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Assisti Across the Universe e depois de passado o deleite das imagens surreais, com os arranjos ineditamente frescos dos Beatle-Hits, algo perdurou por mais tempo. Por que justamente um algo? Não sei. Mas é o que eu gostaria de saber. Porque algumas coisas ficam e outras passam? O que permanece das revoluções é o que as faz? (sinto cheiro de inconsciente coletivo no blog, juro que escrevi antes de ler os posts dessa semana!!!). 

Para continuar no terreno artístico, um outro musical sessentafílico mostra de forma diferente aquela época ainda não tão distante: Hair trabalha com os anônimos que, primeiro individualmente, e depois coletivamente, desconstruíram para tentar construir um novo no lugar. São os que viviam realmente aquilo que pregavam. Na forma do fazer. Solidamente. Mas é mesmo essa massa de pessoas que não deixou nomes para serem lembrados. (Além é claro de ídolos estandartizados, como Martin Luther King nos EUA). 

Em Across, temos um dos personagens principais como um artista, e a garota, seu par romântico, como ativista. O conflito entre os dois se dá quando é questionada a autenticidade revolucional das atividades de ambos. Enquanto o garoto se “aliena” em desenhos, a menina parte para a frente de ataque, ao lado de outros militantes que combatem a polícia com bombas. Porém, no final, é a bandeira com a arte do garoto que fica em evidência, enquanto a menina se confunde entre a contradição de seus ideais e as práticas para alcançá-los.  

Parece ser o filme revelador dessa tendência humana: o que fica é o invisível, os arredores e detalhes inconscientes das grandes mudanças estruturais e alarmantes. A estética sempre ganha. Ou pelo menos, chega antes, sorrateira. Exemplo: minissaias antes da revolução sexual. Ou a preocupação de Hitler com um símbolo, a suástica, para representar suas idéias. 

O fato é que não há explicações para isso. Só inquestionável é o apelo da arte na efetivação de mudanças concretas na sociedade. E, no entanto, muitas vezes ela é tratada como algo superficial. O filme Saneamento Básico traz esse velho dilema: Na prioridade das escassas verbas públicas, deve vir antes o esgoto ou o cinema? 

Assim, se de um lado as mudanças vivem acontecendo no dia-a-dia, e do outro, as antenas da arte tentam captar sua significação mais primordialmente humana, eu fico no meio, apreciando experimentações estéticas que solidificarão, ou não, um novo modo de pensar o mundo. Bem, em todo o caso, já foram suficientes para me modificar! 

Post Scrptirurururum: Esse post já está enorme. Mas eu tenho que escrever. É que fiquei cismada com uma coisa. Tipo que esse filme Across the Universe foi lançado ano passado. Ta certo que esse ano fazem 40 anos da Revolução de 1968, mas os EUA estão vivendo uma guerra agora. Que já chegou até nos clipes da Avril Lavigne!!! Por que os protesto de agora parecem tão secos? Tudo parece estar tão desacreditado. Às vezes até penso se não estão escondendo da gente uma nova era de aquário. Sei lá. Maybe it´s just a sixtyfilic!

Essa semana ouvi uma menina dizendo para a outra que tinha desencanado de uma paixonite que teve por alguém. Depois de listar vários motivos ela finalizou com a seguinte frase – que eu cito: “…e ele peida”! Achei isso tão hilário quanto intrigante. A velha história que cabe perguntar pra ela “mas, ei, e você não?”.

Acho muito curioso essa aversão que a humanidade tem à maioria de seus próprios atos fisiológicos. Sim, eu acho curioso, mas tenho prazer de fazer parte dessa parcela da população também. Da mesma maneira que acho um nojo ficar citando escatologias no almoço, não sou do tipo que nega sua existência ou algo assim. Conversando sobre isso com meu professor de filosofia ele me mostrou uma coisa que não tinha percebido: comer é o único ato fisiológico que é compartilhado. Jantares e almoços. Todos em grupo. Ele até me falou de um filme (cujo nome não lembro, claro) onde a provocação do roteirista era inverter isso. Assim, os personagens comiam escondidos e faziam cocô todos juntos, conversando e rindo. Bem provocativo.

Tão provocativo é “A Grande Dádiva”, nome de um conjunto de esculturas que estão expostas no centro de Londres desde sexta passada (19). O artista, Klaus Weber, fez 12 estatuas usando lixo industrial e pedra. Na maioria delas a água jorrada adquire o papel de vômito ou urina. Em algumas peças, ela está representando suor ou lágrimas.

Alguns acharam as obras de extremo mau gosto. Eu achei super… filosófica.

ew?