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Maria e Ayrton

O novo ano está aí, eu ainda estou sob o efeito do i-doser de VIAGRA que eu finalmente consegui baixar hoje cedo, não que eu precise, mas a verdade absoluta é que sempre quando estou extasiado, a primeira imagem que me vem a cabeça (de ambas) é a da rainha dos pintores de áquário e surfistas de microondas Maria das Graças Xuxa Meneghel sussurrando “macio…macio…” em meus desgastados canais auditivos. Jo estoy aqui para hablar con usted cinco cosas que fazem qualquer um no Brasil e agregados do Mercosul gritarem “Xuxa, eu te amo”. “Tá na hora, tá na hora. Pode vir nunca é dimais”. Vamo lá, todo mundo, comigo, contando. Iiiiirraaaaaaaaaaaaaa…

Ilari
Ela é a rainha dos baixinhos.
Foi coroada pela imprensa marrom e o pesadelo daqueles que cresciam antes da hora. Não tinha a menor paciência com crianças arteiras no início da carreira, mas com o tempo e a boa vontade dos puxões de orelha das paquitas, as crianças foram se acalmando. Procurou se esconder em um alter-ego de She-Ha de botas, espartilhos de carnaval, xucões e xuquinhas que faziam qualquer menina de 5 anos pegarem as roupas da mãe e as maquiagens da tia moderninha para se travestir. Os meninos a idolatravam, a única imagem que tínhamos de mulher no início da década de 90 era a da Simony com 6 anos e da Vanderléia. Nossos olhos enchiam de água e nossas bocas também (quem nunca teve vontade de comer aquela uva suculenta no café da manhã…).

lariê
Ela tem uma turma.
Ela foi mais inteligente que os criadores dos sete anões, dos smurfs, das meninas super-poderosas e das renas do Papai Noel. Não sei porque, eu sempre me interessei pela genealogia dos nomes. Tá que a progenitora de todos venha a ser Marlenão Matos, mas é a ELA que eles seguem. São alguns deles: Praga, Dengue, Duda Little, o Moderninho, Frentinha, Xuxo, You Can Dance, as Garotas do Zodíaco, as Irmãs Metralhas, Chupita, Catuxito, Xiquito, Xiquita Sorvetão, Catuxa, Catuxa Jujuba, Pituxa Alemã, Pituxa Pastel, Miuxa, Sasha, Caxuxa e Adriana Bombom. E como diz minha vó, Xupica na maminha, meu filho.

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ô
Ela é macia.
Pelé, Senna (pan pan pan), Szafir e o ator mirim Marcelo Ribeiro provaram e aprovaram. Xuxa passa todas as manhãs mergulhada em uma piscina de Monange e se seca com Personal de Pêssego vitaminado. E dou um doce (a vida é um…) para quem me entregar um potinho com a caca da xuxa…Ela é tão xou que a cada gota de suor que cai no chão, nasce um pé de algodão. Tá, eu exagero às vezes.

ô
Ela viu duendes.
Ela foi a primeira terráquea a ir para o trabalho de espaço nave e convive harmoniosamente em seus filmes com duendes, elfos, fadas contribuindo para nosssa miscigenação racial. Aquém, Xuxa invade nossas telinhas todo o fim de ano com alguma lição da mãe natureza, já que ela tem a habilidade incrível de conversar com animais e plantinhas indefesas. Reza a lenda que em dia de reunião na TV Globo, estavam sentados na mesa Didi, Xuxa e Faustão. Todos queriam ajudar o próximo, então como queriam ser justos resolveram partilhar as atividades filantrópicas da empresa. Xuxa seria a mãe da natureza, Didi como embaixador da Unicef abraçaria as crianças sem esperança, e Faustão…ah…o Faustão puxaria saco das celebridades e adotaria o caçulinha em rede nacional.

ô
Ela resistiu a todos os atentados do demoin.
O cãozinho xuxu que o diga. Ela já foi acusada de levar criancinhas para o mato junto com o Rei Exú, de fazer pacto de sangue com o Zebu, quase pegou fogo junto com milhões de criancinhas no Projac e o “marquei um xis, um xis, um xis no seu coração” foi parar na mão dos disc-jokers açougueiros que inverteram todas as músicas da loira…e ela marcou um SIX, um SIX, e mais um SIX (666) no meio da confusão. Pega capetão.

Então mesmo que você ainda sofra do medo de ter visto sua irmã brincando com a boneca da xuxa (que era absolutamente maior que você), vamo lá, assuma que você se divertia com a loira. E tira essa xuquinha da banguela.

Hum

Crescemos redomados em uma sociedade infundada e dominada pelos gêneros. Se for menina, quero uma bem menina, bonecas parideiras (que cozinhem, passem, comam e até façam cocô) e alguns “eletro-domésticos à pilha” para ela já começar a testar suas receitas de bolinhos de chuva e aquela pipoqueira que mija guaraná e ainda tempera a gosto em pleno fevereiro. Se for menino, quero logo a camisa do timão, quero um saco sujo, uma frota de carros, aviões (e vuuuuuuuuuun), rolimãs (alguém se lembra disso?) e ainda se possível alguma coisa que possa ser esmurrada (de animais de estimação duráveis a sua própria irmã). Agora imaginem vocês essas duas crianças dividindo o mesmo quarto, que beleza! É instintivo que o menino faria a boneca fazer cocô e daria pra irmã falando aquele bolinho de chuva gratinado estava uma delícia e ainda iria convencê-la de que papai só a tinha colocado ali para aprender a ser gente e aprender que chorar faz bem.

É aí que nasce a mulherzinha. O mundo está dominado por elas. Não falo do menino enfadonho que ficou isolado nos intervalos do colégio e sofreu repulsas por nunca ter ido ao mineirão com o seu pai, mas sim da mulher menina moça que não foi criada para responder aos apelos da sociedade, ou melhor, aos anseios dos meninos homens. O fato é que existem as coisas consideradas por natureza de mulherzinhas e as que nascem da relação com o bicho pai ou bicho irmão, alimentando assim sub-mulherzinhas (vá se acostumando porque a palavra mulherzinha não tem sinônimo e não pode ser substituída ao longo do texto), que ainda são submissas ao ponto de confundir educação com dependência (da financeira a sexual).

Mas por outro lado existem aquelas que mesmo fruto da realidade pela qual passamos, atingem maturidade suficiente para se livrar e correr atrás do que quer, sem perder o ideal mulherengo (ou melhor, mulherzinha). Pois eu já vi mulher mulherzinha trabalhando em canteiros de obra, e também já vi homem mulherzinha liderando um país inteiro e descriminando seus iguais (e olha que nem cheguei a citar o bigode do homem).

O fato é que ser mulherzinha não tem gênero, é um deslocamento de atitulde tomando parte ou não de alguma época de sua vida. Por isso, não subestime uma mulherzinha. Elas podem te fazer chorar, e você vai chorar. E elas mentirão sobre si mesmas. E você vai concordar, é claro. E ainda vão fazer de tudo pra ter ver feliz. Mulherzinhas são dóceis e amáveis.

Mamãe mandou você ir jogar bola muleque, vá atirar em alguma rolinha, vá. Não fique aqui me perturbando. Vá vadiar, vá vadiar… E menina do céu, pára de ser galinha, se for andar só com homens, que sejam sete anões. Mulherzinha que é mulherzinha aprende a se virar sozinha e que Darwin tinha razão. E nesse meio papo, contei dezessete mulherzinhas. Pois é, elas não vão sumir, não por agora. Que bom.