Posts Tagged ‘diversão’


Entrei na rua Augusta a 120 por hora,
Botei a turma do passeio pra fora,
Fiz curva em duas rodas sem usar a buzina,
Parei a quatro dedos da vitrine, legal,
Hey, hey Johnny,
Hey, hey Alfredo,
Quem é da nossa gang, não tem medo,
Meu carro não tem breque, nem tem luz, não tem buzina,
Tem três carburadores todos três envenenados,
Só pára na subida quando acaba a gasolina,
Só passa se estiver sinal fechado.

Rua Augusta (Hervê Cordovil)

sampa
foto por Braulio Barbosa

Bons amigos, não pude estar presente aqui no blog na semana passada pois fui guiado pelo êxodo rural que acomete este país desde a década de 60. Pois é, fui para São Paulo em busca de novas idiossincrasias. Tá, mas e daê? Lá por acaso não tem internet? Tem sim, mas com uma cidade daquele tamanho para desbravar, a começar do marco zero, eu me pergunto: como algumas pessoas convivem harmoniosamente com apenas alguns pés de alface e uma vaca leiteira? Então seguimos com cinco bons motivos para partir para o êxodo cultural, ops, rural.

Passado, presente e futuro.

Tá que eu não tenha feito a lição de casa tanto quanto eu deveria, mas eu sei valorizar uma arte bem feita, nem que seja de criança. São Paulo chega a ser um museu a céu aberto, por ter feito parte das raízes históricas e econômicas do país. Eu cheguei a conhecer desde a casa da Domitila de Castro ao cocho onde os bandeirantes faziam suas necessidades. Isso é cultura! Cinemas dão banho. A cada quadra ou até mesmo no metrô (Shopping da Estação Santa Cruz) você encontra ao menos umas 17 salas CINEMARK. Ah, e nós aqui, ainda suando para conseguir uma cadeira ajustável e com porto-copo. Igreja não é o meu forte (fato de eu ser espírita), mas eu me rendi ao palácio da Sé, a capelinha de José de Anchieta (um dos fundadores de São Paulo e dotado de espinhela caída) e umas outras 20 que eu conheci de andar pelo centro da cidade. Ah, e ande com um guia. Ou uma tia. Eles têm muitas histórias a contar.

Comunidade Japonesa (e mercados populares).

É claro que eles não estão intrínsecos, mas digamos que de cada dez camelôs com produtos orientais, 9 e meio são liderados por japoneses. São Paulo é a maior cidade japonesa fora do Japão. Nisseis, Sanseis, Canseis estão por todo lado e fazem da Liberdade um reduto para os orientais e amantes da cultura oriental. E eles são ágeis, inteligentes, comem yakisoba na 25 de março em meio a milhões de Nikes e Adidas pré-lançados, estão sempre sorrindo e não falam de boca cheia. Japoneses são como Tamagochis independentes. Eles conseguiram seu espaço e são a cara (principalmente os olhos) de São Paulo.

Better food, better mood.

Vocês sabem que aqui nessa coluna eu sempre acabo levando pro lado da comelança. Justamente porque comer é uma das necessidades básicas de todos os seres humanos, então é sim sempre um ponto fortíssimo para persuadir as pessoas. A fome gera o choro, a ansiedade (ou o contrário), o desejo, enfim o sono e a paz universal. E quando estamos frente a um imenso cardápio de restaurantes bacanas, padarias doceiras, dogs pós balada mais que recheados, brioches do Brás, beirutes gigantes e tudo o que você possa sonhar nas horas de fome intensa, não pensamos em nada a não ser engolir a saliva. Bon apetit.

Baladas Noite/Dia.

É, lá é assim que eles chamam a noite paulistana. Ou o que aqui para nós mineiros seria um “vamos invadir a la boate”. São Paulo tem as melhores baladas, não apenas pela estrutura, mas por abrigar as mais diversas tribos e tripulações em cavernas e becos onde jamais pensaríamos que uma barata pudesse defecar. Mas tudo utopicamente limpo e cheiroso, pelo menos nas primeiras horas. É justamente nos subúrbios e regiões imundanas da cidade que encontramos as melhores músicas, pessoas dançando na mesma frequência, como se estivessem no porão de casa. E o melhor, sempre dura até o sol raiar. Oba!

A garoa de programa.

Conhecida como “chuva do engana trouxa” ou coletivamente falando “a garoazinha de são paulo”, ela faz da cidade um pedaço de pão molhado ininterruptamente, o que pra quem quer sair andando pela cidade é péssimo, mas para quem sabe aproveitar é ótimo. Dos cinco dias que passei lá, quatro foram de garoa constante, madrugadas em banho maria, tardes no centro da cidade com a capa de chuva cobrindo o corpo. Mas a questão não é a chuva em si. Mas o clima fresco e o vento que sai das entranhas do metrô. A sensação de chegar em casa, cair na cama com o barulho da chuva estremecendo os tímpanos.

Tá, quem liga pra poluição e a violência da cidade se o legal é passar apenas alguns dias de nossas vidas por lá. Agora, para quem já está arrumando as malas e não pensou duas vezes em “é pra lá que eu vou”, pense no voltar. Nem que seja pra contar para seus amigos que “eu fui, gostei e um dia eu volto”.

Non ducor, duco.

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Now playing: Aqueduct – Hardcore Days & Softcore Nights
via FoxyTunes

Chiquinho ScarpaQuanto vale você? Quando vale sua opinião? E quanto vale sua diversão? Todo mês (não me encaixo nessa rotina, mas deveria) orçamos os nossos gastos para o mês seguinte e sempre nos deparamos com a cortina das contenções. Afinal, onde devo enforcar os meus gastos?

Partindo do pressuposto do modelo capitalista, estamos então incumbidos de sermos onerados pelo nosso trabalho e partilhar nossos ganhos de acordo com nossas necessidades. Mas o que é necessário? Porque se algum dia tivéssemos todo o dinheiro do mundo, novas necessidades surgiriam e o supérfluo seria toda e qualquer coisa que não valesse seu saco de verdinhas, ou seja, nada material. Mas como 90% da população ainda têm que ralar para ser remunerado e partir para os festivais de consumo, caímos em um ciclo vicioso – TRABALHE/GANHE/GASTE/VIVA – onde a escassez de renda sempre terá (para nós consumidores) maior importância a de bens materiais. Pois enquanto houver o material (a produção) haverá um publicitário ou marketeiro a fim de gerar desejos fundados de suas necessidades.

Pois bem, e se após aquele orçamento do dia-a-dia observarmos que sobrou algum dinheiro (sim, estamos falando de dinheiro) para financiarmos o bem do próximo. Há aqueles que prefeririam investir na educação. Ou aqueles que recostruiriam o acabado por eles mesmos. Se você valorizasse o outro, com o seu ônus, quanto ele valeria? É um pouco complexo, mas se a máxima “ame ao próximo como assim mesmo” for colocada em pilhas capitalistas, amar a você mesmo é cuidar de suas necessidades (digo físicas e psicológicas), então nada mais justo do que dos 30% reservados ao lazer, 15% financiaria o bem estar alheio. Esse valor, é claro, não inclui aquela cerveja que você pagou para seu amigo ou mesmo aquelas despesas nas últimas férias coletivas. Falo no sentido de valorizar o próximo, não com valores dito “humanos” (auto-confiança, liberdade, instrução), mas valores pagos, digo casa engraçada, comida junky, e roupa da moda. Afinal, não estamos acostumados a nos divertir sozinhos, lazer é companhia, é estar em sociedade. É claro que isso tudo é apenas uma teoria a ser praticada pelos meus futuros netos. Não bastasse o aumento da energia e do preço do pãozinho. Aff.