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Na ceninha de Belorizonte já é mais que obrigatório que todo lugar tenha uma festinha new rave por semana. Nada contra: Klaxons, Justice, Simian Mobile Disco, New Rave Kids On The Block e CSS fazem parte dos sets e eu gosto do som deles. O problema é que ainda não está bem certo se é um estilo, uma tendência, apenas um simples apelido ou – a opção que tenho como verdadeira – tudo isso junto.

O termo surgiu aleatoriamente e se tornou hype. A parte legal é que elementos de várias gerações se misturam: roupas coloridas e bastões de néon num clima de festa e bagunça decadente ao som de batidas que embalam o público que dança sem parar às músicas que misturam rock clássico com as novas vertentes do eletrônico.

Acho que tudo começou, na verdade, com o primeiro álbum do LCD Soundsystem, pois eles começaram a misturar rock e e-music de uma maneira eficaz e diferente. De lá pra cá veio o The Rapture (com seu sugestivo nome pra esse contexto) e aí os ingleses do Klaxons. Então, agora, basta uma cor mais forte ou um sintetizador mais forte pra falarem que The Strokes, Clap Your Hands Say Yeah e Arctic Monkeys são new rave! Acho que essa rotulação atirando-pra-todos-os-lados pode fazer do new rave mais um simples termo diante de tantos outros que surgem e desaparecem no mundo da música… E, por outro lado, se ninguém sabe de onde veio qual seria o problema de acabar, right?

Enfim. Pra pressionar o termo a não sumir tem gente que aceita como verbete, outros como gênero musical, outros como moda mesmo. O mais bizarro do movimento new rave é a sua existência inexistente (uau, essa foi a frase mais paradoxal da minha vida). Pois não é um movimento, mas ninguém sabe direito o que é. “É tão subjetivo que é quase uma sensação, um sentimento” alguém me disse outro dia. Puxa, rapaz, talvez meu pai seja new rave e nem saiba.

Havaianas


Eu, que estou prestes a conhecer o maior mercado mundial do consumo, tenho me perguntado acerca dessa questão das marcas dos produtos e tals. Será mesmo que uma marca famosa representa um produto efetivamente bom?

Pensei logo no caso das sandálias Havaianas. Tão na mídia, tão fashion e que chama atenção até do Reinaldo Giane. Eu fico me perguntando: Como uma marca conseguiu mudar sua imagem e transformar um produto antes somente popular entre as classes mais baixas em acessório de moda indispensável, vendidas em lojas caras e no exterior?

Um breve histórico: “As legítimas” começaram a ser fabricadas em 1962 pela Alpargatas. A marca foi lançada para a classe média mas acabou caindo no gosto de grande parcela da população mais humilde porque tratava-se de um produto resistente e, o mais importante, barato. A massificação do produto, no entanto, levou a rentabilidade aos menores níveis nos anos 1980 e a empresa precisava tomar atitudes drásticas para que pudessem continuar no mercado. Com a fabricação de um único modelo, a operação corria riscos e não seria apenas mudanças na comunicação que alteraria este cenário. A empresa optou por investir em uma nova imagem, mais sofisticada e voltada para um público mais exigente.

Criou-se então linha Havianas Top que, com novas cores e formatos diferenciados, possibilitou uma segmentação do produto. Em seguida, a distribuição também passou a ser focada em nichos de mercado. Cada ponto de venda recebia um modelo diferente, de acordo com seu target. Outra mudança foi na exposição do produto no ponto de venda. Ao invés das grandes cestas com os pares misturados, acessíveis ao público que antes se destinava, criou-se um display para valorizar o produto e facilitar a escolha, já que agora haveria muito mais opções, e, claro, impulsionar as vendas.

Certamente as várias ações de marketing realizadas contribuíram para o sucesso da marca, mas a principal delas, a meu ver foi adequar seu produto aos gostos da população e agregar um valor diferenciado do produto em relação aos demais. Tanto que a Havaianas não é mais um chinelo de borracha, vendido a 2,99, como tantos por ai: e foi principalmente a preocupação em tornar- se atraente, as novas cores e formatos diferenciados, que fizeram isso. Deixou de ser um chinelo para ser as sandálias Havaianas.

E a moda, por sua vez é isso: expressa uma atitude, um estado de espírito.

Sobre isso, podemos pensar moda como algo que está em constante inovação: os produtos da moda são efêmeros e visando se tornar uma acessório que acompanha essa tendência, a Havaianas submeteu-se a mudanças e foi feliz nesse propósito. Resultado disso é que só em 2006, 160 milhões de pares foram vendidos, dos quais 10% foram para mais de 80 países espalhados pelo mundo. E se antes era apenas um modelo que ia no pé de todo mundo, hoje são 80, dos quais metade são destinados ao exterior e vendidos a preços exorbitantes…

Menina, acabei de chegar da rua, conversei com o Nascimento e ele falou que o 38 tá na mão.
Paraaaaa tudo e chama a Nasa, como que você conseguiu essa brecha?
Tão comercializando lá na 25, tão vendendo casado com o Tropa de Elite IV…
Mas ta baleada?
Não, acabou de sair da máquina de costura.

Ha, você sabe se tem 44, eu comi um tropeiro ontem menina, que virou a tropa da cEluLITE…

Capitão NascimentoHá glória no filme do diretor José Padilha, Tropa de Elite, considerado o filme brasileiro do ano. Mas porque não o colocar na hall da fama dos filmes hollywoodianos? Justamente porque ninguém discute a saga do Frodo e o anel numa mesa de bar pitando um cigarrinho em círculos, ninguém sai de Matrix se sentindo culpado pela guerra para se livrar do domínio das máquinas e da inteligência artificial, ou muito menos saímos das salas de cinema cantando com os coleguinhas da Highschool aquela música inesquecível do filme:
“Sai da frente,
Lá vem eles minha gente
Agora o chumbo é quente
Eles têm toda a razão (ha, ha, ha!)”.

Pois no Brasil, a ficção não é nada mais do que a encenação do que o jornal não pode mostrar ou do que foi censurado nas novelas. De início, o longa que seria um documentário, só veio a cabeça do diretor José Padilha ao perceber que o conteúdo do livro Elite da Tropa só sairia do papel se fosse encenado, já que pra obter testemunhos daquela grandeza, custaria não só vidas, como patrocínios. Diga-se logo de passagem, que os filmes brasileiros são bem filmados, gastam-se milhões, são patrocinados por leis de incentivos provindas de nossos impostos, e possuem bons atores e atrizes (recém formados nas novelas da Globo) que agradam com personagens que dançam em nossos viver limitado de perfis humanos. Incomodança.
Filmes como Cidade de Deus, Tropa de Elite, Olga, Ilha das Flores, O Homem Do Ano têm a cara do Brasil, lavada e com a barba feita.
E dizem que quando o trem é bom mesmo, cai na boca do povo. E como caiu. Os uniformes do BOPE estão saindo mais que brinco da Jade na época da novela O Clone e maiô engana-mamãe do vestuário da Bebel em Paraíso Tropical. Tragam as caveiras, tragam bacias, tragam algemas, Tropa de Elite virou até fetiche!
A polêmica envolvendo a pirataria do filme nem atrapalhou a exaltação daqueles que preferiram ir ao cinema, gastar o seu dinheirinho, às vezes dando até pra sacrificar com uma pipoquinha, porque ver Tropa de Elite vale a pena! Não que eu tenha preguiça de ler, livros fazem mal para o coração, o legal é ver o sangue escorrer, a bala se desintegrar no corpo alheio, o grito ecoar. E pum, é como se mascássemos o mesmo chiclete por dias e dias na vontade dele acabar, é a necessidade de espremer uma laranja por dia.
Mas e aí, já viu o dois? Não? Estava eu na porta de uma boate, quando olho pra um camelô e estão vendendo não apenas o 2 (a continuação), como o 3 (o retorno) e o 4 (Jason Lives), pois aí está, apesar de coçar a mão e quase sair de lá com os 3 por 15 reais, resolvi antes pesquisar sobre a filmografia.
Na verdade, não se trata de continuações, mas sim de outros filmes, colagens, documentários…
– A “versão 2” por eles comercializada é o documentário Notícias de uma Guerra Particular, do cineasta João Moreira Salles;
– A “versão 3” é apenas uma colagem de vídeos de operações policiais em favelas, principalmente em Niterói;
– A “versão 4” é o filme Quase Dois Irmãos, de Lúcia Murat, com Caco Ciocler no elenco.
Ouvi falar que um homem se suicidou em uma sala de cinema no Recife ao assistir o filme – sentiu o peso da culpa playboy? Eu acredito na idéia de que o Capitão Nascimento, como discípulo de Kant, nada mais é que o futuro da solucionática no plenário. É preciso ter força, é precido ter raça, é preciso ter gana sempre. Assoe e nariz, seja cara-de-pau e não se preocupe com o futuro do país, as melhores árvores que conheci não sabiam o que queriam fazer da vida aos 70 anos de idade.
Em uma entrevista realizada pela revista Veja, 52% dos entrevistados consideraramm o Capitão Nascimento um Herói. Mas em uma era de super-heróis, super-poderes, isso muda alguma coisa? Os heróis brasileiros tem três escolhas: ou ele se corrompe, ou se omite ou vai para a guerra. De bombeiros a bombados, por aqui eles têm vez.
Analogicamente, falar que José Padilha quis defender o BOPE utilizando o macunaíma carioca Capitão Nascimento é o mesmo que dizer que Copolla procurou reconstruir a imagem da máfia italiana em O Poderoso Chefão.
Para ser herói, deve-se acima de tudo:
1. conhecer;
2. motivar-se ou desejar ocupar aquele lugar;
3. ser humilde, mostrando-se um projeto sempre aberto a mais aprendizagens (projeto em devir);
4. ser audacioso (ser da coragem).
5. fazer por merecer
E o prêmio herói metido a vilão brasuca vai para…estão no páreo com o capitão Nascimento: Dom Gerônimo da A Muralha, Laura de Celebridades, o pica-pau, o Sílvio Santos e o Gizmo (dos Gremlins).
E como diz o personagem de Samuel L. Jackson em “Corpo Fechado”: “Por trás de todo grande herói, existe um grande vilão. Não existe um herói sem um vilão”. E pra render o pensamento, com muito fermento debaixo do braço, uma certeza: de médico herói e vilão louco, todo mundo tem um pouco. E ponto final.