Posts Tagged ‘feriado’

Falar de carnaval: lá vou eu! A gente calcula a data pelo calendário lunar – sim, isso mesmo, por isso esse ano ele veio mais cedo – e depois começou a ter a ver com cristianismo, dia de reis e essa palhaçada toda. Aí, a sociedade vitoriana mudou tudo, na categoria “como comemorar” – vide carnaval de Veneza. Alguns anos depois deu nisso que a gente vê e ouve falar por aí e que eu simplesmente adoro. Olha pro meu bronze, pra minha cara de micareteiro, de espectador de escolas de samba, de cantor de samba-enredo!

Ok, eu tenho que admitir: feriado bobo e chato pra pessoas como eu. Mas eu sempre gostei dele. A Björk vem ao Brasil e Belo Horizonte fica bem vazia. Isso quer dizer bares e boates menos abarrotadas, trânsito melhor e silêncio. Geralmente eu vou ao cinema todos os dias do carnaval – de tarde, sozinho. É ótimo.

Mas vejam só o que esse calendário lunar me fez! Meu salário sai no 5o dia útil de cada mês. E, justamente por causa do carnaval, isso só vai dar lá no dia 11. Passar feriado em casa assim? Ah nem. Odiei.

hitchcock_alfred2.jpg
“Carnaval would be tragic if it weren’t funny.” – Hitchcock

Uma semana para o carnaval e a virada do ano praqueles que vivem e presumem todos os feriados que terão do trabalho-família-cachorro-relógio-cama-chuveiro-arrozcomfeijão-emacarrão no segundo dia do ano. Carnaval por aqui em mins (MG) vira antônimo de mulata sambando with lasers na Sapucaí, isso tudo é coisa para atrair os gringos. Carnaval pro bom brasileiro agora é rua, ladeira, micareta, baile funk (e quem deu nome a isso de baile, me explica)… samba, epa, samba também é pros gringos.
O carnaval ganhou um pouco de pudor… Digo isso porque como as coisas andam, o brasileiro já deveria ter perdido a inocência quanto a nudez exposta na televisão, parar de colocá-la como ícone cultural para ser vislumbrada somente em peças de teatro. A gringa, que se ruborizava frente às mulatas e biquínis brasileiros, hoje televisionam cenas de nudez até mesmo em canal aberto. E por que o pudor? Qual a graça em ver um desfile com a rainha de bateria camuflada de pavão? Devemos repugnar é a zoofilia.
Não posso falar de carnaval com tanta veemência quanto uma cuíca armada ou alguém da velha guarda da Portela, eu era o do sofá. De ficar vendo o desfile em casa com a família, de amargurar o desfile de algumas escolas com raios de pensamentos malcriados e decorar o samba-enredo da Mocidade como se eu morasse em Padre Miguel. Eu era o da gringa. Mas depois percebi que o carnaval, assim como qualquer outro feriado, nada mais era do que uma dispersão de pensamentos para quem nada queria pensar, mas fazer. Tornou-se o ápice de viver a vida e criar vidas, e o ministério da saúde adverte: a igreja não entende nada de sexo.

Carnaval esse ano cai no dia 5 (terça-feira) e tem sempre um jeito de emendar ali, costurar aqui para que o batuquê se prolongue. A data acompanha os sete domingos que antecedem a Páscoa também conhecida como fugadoshebreus-ressureiçãodecristo-mudançadeestação-primeirodomingodeluacheiaapós21demarço – “você sabia?”.
Querendo ou não, pelas bandas de cá (de minas), o carnaval começa cedo nos guetos e ladeiras das cidades históricas, que é gerado pelo buzz marketing (o boca a boca), isso sim que é o carnaval do pão de queijo (por aqui, escolas de samba têm razões sociais e não culturais).
São cinco dias para fugir, do Nepal ao sofá da casa de seus pais, do “vamos pra cachoeira” ao butequê da esquina, do EGO ao ID. É QUASE uma copa do mundo, até os comentaristas da globo estão lá, para que você não perca sequer um lance e nem se atrapalhe na hora de empurar as bolas pra dentro do gol.