Archive for the ‘Vouyer!’ Category

Nomear pra quê?

“Jogada num quintal
Enxuta, a concha guarda o mar
No seu estojo”

BUARQUE, Chico in A Ostra e o Mar

Eu me canso muito facilmente. Não quero saber, não quero mais ver, não me agrada mais ler.

É morte pra cá, é enchente pra lá, é dinheiro lavado e cara sem lavar… Sinceramente.

Numa dessas me perco e não sei do que acontece no Tibet. Ponderar? Nem precisa… É aquilo mesmo e tal. O que nos chega é muito pouco e é quase mentira (Como eu sei? Dedução, meu caro uótisson). Não devia ser assim, mas é.

Nos cansa a vida de todo dia, as notícias já repetidas, a poesia e o lirismo que – não – não é libertação. Então me fecho. Tal qual aquele que vê mas não encherga, é melhor fugir. E Chico já cantava, a Ostra e o Vento.

Eu vacilo. Sou um e sou outro. Abro e fecho na mesma velocidade e intensidade em que navego (até porque, a onda é que me leva).

Meu mundinho paralelo fica logo ali. Sentir o cheiro, o toque, a luz, o dia.

Do alto, eu vejo.

Definitivamente, estou aprendendo a desaprender…

(Novamente posto no dia errado por incompetência da informática desse terceiro mundinho em que vivemos. Pardon. E ah, fica a dica de, quem ainda não foi, ir conferir a exposição no Palácio do Gringo Cardia e a do Instituto Moreira Salles com fotos do Rio e de tribos amazônicas no século 19 de Georges Leuzinger, com atenção especial pras do segundo andar – que não são só dele, mas enfim-…)

Gente S.A.

O anonimato é místico. Essa semana estava eu com um livro de fotografias que retratava apenas faces, algumas pouco disformes, quando uma amiga me aborda:

– Quem são essas pessoas?- Bom, eu não sei…- Ah, então não tem graça.

Como assim não tem graça? A gente vive na era da informação, da notícia atrás de notícia, dos jornais de 25 centavos. Ora, aquele livro nada mais era a prova de que pessoas, às vezes, não precisam de tipos: homem, mulher, rico, pobre, brasileiro, senegalês, gay, hetero. De que importa? Pessoas não precisam de números e códigos pra se tornar pessoas. Aliás, se não os possuem, podem tornam-se entidades, tão místicas quanto por vezes necessitamos nesse mundo desencantado. Não me admira o fato de que hoje dificilmente contamos histórias como antes. O documento oral foi substituído pelo escrito, e logo pelo virtual. Saber exatamente o que aconteceu no Japão há meia hora atrás? Fácil! Mas e saber das lendas, das estórias, dos mitos, dos bichos que navegam nos mares junto com as caravelas e das noivas de branco que moram no banheiro?

Deixo claro a todos os jornalistas (maioria nesse blog) que não sou contra a profissão, mas não raro me pego apenas pensando em onde tudo isso vai dar. A sutileza dos fatos, o não saber, o oculto, o não registro disso ou daquilo parece desaparecer tão rápido quanto tantas formas de informações se proliferam e nada (n-a-d-a) escapa das lentes. Talvez seja certa tecnofobia, mas há dias em que tudo que quero é não ouvir a nova música do momento, não ver o que acontece nos noticiários tão gananciosamente engajados, não ouvir nem falar algo diferente da minha própria voz.

São enfim conseqüências desse mundo bandido que insiste em nos ludibriar e nos deixar, a cada dia, um pouco menos luminosos.

Gente, eu sei que tô no dia errado, na hora errada, na fonte errada, sem links, sem nada… Mas é que meu computador deu um suspiro aqui e eu consegui conectar a 12kbps e estou, na raça, torcendo pra dar certo. Essa semana acho que resolvo essa meleca. Saudade de tudo aqui! Malu.

Venho por meio desta…

Informar que ando fora do ar porque, inexplicavelmente, meu computador com os textos que andei escrevendo deu um pau fenomenal e passa esse momento por reparos. Logo, tenho 10 segundos pra falar isso nesse pc que não é meu.

Saudades vintecincocentavosanos,

Na certeza de quem em breve retornarei.

Maria Luísa.

Minha ciranda não é minha só
Ela é de todos nós
A melodia principal quem
Guia é a primeira voz

Pra se dançar ciranda
Juntamos mão com mão
Formando uma roda
Cantando uma canção

~ ITAMARACÁ, Lia de in Minha Ciranda.

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Gente, vou confessar… Desde o início do 25 tive uma dificuldade enorme em achar notícias cotidianas pra intertextualizar com alguma coisa por aqui. Porém, ultimamente, acho que tenho me libertado dessas amarras, fingindo que sou uma colunista bielocult (quem dera) e, finalmente, vou postar sobre algo que sempre quis: ciranda.

 

Mas não é ciranda-cirandinha-vamos-todos-cirandar (aliás, talvez seja também), e sim um tipo musical (será essa a terminologia mais adequada?) que não costuma descer muito o Brasil. Tendo caixa, bombo e ganzá como instrumentos mais usuais, conta ainda com pandeiro, sanfona, cuíca, uma flauta de leve e o que mais aparecer por perto. Mais comum e originada na Zona da Mata pernambucana, destacam-se nomes memoráveis como Lia de Itamaracá e outros que estão surgindo por aí (representando tão bem a versatilidade, a miscelânia inerente e a mutabilidade que só a boa música sabe experimentar sem perder a linha), tipo Comadre Fulozinha Issar e tantos outros anônimos, que se juntam na beira do mar, no quintal e no terreiro, começam aquela boa brincadeira e… touché! A roda cresce, crianças e adultos girando sempre pro mesmo lado, coreografando.

Cirandas, Maracatus, Cocos e afins, indiossincraticamente ligados… Mineiríssima que sou, reconheço que conheço (sic?)muito menos do que gostaria. Ritmos que, inicialmente podem parecer estranhos aos ouvidos, podem se tornar pra nós, estranha e inevitavelmente BRASILEIROS.  

Confiram: http://www.youtube.com/watch?v=L3TF_Vc2hnU 

                  http://br.youtube.com/watch?v=aZWX_ph-7Aw

Incorporando a malandragem…

Agora já não é normal, o que dá de malandro
regular profissional, malandro com o aparato de malandro oficial,
malandro candidato a malandro federal,
malandro com retrato na coluna social;
malandro com contrato, com gravata e capital, que nunca se dá mal.

BUARQUE, Chico in Homenagem ao Malandro.

 

Ora, ora, mes amis… Esse corporativismo, essas pessoas aglutinadas em nome do bem comum até me lembram as historinhas das abelhas e de como elas praticam o auxílio mútuo.

E se eu tivesse um cartão que é só passar e… pimba? Da loja de pesca ao motel, da floricultura à 5 mil reais na churrascaria. A fada dos dentes me achou (não, meus dentes não melhoraram)? Aladim e o gênio da lâmpada? Mickey Mouse?

Que nada, o pedido mágico de cada um de nós é facilmente realizado caso você vire um trabalhador de confiança dos homi. Agora, falando sério: você também não gastaria? Nem um centavo? Nem uma tapioca? Mas nem um cafezinho? Nem um Trident de canela? Duvideódó!

E ainda querem acabar com a transparência e (re)começar com a máfia das CPIs. Vos pergunto: Onde iremos parar?

(Aliás, vos suplico: não estaríamos já parados?)

*

“¿Qué tendrá de real
esta locura?
¿Quien nos asegura
que esto es normal?
Y no me importa contarte
que ya perdí la mesura
que ya colgué mi armadura en tu portal.”

DREXLER, Jorge in Fusión 

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“Realmente eu não entendo essa vida. O que me deixa um pouquinhozinho mais tranquila é que minha consciência está sempre limpa e que eu me esforcei ao máximo pra tudo que eu já vivi dar certo, muitas vezes, como no último caso, além das minhas forças físicas e mentais. Esse negócio de viver intensamente é algo muito perigoso, e se essa for nossa escolha (e talvez nem seja uma escolha…) temos que estar prontas para a felicidade transcendental e para a tristeza que corta o peito. É difícil, ainda mais quando amamos o indeciso, o difícil, o quase inatingível. Ainda sim me arrisco a dizer que vale a pena… Mesmo pensando de vez em quando se eu tive pelo menos a metade de importância que o outro teve para mim e como me marcou… E será que daqui 30 anos serei lembrada? Não sei. É meio tristinho, mas acredito em algo maior que faz acontecer o que é melhor. Também acho que nunca devemos dizer que tudo acabou, que a história acabou… O mundo é movimento. Vivamos! Se não for hoje ou amanhã, pode ser ano que vem, daqui a 10 anos ou até nunca, não sabemos o que nos aguarda. Hoje de manhã pensei: Que merda! Esses covardes que deixam as raras pessoas que valem escapar… E um dia ão de se arrepender (ou não… mas não pense no ou não… o pensamento vingativo é necessário esporadicamente). Não perceberam que somos completas: bonitas, legais, engraçadonas, gostosas, selvagens e com um futuro intelectual grandioso. (É eu pensei isso tudo…). Mas como me disse uma amiga certa vez: um cara que queira te ter do lado precisa ter coragem porque você é muito. E replico essa afirmação. Até da vontade de falar: Tá, eu finjo que sou burra, estúpida e não faço piadas de cunho negro (barra) sexual. Mas as coisas não são assim… 

Sendo nunca finda a vida sofrida, VAMO QUE VAMO!”

Não, eu não escrevi esse texto. Mas é que nada mais cabe aqui no dia de hoje.

E sem mais delongas!

Numerais

Enquanto todo mundo
Espera a cura do mal
E a loucura finge
Que isso tudo é normal
Eu finjo ter paciência…

LENINE in Paciência

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Dois pães, por favor.

Trinta reais e sessenta e cinco centavos, senhora.

Já é a quinta vez que te falo isso, meu filho.

A bolsa cai sete por cento no fim dessa tarde, Fátima.

Trezentos e cinquenta mil japoneses.

Vinte e cinco milhões, quinhentos e setenta e dois mil e novecentos mortos.

Números.

Aproximadamente.

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Iguais, diferentes, judeus, cristãos, hindus, negros, brancos, leprosos, mulheres ou pessoas?

Aqui da janela de onde vejo, são números. Sem vida nem história.

E só.

Têm dias que esse preconceito me cansa. Têm dias que me cansa muito.