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21 anos, Brasil, masculino, 178cm, 71kg

Cada um tem o seu preço, é inevitável. Não foram poucas as vezes em que me peguei cobrando silenciosamente de mim mesmo alguma coisa em troca por todas as vontades e serviços prestados a mim por ações que me fugiram o juízo maior.
Quanta insolência achar que o capital valorizado pelos homens se resume ao financeiro. Eu, por exemplo, calculo alguns valores por partes do corpo.
É como falar: “eu colocaria a mão no fogo por aquela pessoa” ou “aquele ali é meu braço direito” ou ainda “você perdeu a cabeça!”. É por aí que eu estabeleço as relações de troca no meu dia-a-dia. Pois eu diria que tudo tem seu preço, cambiável ou não, material ou não, compulsório ou não.
Tudo por aí está à venda: pessoas, idéias, lugares e até mesmo reações às suas ações que por sua vez desencadearam o ciclo moebius da unilateralidade (redundância pagã), a certeza em saber que as relações interpessoais só serão firmadas a partir da compra e venda de valores.
Analisando esta cadeia hereditária, resta saber se sua balança comercial está favorável ou não. Costumo dizer assim, se você (se) importa mais do que exporta, você desfavorece sua balança. Agora se você costuma vender muito mais do que compra (pressupõe-se que você tenha algo a vender), você entra para a seleta trupe dos formadores de opinião (líderes natos). De um lado, temos um mercado de idéias e do outro o consumo hipodérmico, sem que os operários se esvaiam das demandas informativas. Dá sono né!? Então vamos aos fatos:

– Eu me vendo, tu me vendas, estamos no escuro.
– 99% das pessoas não sabem se vender, por isso precisam de porta-vozes.
– Apenas 2% das pessoas que se vendem em redes sociais na internet falam a pura verdade (me refiro também aos blogs).
– E metade destas verdades são vendidas na promoção (a chamada xepa ideológica – cópias baratas).
– Você avalia sua balança comercial de acordo com quantos sim e quantos não você dá por dia (mesmo que um não valha por um sim e um sim valha por um não). Saiba usar!
– Por invrível que pareça, homens se vendem mais.
– Mulheres acabam comprando por falta de opção.
– Os filhos são o troco da relação. São moedas vencidas, sem valor comercial enquanto recém nascidos.

Estou pensando seriamente em lançar a campanha “Quer pagar quanto?” para popularizar o blog através de camisetas.

Por enquanto, faça seu próprio código de barras no site Bar Code Art, informando seu peso, altura, nacionalidade, sexo e idade e saia por aí se vendendo. Pequenas empresas, negócios a parte.

Hum

Crescemos redomados em uma sociedade infundada e dominada pelos gêneros. Se for menina, quero uma bem menina, bonecas parideiras (que cozinhem, passem, comam e até façam cocô) e alguns “eletro-domésticos à pilha” para ela já começar a testar suas receitas de bolinhos de chuva e aquela pipoqueira que mija guaraná e ainda tempera a gosto em pleno fevereiro. Se for menino, quero logo a camisa do timão, quero um saco sujo, uma frota de carros, aviões (e vuuuuuuuuuun), rolimãs (alguém se lembra disso?) e ainda se possível alguma coisa que possa ser esmurrada (de animais de estimação duráveis a sua própria irmã). Agora imaginem vocês essas duas crianças dividindo o mesmo quarto, que beleza! É instintivo que o menino faria a boneca fazer cocô e daria pra irmã falando aquele bolinho de chuva gratinado estava uma delícia e ainda iria convencê-la de que papai só a tinha colocado ali para aprender a ser gente e aprender que chorar faz bem.

É aí que nasce a mulherzinha. O mundo está dominado por elas. Não falo do menino enfadonho que ficou isolado nos intervalos do colégio e sofreu repulsas por nunca ter ido ao mineirão com o seu pai, mas sim da mulher menina moça que não foi criada para responder aos apelos da sociedade, ou melhor, aos anseios dos meninos homens. O fato é que existem as coisas consideradas por natureza de mulherzinhas e as que nascem da relação com o bicho pai ou bicho irmão, alimentando assim sub-mulherzinhas (vá se acostumando porque a palavra mulherzinha não tem sinônimo e não pode ser substituída ao longo do texto), que ainda são submissas ao ponto de confundir educação com dependência (da financeira a sexual).

Mas por outro lado existem aquelas que mesmo fruto da realidade pela qual passamos, atingem maturidade suficiente para se livrar e correr atrás do que quer, sem perder o ideal mulherengo (ou melhor, mulherzinha). Pois eu já vi mulher mulherzinha trabalhando em canteiros de obra, e também já vi homem mulherzinha liderando um país inteiro e descriminando seus iguais (e olha que nem cheguei a citar o bigode do homem).

O fato é que ser mulherzinha não tem gênero, é um deslocamento de atitulde tomando parte ou não de alguma época de sua vida. Por isso, não subestime uma mulherzinha. Elas podem te fazer chorar, e você vai chorar. E elas mentirão sobre si mesmas. E você vai concordar, é claro. E ainda vão fazer de tudo pra ter ver feliz. Mulherzinhas são dóceis e amáveis.

Mamãe mandou você ir jogar bola muleque, vá atirar em alguma rolinha, vá. Não fique aqui me perturbando. Vá vadiar, vá vadiar… E menina do céu, pára de ser galinha, se for andar só com homens, que sejam sete anões. Mulherzinha que é mulherzinha aprende a se virar sozinha e que Darwin tinha razão. E nesse meio papo, contei dezessete mulherzinhas. Pois é, elas não vão sumir, não por agora. Que bom.