Se você fosse uma criança e te dessem um quebra-cabeça montado, você não chacoalharia a caixa pra poder monta-lo depois? E se, no esconde-esconde, você contasse até 10 e, quando se virasse, seus amigos estivessem parados na sua frente? O objetivo do jogo é achá-los, você ganhou. Mas não foi divertido…

“Você me pergunta se dor é o único caminho para a felicidade”, diz Dido em uma canção. Mas é. Vamos fazer um teste: aposto que você tem uma lista de desejos com coisas que quer comprar e fazer. Mas você risca aquilo que realizou? Por exemplo, nesse segundo em que lê esse texto você está com dor de dente? Supondo que não, poderíamos dizer que seu desejo é de não ter dor de dente? Tsc tsc. Pois desejos realizados não são mais pensados.

É assim que eu tento ver o mundo. Agradecer por tudo que tenho e não tenho. A diversão do esconde-esconde, mais do que achar seus amigos, é procura-los. A do quebra-cabeça, mais do que ver a figura completa, é montá-la. Problema existe para ser superado. São sérios, grandes, punks, mas estão ali por esse motivo. Claro que não basta sentar e esperar que tudo se resolva num passe de mágica mas, respondendo à Dido, você só consegue experimentar a felicidade se tiver tido um pouco de problemas antes. Você só acha se procurar, só completa se montar.

Todo mundo tá muito apertado e preocupado. Problemas com chefes, empregos, salários, saúde. Mas depois de passar a semana toda lidando com deadlines e trabalhos de pesquisa, a última coisa que quero – me desculpem – é ouvir o problema dos outros. Mentira, eu quero ouvir. Mas gostaria que só compartilhassem comigo se estiverem afim de conselhos. Se a pessoa quiser apenas ouvidos, alguém para ter dó dela, pra fazer drama, me dá preguiça. Eu fico querendo sacudi-la e falar “você mesma está criando problemas pra você”. As pessoas são escravas do sofrimento, sabe? Acham que vão ser mais bem colocadas ou reconhecidas pois estão passando por conflitos.

A grama do vizinho só é mais verde se você não tiver cuidado do seu gramado.

PS: Ontem eu fui no show da Fernanda Takai e escrevi sobre ele no meu blog. Quem quiser ler e comentar, fique a vontade. Boa semana a todos.

21 anos, Brasil, masculino, 178cm, 71kg

Cada um tem o seu preço, é inevitável. Não foram poucas as vezes em que me peguei cobrando silenciosamente de mim mesmo alguma coisa em troca por todas as vontades e serviços prestados a mim por ações que me fugiram o juízo maior.
Quanta insolência achar que o capital valorizado pelos homens se resume ao financeiro. Eu, por exemplo, calculo alguns valores por partes do corpo.
É como falar: “eu colocaria a mão no fogo por aquela pessoa” ou “aquele ali é meu braço direito” ou ainda “você perdeu a cabeça!”. É por aí que eu estabeleço as relações de troca no meu dia-a-dia. Pois eu diria que tudo tem seu preço, cambiável ou não, material ou não, compulsório ou não.
Tudo por aí está à venda: pessoas, idéias, lugares e até mesmo reações às suas ações que por sua vez desencadearam o ciclo moebius da unilateralidade (redundância pagã), a certeza em saber que as relações interpessoais só serão firmadas a partir da compra e venda de valores.
Analisando esta cadeia hereditária, resta saber se sua balança comercial está favorável ou não. Costumo dizer assim, se você (se) importa mais do que exporta, você desfavorece sua balança. Agora se você costuma vender muito mais do que compra (pressupõe-se que você tenha algo a vender), você entra para a seleta trupe dos formadores de opinião (líderes natos). De um lado, temos um mercado de idéias e do outro o consumo hipodérmico, sem que os operários se esvaiam das demandas informativas. Dá sono né!? Então vamos aos fatos:

– Eu me vendo, tu me vendas, estamos no escuro.
– 99% das pessoas não sabem se vender, por isso precisam de porta-vozes.
– Apenas 2% das pessoas que se vendem em redes sociais na internet falam a pura verdade (me refiro também aos blogs).
– E metade destas verdades são vendidas na promoção (a chamada xepa ideológica – cópias baratas).
– Você avalia sua balança comercial de acordo com quantos sim e quantos não você dá por dia (mesmo que um não valha por um sim e um sim valha por um não). Saiba usar!
– Por invrível que pareça, homens se vendem mais.
– Mulheres acabam comprando por falta de opção.
– Os filhos são o troco da relação. São moedas vencidas, sem valor comercial enquanto recém nascidos.

Estou pensando seriamente em lançar a campanha “Quer pagar quanto?” para popularizar o blog através de camisetas.

Por enquanto, faça seu próprio código de barras no site Bar Code Art, informando seu peso, altura, nacionalidade, sexo e idade e saia por aí se vendendo. Pequenas empresas, negócios a parte.

Nem sempre fui assim tão cínica. É natural que as coisas mudem. Mas me lembro perfeitamente da época em que a punição era tudo o que eu evitava. Como me humilhava a punição. Me sentia suja, sem regresso. O resultado era uma conduta impecável. Como 2+2=4: Sem fazer coisas erradas, sem punições. Preto no branco.

Depois de um tempo, comecei a enxergar o arco-íris. E o prazer das coisas erradas. Por elas serem coisas ou por serem erradas? Não sei. Para evitar as punições, entrei na arte de me esquivar. Porém, matar uma realidade ocupa espaço interno. Por um simples problema estrutural, a negação deu origem à criação. Uma outra realidade era possível.

Tornar possível o impossível, somar letras e números e desenhos e ações e sentimentos, tudo numa mesma equação, que não permitia denominadores em comum, era esse o plano. E quando a nova realidade se camuflava, clandestinamente, com a outra realidade, aquela partilhada, sinônimo de verdade, aquilo sim era um prazer. Portanto, ainda hoje não sei se era por causa das coisas, por causa do erro, ou por causa da mentira.

Mentira mesmo. Sou uma pessoa cínica. Para os eufemismóides, dou uma canja: livre interpretação e criação da realidade. Mas é mentira. Uma doce e sedutora mentira, que invade sua língua e desce macia pelas entranhas.

Mentiras são como pessoas. Há as bonitinhas, mas ordinárias. As piores, pois se apóiam em sua própria ignorância preguiçosa. Há as maléficas, mas inteligentes. São cancerígenas, cujos efeitos demoram muito para serem absorvidos. E por último, há aquelas dispostas à entrega, nem sempre consciente, no mínimo dotadas da consciência da inconsciência. Muitos a chamam também de arte!

Hoje, aqui, com total exclusividade pra você, querido leitor, eu começo uma série de posts sobre essas coisas tecnológicas que você DEVE saber pra… Não, não pra se dar bem com a mulherada… Não pra soar esperto… Não pra falar pra todo mundo que sabe – pode soar meio nerd. É só pra saber mesmo… Talvez te seja útil. Talvez não seja. Whatever. Mas “Toda informação é importante” – há-há-há. Tão tá.

Nessa parte 1, de sabe-se lá quantas (talvez só uma mesmo), eu venho falar sobre os Carros do Futuro.

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Esse negócio de aquecimento global e o diabo tem feito muita diferença no mundo, como um todo. Pra nós, pobres mortais do terceiro-mundo, tudo parece exatamente igual. Todo mundo sente calor 5 minutos depois de uma chuva daquelas, não chove mais em janeiro e sim em março e várias outras coisas terríveis e importantíssimas acontecem. No mundo globalizado dos negócios e da política, entretanto, decisões já estão sendo tomadas com base no que PODE vir a acontecer no mundo. Se alguma dessas decisões realmente fará diferença, bem, é outra história. Só o tempo dirá – pegou trocadilho?! ANH?!

Algumas dessas importantes decisões econômicas se referem a um dos principais culpados pela descarga de CO2 na atmosfera: os automóveis. 60% do petróleo produzido no mundo é usado pra mover automóveis, você veja. Milhões de dólares (ou bilhões, sei lá, pra mim dá no mesmo) têm sido investidos em pesquisas que visam reduzir o consumo de combustível e a emissão de poluentes pelos carros.

Isso tudo tem uma influência direta no que o mercado de automóveis virá a ser e – mais que isso – é um indício de como nossas vidas, enquanto consumidores, serão em alguns anos. Os projetos dos carros do futuro contornam, basicamente, a idéia de reduzir o uso do petróleo, que 1). É caro, 2). Acaba e 3(. Polui. Surgiram, então, projetos bastante aplicáveis de carros elétricos (que usam baterias parecidas com a do seu celular, que tem o problema de não durarem tanto, mas que podem ser, um tanto quanto teoricamente, recarregadas numa tomada) e híbridos (que usam, principalmente, baterias, mas que tem combustível pra quando ela descarrregar). O Prius, da Toyota, é um híbrido já em circulação em alguns países… Mas a maior parte dos carros elétricos e híbridos sendo desenvolvidos vem em, tipo, 2010.

Existem projetos de carros que usam hidrogênio como combustível, mas essa tecnologia não é completamente dominada e, em segunda instância, a instalação de “recargas” em postos é relativamente cara. Sairia água do seu cano de descarga, então, sim, essa parece ser a melhor solução – não pra tão cedo. Há, também, a idéia de usar a energia do sol… Mas não é tão simples quanto esquentar o chuveiro da sua casa, trust me. Carros gastam um pouco mais, o que torna a tecnologia economicamente inviável.

Combustíveis alternativos estão sendo desenvolvidos (tipo o tal do comentado Biodiesel) com o intuito de gerar menos poluentes… Mas aí nós esbarramos num problema: Isso tudo depende da indústria automobilística. E a indústria automobilística e a indústria do petróleo conversam bastante. Pesquisas andam devagar, é verdade. Esse povo do petróleo é famoso por mover céus, terras e ditadores islâmicos por dinheiro… Mas (sempre) tem gente séria trabalhando pra fazer um mundo melhor… Bonito.

Então os planos de carros, pro futuro, são esses. Carros Verdes… E não, estamos em 2008 e ninguém nem pensa em carros que voam. Século 21 sucks, eu sei.

Nomear pra quê?

“Jogada num quintal
Enxuta, a concha guarda o mar
No seu estojo”

BUARQUE, Chico in A Ostra e o Mar

Eu me canso muito facilmente. Não quero saber, não quero mais ver, não me agrada mais ler.

É morte pra cá, é enchente pra lá, é dinheiro lavado e cara sem lavar… Sinceramente.

Numa dessas me perco e não sei do que acontece no Tibet. Ponderar? Nem precisa… É aquilo mesmo e tal. O que nos chega é muito pouco e é quase mentira (Como eu sei? Dedução, meu caro uótisson). Não devia ser assim, mas é.

Nos cansa a vida de todo dia, as notícias já repetidas, a poesia e o lirismo que – não – não é libertação. Então me fecho. Tal qual aquele que vê mas não encherga, é melhor fugir. E Chico já cantava, a Ostra e o Vento.

Eu vacilo. Sou um e sou outro. Abro e fecho na mesma velocidade e intensidade em que navego (até porque, a onda é que me leva).

Meu mundinho paralelo fica logo ali. Sentir o cheiro, o toque, a luz, o dia.

Do alto, eu vejo.

Definitivamente, estou aprendendo a desaprender…

(Novamente posto no dia errado por incompetência da informática desse terceiro mundinho em que vivemos. Pardon. E ah, fica a dica de, quem ainda não foi, ir conferir a exposição no Palácio do Gringo Cardia e a do Instituto Moreira Salles com fotos do Rio e de tribos amazônicas no século 19 de Georges Leuzinger, com atenção especial pras do segundo andar – que não são só dele, mas enfim-…)

“A inteligência não é para qualquer um…”

Gibran Khalil Gibran

– Sem estudo a gente não chega a lugar nenhum!

– Meu filho, quando crescer, vai ser dotô!

– Tem gente que não deveria estar numa universidade…

Atrás das grades, Sofia sorria silenciosamente lembrando de suas últimas aventuras. Ela e seu amigo Patrick arquitetavam secretamente um happening na cidade em que moravam. Segundo o plano, era preciso juntar umas 300 pessoas para, na praça principal, levarem seu livro predileto e lerem em voz alta. O objetivo era um zumbido polissônico das melhores literaturas mundiais. Quando o delegado soube disso, somou à causa de prisão de Sofia, logo embaixo de “não comparecimento sucessivo às aulas”: “baderneira”!

Alguns anos antes, Sofia já sabia o que queria ser quando crescer. Sabia disso sabendo o que não queria. O velho método educacional da sua escola não a inspirava nos estudos. O professor na frente cuspindo palavras, ela atrás de outras cabeças, tentando achar algum sentido naquele pretenso conhecimento. “Professor, é possível que uma pessoa colada no teto resista ao poder da gravidade e não caia no chão?”. “Cala a boca menina. Tem coisa que a gente tem que pensar antes de falar!”. Patrick nunca perguntava nas aulas. Aliáis naquele dia ele tinha conseguido o que queria exatamente por não acreditar nos conhecimentos alheios.

Não foi a primeira vez. Patrick é mestre em fugas. Aos dois anos fugiu da escola sem que notassem sua ausência por horas. Prova de que era apenas um número para eles.

Nem Patrick nem Sofia vão prestar vestibular esse ano. Eles não acreditam nisso. Eles não acreditam em fileiras de cadeiras. Não acreditam em resenhas. Muito menos em exercícios seriados. Eles acreditam em outras coisas…

Gente S.A.

O anonimato é místico. Essa semana estava eu com um livro de fotografias que retratava apenas faces, algumas pouco disformes, quando uma amiga me aborda:

– Quem são essas pessoas?- Bom, eu não sei…- Ah, então não tem graça.

Como assim não tem graça? A gente vive na era da informação, da notícia atrás de notícia, dos jornais de 25 centavos. Ora, aquele livro nada mais era a prova de que pessoas, às vezes, não precisam de tipos: homem, mulher, rico, pobre, brasileiro, senegalês, gay, hetero. De que importa? Pessoas não precisam de números e códigos pra se tornar pessoas. Aliás, se não os possuem, podem tornam-se entidades, tão místicas quanto por vezes necessitamos nesse mundo desencantado. Não me admira o fato de que hoje dificilmente contamos histórias como antes. O documento oral foi substituído pelo escrito, e logo pelo virtual. Saber exatamente o que aconteceu no Japão há meia hora atrás? Fácil! Mas e saber das lendas, das estórias, dos mitos, dos bichos que navegam nos mares junto com as caravelas e das noivas de branco que moram no banheiro?

Deixo claro a todos os jornalistas (maioria nesse blog) que não sou contra a profissão, mas não raro me pego apenas pensando em onde tudo isso vai dar. A sutileza dos fatos, o não saber, o oculto, o não registro disso ou daquilo parece desaparecer tão rápido quanto tantas formas de informações se proliferam e nada (n-a-d-a) escapa das lentes. Talvez seja certa tecnofobia, mas há dias em que tudo que quero é não ouvir a nova música do momento, não ver o que acontece nos noticiários tão gananciosamente engajados, não ouvir nem falar algo diferente da minha própria voz.

São enfim conseqüências desse mundo bandido que insiste em nos ludibriar e nos deixar, a cada dia, um pouco menos luminosos.

Gente, eu sei que tô no dia errado, na hora errada, na fonte errada, sem links, sem nada… Mas é que meu computador deu um suspiro aqui e eu consegui conectar a 12kbps e estou, na raça, torcendo pra dar certo. Essa semana acho que resolvo essa meleca. Saudade de tudo aqui! Malu.

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