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Então, não bastam as babaquices capitalistas do Papai Noel, nem os barcos de oferendas em Copacabana. Pra completar, nesse mês caótico e completamente diferente de todos os outros, ainda faz um calor desgraçado nesse país.

Não é brincadeira. Escrevo esse texto vestido apenas de cueca, depois de um banho e transpirando como um porco – expressão que nunca entendi, pois nunca vi um porco suando de verdade, mas, enfim.

Sem contar que a disposição da minha sala está errada – acabei de descobrir. Verão e horário de verão não combinam com ver um filminho de tarde mais. O reflexo na janela dura até umas oito da noite. Talvez eu devesse sair, comprar uma coca-cola no mercado ao invés de pelo telefone – pra variar, né? Mas nem pensar. Se o céu lá fora estivesse dessa maneira, sol bonito e poucas nuvens, e uns 10 graus Celsius a menos, aí sim eu toparia e aposto que seria um ser humano mais feliz também.

Sou pobre sem ar-condicionado. Posso ficar nu e o calor será impossível de ignorar. Frio não. Está frio? Coloca um casaco e acabou. Mas calor não. Calor é insuportável. E não posso reclamar. Parece que há uma conspiração em volta de mim que não aceita a minha falta de bronzeado e combina de me recriminar e reprimir a cada reclame dizendo que calor é uma delícia. Delícia? O que há de delicioso em: a) sorvetes escorrendo pela sua mão; b) não poder usar preto; c) a cerveja nunca estar tão gelada quanto você quer; d) você suar tomando banho; e) seu xixi evaporar no caminho da privada.

Eu preciso admitir. Al Gore, eu não dou a mínima pros pingüins. Al Gore, foda-se aquele urso polar quase morrendo. A gente realmente precisa fazer alguma coisa pra parar e reverter o efeito estufa pelo nosso próprio bem. Eu já estou achando isso aqui uma tortura, daqui um tempo o verão num país tropical com buraco na camada de ozônio vai ser sinônimo de inferno. Só vai faltar ter a dança do créu.

Há muito tempo eu escuto esse papo furado
Dizendo que o samba acabou
Só se foi quando o dia clareou

VIOLA, Paulinho. Eu Canto Samba

 

Quando era pequerrucha, domingo de manhã era dia de acordar cedo pra aproveitar que todo mundo estava em casa. Como desde sempre a preguiça me acompanhava, existia uma técnica bolchevique: música no último volume. Domingo era dia de pegar os vinis que ficavam no armário da copa e acordar ao som de Chico, Francis Hime, João Gilberto, Paulinho da Viola e Pink Floyd (tá, vai entender…). Eu ficava um pouco nervosa nos cinco primeiros minutos, mas logo depois já pegava minha pipa pra ir à Pça. do Papa. Eis que cresci, mas o gosto ficou. Sim, a estranha no colegial, com sua coleção de vinis antigos. Sempre achei uma pena o preconceito que as pessoas nutrem religiosamente por tudo que é brasileiro, genuinamente brasileiro. O maior exemplo disso é o samba… Cartola, Bezerra da Silva, Zé Kéti, Leci Brandão (isso pra não falar nos mais desconhecidos) andam perambulando por aí, de universidade em universidade, de escola de samba em escola de samba.

Minha surpresa foi então quando vi que a MTV (sim, aquela mesma que promoveu BSB, Avril Lavigne e hoje tem entre os top 10 o NX Zero) lançou um acústico do Paulinho da Viola. Lindo, lindo, lindo! Me pego pensando se existe por aí alguma garotinha, emo que só, ouvindo em casa Paulinho e descobrindo que mora num país de gente excepcionalmente genial. Sei que não tenho muita autoridade pra falar porque conheço pouquíssimo do que se produz fora da América Latina, mas que me perdoem os roqueiros: o samba é fundamental!

Ps: fica o convite pras atividades do FAN (Festival de Arte Negra) que tá rolando aqui. Imperdível!!!

A velha? usina de cana-de-açucar

– Professora, os colonizadores não sabiam que cortando árvores, plantando imensidões de terra com a mesma coisa, caçando os bichos, eles iriam provocar a destruição da natureza?

– Ora, eles ainda não sabiam dessas coisas.

– Mas por que?

– Eles ainda não tinham experiências científicas sobre o assunto.

– E hoje existem essas experiências?

– Hoje existem.

– Professora, o que é efeito estufa?

Um homem que não mentia. Um homem que não roubava, que não matava. Que não respondia a xingamentos, nem provocações. Que não fugia do trabalho árduo para sustentar da família. Um homem que não gritava.Um homem que nunca entrava em brigas, jamais se excedia na cachaça. Achava que em cima do muro a vista era melhor. Qual não foi sua surpresa quando abriu os olhos e viu que não existia muro nenhum. Tarde demais. Suas não-ações já tinham mostrado para ele o caminho que seguira. Não adiantava fugir. A boca enorme da fábrica salivava óleo ao degluti-lo. Cartolas e bengalas aplaudem ao espetáculo.

Carros velhos. Quem precisa de carros velhos? Eles poluem mais. Compre esse novo modelo total flex 5.0 XKYV3. Com ele você abastece com álcool ou gasolina. Isso mesmo! Álcool é baratinho, e polui menos. Ainda mais que aqui no Brasil nós somos os líderes da ecologia, os pioneiros do biodiesel! Como fazemos isso? Ué, a gente descampa, assim, uma mata inteirinha e planta cana até não poder mais. Preços? Ah, o produtor mesmo é que se dana, pois a gente fixa preço é na saída. Mas se o concorrente faz uma promoção das boas e vende mais, a gente baixa. E o produtor? Ele que se vire. Paga menos pras mão-de-obra dele. Mas isso é outra história. Os tempos são outros. Você escolhe: álcool ou gasolina. Acabou o tempo da escravidão…