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Marina estava eufórica. Há anos aguardava aquele momento e mal podia esperar pelo instante em que passaria por aquela porta. Poderia ter escolhido o caminho de radiojornalista ou de repórter de rua, mas não, sua escolha fora bem diferente da que todos imaginavam – inclusive ela mesma.

Sempre dissera ser ótima redatora. Produzia belos textos, sua imaginação fluía como nenhuma outra. Até livros chegara a escrever. Ah, aquela bela história sobre contos de fadas que pôde redigir com seus colegas em pleno segundo ano colegial… ficara na história e em sua memória. Mas a vida não permitiu que ela seguisse os seus sonhos, não permitiu que ela seguisse com o gravador na mão.

Hoje Marina continua a lidar com a imprensa. Mas lida do lado de cá. Atende jornalistas, procura publicações, vende matérias, relaciona-se com repórteres. Envia releases, clipa notícias e tem metas a cumprir. Ela não se arrepende. Gosta do que faz. Mas sonhava em seguir outra vida. Lembra-se com carinho de seus estágios na época da faculdade. Falava de boca cheia que queria muito voltar à redação. Voltou. Mas não permaneceu.

Seus colegas de curso tomaram rumos bem distintos. Gabriele não seguiu no jornalismo, hoje trabalha com eventos. Rafaela queria muito trabalhar com comunicação empresarial, mas não deu certo – hoje lida com fotojornalismo. Michelle nem seguiu na profissão, foi morar no exterior. É tradutora e professora de Mandarim. Joana seguiu no que sempre sonhara, trabalha numa grande emissora no programa de esportes. Ricardo virou editor de um dos maiores jornais do Estado e dá um show no caderno de cultura. Pedro virou assessor da própria faculdade. Fabrício acabou mudando-se para São Paulo, é crítico de cinema. Tudo a ver com ele. E Marina?

Marina continua em Porto Alegre. Fez cursos, se especializou. Ficou por alguns anos trabalhando em uma revista nacional. Tudo o que sempre quis. Afastou-se por um bom tempo do tão adorado jornalismo cultural, mas voltou. Entretanto, as circunstâncias da vida a trouxera de volta ao universo dos AI’s – assessores de imprensa. Ela se lembra com carinho dos primeiros aprendizados enquanto estagiária de comunicação. Mal sabia redigir um release e hoje tira de letra qualquer resposta a um jornalista mal informado (ou intencionado, vai saber!).

A verdade é que Marina se encontra muito bem no cargo que exerce em sua profissão. Se sente realizada e feliz. Defende seu superior no que for preciso e não deixa jamais o código deontológico de lado. É ética! E às vezes peca por isso – é que nem todo mundo vê tal atitude com bons olhos…

Agora, não sei se Marina se comporta assim por ser uma profissional exemplar por si só ou porque gostaria muito de estar no lugar dos jornalistas das diversas redações que recebem seus releases quase todos os dias. Sinto que ela queria muito poder receber um release e ir além. Pesquisar, ligar para as fontes (não fornecer a fonte) e produzir um material de interesse público a sair no jornal no dia seguinte… Mas Marina é feliz e isso é o que vale!

A indagação do dia? Por que sempre deixamos de ver o lado bom das coisas? Por que o ser humano tende ao negativismo, ao pessimismo e à constante diminuição de si mesmo? É preciso acreditar em si. No seu potencial… Marina pode ser você amanhã. Ou eu, vai saber!


foto da seleção de 1950.

O Brasil é um país cheio de controvérsias, Meu Deus. Por um dia, os jornais pararam de falar da política corrupta, do leite adulterado, da tropa de elite, pra falar de futebol. Colocar brilho no olho do trabalhador que por um instante acredita que vai poder ver de perto os melhores times do mundo. Não é verdade, povo. Os jogos provavelmente vão ficar restritíssimos aos estrangeiros cheios de dólares – será que eles vêm?, que vão vir ver os jogos. Os possíveis investimentos que o país vai atrair possivelmente não vão cobrir nem um doze avos dos gastos que serão tirados dos cofres públicos. Os lucros jamais serão nossos.

 

Tem ainda a questão da floresta amazônica, já pensou se, aproveitando a entrada no país, os estrangeiros resolvem ocupar a amazônia e libertá-la do país, transformando-a num “território de todos”? (aqui, entende-se num território dos E.U.A). É uma possibilidade, sim.

 

O Brasil não é mais o país do futebol. Desde que nossas crianças perderam a esperança de um futuro digno, desde que elas pararam de sonhar em ser jogadores de futebol, desde que não é mais seguro sair de casa pra ir num campinho de várzea jogar bola, não tem mais essa história de país da bola não. Coisa do passado.

 

E se falam que a Copa ser aqui era um sonho de todo brasileiro, afirmo que é mentira. E olha que pelo menos 10 vezes ao ano eu ouço, numa narração emocionada do meu pai, a história da seleção que perdeu o título no maracanã, em 1950. Talvez seja sonho dele, meu pai, a oportunidade de refazer essa história. No entanto, o sonho da maioria do povo brasileiro é ter um prato de comida em casa todos os dias, direito a saúde e educação.

 

Quando falam que a Copa do mundo é nossa em 2014, não quer dizer que ela seja nossa, tipo minha e sua, não. Nossa quer dizer deles.

 

Será que daqui a sete anos vamos estar vivos pra saber?

 

Hoje o meu espaço chama sem açúcar…

 

Bráulio,


acrescente enrolada no meu perfil.


Rocha,


foi bom falar com vc!