com a subjetiva idéia de que conosco só estão as pessoas boas? 

* Porque nos esquecemos que Ele tudo vê e por isso agimos às escuras de forma a enganar o próximo se enganamos a nós mesmos? 

* Por que não é fácil admitir um erro, pedir perdão e seguir amando? 

* Por que não é fácil aceitar um erro, perdoar e seguir amando? 

* Por que temos a infeliz idéia de dizer que tudo anda bem, quando nossas atitudes, nosso olhar e nossa áurea demonstram que a qualquer momento a bomba vai explodir? 

* Por que contamos até 10 para não apelar com o chefe e na primeira oportunidade mandamos quem menos precisa, ir à merda? 

* Por que quando gostamos de alguém acabamos por deixar que um sentimento de posse faça parte da relação? 

*Por que nossos olhos marejam-se de lágrimas a cada vez que um desafeto, pelo qual ainda nutrimos um sentimento bom se faz presente no mesmo recinto? 

* Por que sentimos vontade de crescer, literalmente, e nos tornarmos independentes a cada bronca do pai ou da mãe e quando nos vemos “livres”, o que mais queremos é voltar atrás? 

* Por que cobiçamos justo o que ao outro pertence e com a maior cara-de-pau? 

* Por que nos julgamos infelizes diante de tanta felicidade debaixo de nossos narizes? 

* Por que recorremos a escrita quando percebemos que a comunicação oral não soa mais como antes? 

* Por que contar até três, se sabemos que a partir do dois pararemos em todas as casas decimais? 

* Por que fingimos de cegos se, muitas vezes, precisamos enxergar? 

* Por que querer somente para nós o que podemos compartilhar? 

{…} Por que sempre deixamos com que o medo e o receio do que iremos encontrar diante nossas buscas e análises falem mais alto? Porquê?

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Incrível como não nos apaixonamos mais como antigamente. Olhares, carinhos, elogios, beijos, sentimentos e abraços não são mais os mesmo. Fácil demais dizer te amo, difícil amar verdadeiramente. Fácil demais dizer te amo, difícil ser fiel a todo momento. Fácil demais dizer te amo, difícil perdoar falhas. Fácil demais dizer te amo, difícil não ter nenhum interesse. Fácil e, ao mesmo tempo, difícil.

No próximo ano meus avós maternos completam 60 anos de casamento. 60 anos! Hoje meu avô com 85 anos de idade e minha avó com 76 relembram lucidamente, todo o processo de início de namoro, até as vésperas da comemoração das Bodas de Diamantes. Contam histórias, se emocionam, riem e concluem: “nosso amor foi para a vida toda”.

Incrível. Muitos dizem por aí que naquela época não se tinha prazer. Você começava a namorar e já era obrigado a casar. O casal não se conhecia. Pode até ser, mas diante disso, o sentimento parecia ser mais puro, mais incondicional, mais verdadeiro.

Beijos eram trocados sim, mas sem a literal impressão do desconhecido; os olhares não eram banais e nem se deixavam banalizar; os abraços não permitiam que se fosse apunhalado pelas costas; os elogios não eram dotados de falsidade; e os sentimentos, condicionados. Ah que vontade de ter vivido naquela época!

Casais já não se suportam logo na lua-de-mel. Pessoas banalizam todo e qualquer sentimento. Amigos não se comportam como amigos. Abraços, beijos e elogios são dotados de veneno… Que medo deste mundo no qual vivemos, que aliás, é o mesmo em que mês avós vivem. A diferença? Eles escolheram a melhor e verdadeira forma de amar.

Minha avó sempre fala que pessoas querendo nos desvirtuar sempre existirão, cabe a a nós fazermos a escolha certa, sermos leais e verdadeiros. Completo: falhas, tropeços e erros grotescos vão nos acompanhar sempre – faz parte do processo – basta sabermos lidar, saber agir e, porque não, perdoar.

“O homem nasce bom, a sociedade é que o perverte e corrompe”.

Jean-Jacques Rousseau

Será?

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Galera, perdão mas tive que postar um texto já publicado em meu antigo blog no dia 27/11/ 2006. É que as coisas aqui no estágio andam bem apertadas e acabei nem tendo muito tempo de parar para escrever algo pessoal. E além do mais, este texto tem tudo a ver com o momento, vai!!!

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Marina estava eufórica. Há anos aguardava aquele momento e mal podia esperar pelo instante em que passaria por aquela porta. Poderia ter escolhido o caminho de radiojornalista ou de repórter de rua, mas não, sua escolha fora bem diferente da que todos imaginavam – inclusive ela mesma.

Sempre dissera ser ótima redatora. Produzia belos textos, sua imaginação fluía como nenhuma outra. Até livros chegara a escrever. Ah, aquela bela história sobre contos de fadas que pôde redigir com seus colegas em pleno segundo ano colegial… ficara na história e em sua memória. Mas a vida não permitiu que ela seguisse os seus sonhos, não permitiu que ela seguisse com o gravador na mão.

Hoje Marina continua a lidar com a imprensa. Mas lida do lado de cá. Atende jornalistas, procura publicações, vende matérias, relaciona-se com repórteres. Envia releases, clipa notícias e tem metas a cumprir. Ela não se arrepende. Gosta do que faz. Mas sonhava em seguir outra vida. Lembra-se com carinho de seus estágios na época da faculdade. Falava de boca cheia que queria muito voltar à redação. Voltou. Mas não permaneceu.

Seus colegas de curso tomaram rumos bem distintos. Gabriele não seguiu no jornalismo, hoje trabalha com eventos. Rafaela queria muito trabalhar com comunicação empresarial, mas não deu certo – hoje lida com fotojornalismo. Michelle nem seguiu na profissão, foi morar no exterior. É tradutora e professora de Mandarim. Joana seguiu no que sempre sonhara, trabalha numa grande emissora no programa de esportes. Ricardo virou editor de um dos maiores jornais do Estado e dá um show no caderno de cultura. Pedro virou assessor da própria faculdade. Fabrício acabou mudando-se para São Paulo, é crítico de cinema. Tudo a ver com ele. E Marina?

Marina continua em Porto Alegre. Fez cursos, se especializou. Ficou por alguns anos trabalhando em uma revista nacional. Tudo o que sempre quis. Afastou-se por um bom tempo do tão adorado jornalismo cultural, mas voltou. Entretanto, as circunstâncias da vida a trouxera de volta ao universo dos AI’s – assessores de imprensa. Ela se lembra com carinho dos primeiros aprendizados enquanto estagiária de comunicação. Mal sabia redigir um release e hoje tira de letra qualquer resposta a um jornalista mal informado (ou intencionado, vai saber!).

A verdade é que Marina se encontra muito bem no cargo que exerce em sua profissão. Se sente realizada e feliz. Defende seu superior no que for preciso e não deixa jamais o código deontológico de lado. É ética! E às vezes peca por isso – é que nem todo mundo vê tal atitude com bons olhos…

Agora, não sei se Marina se comporta assim por ser uma profissional exemplar por si só ou porque gostaria muito de estar no lugar dos jornalistas das diversas redações que recebem seus releases quase todos os dias. Sinto que ela queria muito poder receber um release e ir além. Pesquisar, ligar para as fontes (não fornecer a fonte) e produzir um material de interesse público a sair no jornal no dia seguinte… Mas Marina é feliz e isso é o que vale!

A indagação do dia? Por que sempre deixamos de ver o lado bom das coisas? Por que o ser humano tende ao negativismo, ao pessimismo e à constante diminuição de si mesmo? É preciso acreditar em si. No seu potencial… Marina pode ser você amanhã. Ou eu, vai saber!

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No ônibus cada pessoa carrega o seu. Uns ouvem pagode, outros rock. Tem quem prefira funk, axé e até hip hop. Mas há os que optam por ouvir as notícias do dia, da hora, dos últimos 20 minutos. E assim o transporte coletivo segue o seu trajeto. Cada indivíduo vai com seu fone imerso num universo só seu.

Na padaria do bairro não dá para anotar. Você passa cartão, dá cheque, parcela até sumir de vista. Mas tirar a caderneta e solicitar que a moça do balcão anote seus pedidos, isso jamais. É como num supermercado – diria até hiper. E repito, pode parcelar no cartão, afinal, têm coisas que seu dinheiro não compra.

Nas ruas, outdoors. “Vire artista de televisão”. “Perca 27 quilos em um mês”. “Faça já seu empréstimo seguro”. “Ganhe um celular”. Quanta ilusão! Esses negócios servem mesmo é para poluir a cidade (por falar nisso, não tinha um projeto de lei que impedia essas propagandas gigantes em determinados pontos da metrópole?). Onde já se viu? Por acaso você acha que Fernanda Montenegro freqüentou cursinho de teatro e concorreu a uma vaga em Malhação? Já viu Preta Gil virar Gisele Bündchen da noite para o dia? Encontrou algum agiota que emprestasse dinheiro com segurança? Já viu cair do céu algum eletroeletrônico? Então, meu caro, não se iluda. O que seus olhos vêem nos muros da cidade é pura ilusãopoluição visual. Só.

As pessoas não se conhecem. Se numa cidade do interior, ao efetuar uma compra, você ganha um desconto por ser sobrinha neta emprestada da mãe do vendedor, aqui na capital você nem ao menos conhece as pessoas. Sim, e o vendedor não quer nem saber para que são suas compras, de onde você é. Simplesmente pega seu produto, passa no leitor óptico e recebe seu dinheiro. Simples assim.

Você custa a aprender os trajetos. Tudo é tão longe, tão cheio de voltas, tão do outro lado da cidade que você custa a se lembrar que já esteve no local. Também, provavelmente, pegou ônibus, metrô, táxi, carona e ainda deve ter dado uma caminhadinha até chegar ao seu destino. Aposto. Cidade grande é assim!

Aqui as pessoas não se importam com o seu bem-estar. O “bom dia” do trabalho, acompanhado do “tudo bem?” nada mais é que parte de um automatismo freqüente da rotina egoísta típica de cidade grande. Ok. Isso não significa que numa cidade do interior as pessoas estejam realmente interessadas em saber se está tudo bem com você e que, caso contrário seja, estarão ali, prontas para lhe ouvir desabafar. As atitudes são calculistas, as relações são de interesse e as máscaras caem com maior facilidade – acho que é porque aqui elas existem em maior abundância também.

E assim o indagações desta semana resolveu pensar… É, sobre como o ser humano se comporta diferente em locais diferentes ou épocas desiguais. Como por exemplo em uma cidade do interior e uma capital. Mas agora eu te pergunto, seria culpa da cidade grande que é grande? Seria culpa do tempo que leva tempo para nos mostrar como devemos levar a vida? Ou seria culpa do ser humano? (… é, aquele que se diz ser o ser racional dos irracionais).