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Ela disse que ele disse que ela disse.Você não viu, não escutou, não pegou, não cheirou, não sentiu.Vem então a fé! Primeiro, temos os nossos queridos e grandes contadores de causos: a caixinha mágica em cima da estante, os estandartes nas bancas.

Aí de repente eles nos dizem que são mais confiáveis que o governo. Falam de uma pesquisa em nome estrangeiro. Não que ser mais confiável do que o governo seja lá grandes coisas, ainda mais no Brasil. Mas aí uma vozinha discreta, em meio a tantos www’s, alarma: não é bem assim! E aí? E quem não passeia por esses www’s? E quem ouviu de relance uma noticia tão empacotadinha e de fácil consumo???

De repente, não mais que de repente: outros burburinhos, tão céticos e práticos: Contra a pirataria!!! Milhares de empregos vão acabar com o fim das gravadoras!!! Artistas estão sendo pilhados por todos os lados!!! Ninguém mais está sobrevivendo de música!!! Mas um amigo hoje lembrou: qual foi a última gravadora que você ouviu falar que faliu? Foi por causa do MP3 ou por má administração???!!! E você já ouviu falar de “Pirataria Oficial”???

Então, eis que surge o inegável, o inquestionável, mestre Google! Afinal, quem mais é tão confiável e te dá uma passagem em todos (todos?) os pontos possíveis da grande teia mundial? Pois já que hoje é um dia especial – hoje Chuck Norris faz 68 anos!!! – – ta bom, essa brincadeira acho já ta meio velha, mas mesmo assim é legal – vá até o Google e digite “find Chuck Norris” e logo em seguida clique em “estou com sorte”. E então??? Em quem você confia???

Havaianas


Eu, que estou prestes a conhecer o maior mercado mundial do consumo, tenho me perguntado acerca dessa questão das marcas dos produtos e tals. Será mesmo que uma marca famosa representa um produto efetivamente bom?

Pensei logo no caso das sandálias Havaianas. Tão na mídia, tão fashion e que chama atenção até do Reinaldo Giane. Eu fico me perguntando: Como uma marca conseguiu mudar sua imagem e transformar um produto antes somente popular entre as classes mais baixas em acessório de moda indispensável, vendidas em lojas caras e no exterior?

Um breve histórico: “As legítimas” começaram a ser fabricadas em 1962 pela Alpargatas. A marca foi lançada para a classe média mas acabou caindo no gosto de grande parcela da população mais humilde porque tratava-se de um produto resistente e, o mais importante, barato. A massificação do produto, no entanto, levou a rentabilidade aos menores níveis nos anos 1980 e a empresa precisava tomar atitudes drásticas para que pudessem continuar no mercado. Com a fabricação de um único modelo, a operação corria riscos e não seria apenas mudanças na comunicação que alteraria este cenário. A empresa optou por investir em uma nova imagem, mais sofisticada e voltada para um público mais exigente.

Criou-se então linha Havianas Top que, com novas cores e formatos diferenciados, possibilitou uma segmentação do produto. Em seguida, a distribuição também passou a ser focada em nichos de mercado. Cada ponto de venda recebia um modelo diferente, de acordo com seu target. Outra mudança foi na exposição do produto no ponto de venda. Ao invés das grandes cestas com os pares misturados, acessíveis ao público que antes se destinava, criou-se um display para valorizar o produto e facilitar a escolha, já que agora haveria muito mais opções, e, claro, impulsionar as vendas.

Certamente as várias ações de marketing realizadas contribuíram para o sucesso da marca, mas a principal delas, a meu ver foi adequar seu produto aos gostos da população e agregar um valor diferenciado do produto em relação aos demais. Tanto que a Havaianas não é mais um chinelo de borracha, vendido a 2,99, como tantos por ai: e foi principalmente a preocupação em tornar- se atraente, as novas cores e formatos diferenciados, que fizeram isso. Deixou de ser um chinelo para ser as sandálias Havaianas.

E a moda, por sua vez é isso: expressa uma atitude, um estado de espírito.

Sobre isso, podemos pensar moda como algo que está em constante inovação: os produtos da moda são efêmeros e visando se tornar uma acessório que acompanha essa tendência, a Havaianas submeteu-se a mudanças e foi feliz nesse propósito. Resultado disso é que só em 2006, 160 milhões de pares foram vendidos, dos quais 10% foram para mais de 80 países espalhados pelo mundo. E se antes era apenas um modelo que ia no pé de todo mundo, hoje são 80, dos quais metade são destinados ao exterior e vendidos a preços exorbitantes…