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istock_000002664920small.jpgNão sei de vocês, mas eu, pelo menos, tenho poucas memórias minhas fazendo pesquisa numa biblioteca. E de alguma forma, em 100% dessas poucas memórias, eu digitava o tema num computador amarelo claro, com um sistema mais lento que… (…sei lá!), e ia na estante TENTAR achar o livro com aqueles códigos de 35 caracteres, entre números, letras e símbolos muito especiais. A internet chegou à minha casa – eeeee – assim que as coisas no colégio começaram a ficar difíceis o suficiente a ponto de requererem pesquisa. (Requererem?).

Hoje em dia, nas madrugadas que antecedem as provas, pesquisando conceitos tão básicos que nem o livro da faculdade se dá ao trabalho de explicar, eu penso em como as pessoas faziam antigamente. O volume de informação ao qual eu tenho acesso a qualquer hora, em qualquer lugar, supera – com folga – qualquer mochila extremamente pesada de livros emprestados da biblioteca.

Pesquisar na internet é tão confortável que a gente, muitas vezes, nem se dá conta de que está, efetivamente, pesquisando… Até, claro, você se encontrar na situação em que me encontro… Depois de tardes e noites gastas, depois de um zilhão de páginas visitadas, de milhões de cadastros feitos… Eu concluo: O Google ficou burro pra mim. Ele não me entende mais. Eu o superei.

O que eu digito é muito complexo? “Projeto de extensor KVM”?

Será que tem livro disso na biblioteca?… Eu penso, puto.

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Marina estava eufórica. Há anos aguardava aquele momento e mal podia esperar pelo instante em que passaria por aquela porta. Poderia ter escolhido o caminho de radiojornalista ou de repórter de rua, mas não, sua escolha fora bem diferente da que todos imaginavam – inclusive ela mesma.

Sempre dissera ser ótima redatora. Produzia belos textos, sua imaginação fluía como nenhuma outra. Até livros chegara a escrever. Ah, aquela bela história sobre contos de fadas que pôde redigir com seus colegas em pleno segundo ano colegial… ficara na história e em sua memória. Mas a vida não permitiu que ela seguisse os seus sonhos, não permitiu que ela seguisse com o gravador na mão.

Hoje Marina continua a lidar com a imprensa. Mas lida do lado de cá. Atende jornalistas, procura publicações, vende matérias, relaciona-se com repórteres. Envia releases, clipa notícias e tem metas a cumprir. Ela não se arrepende. Gosta do que faz. Mas sonhava em seguir outra vida. Lembra-se com carinho de seus estágios na época da faculdade. Falava de boca cheia que queria muito voltar à redação. Voltou. Mas não permaneceu.

Seus colegas de curso tomaram rumos bem distintos. Gabriele não seguiu no jornalismo, hoje trabalha com eventos. Rafaela queria muito trabalhar com comunicação empresarial, mas não deu certo – hoje lida com fotojornalismo. Michelle nem seguiu na profissão, foi morar no exterior. É tradutora e professora de Mandarim. Joana seguiu no que sempre sonhara, trabalha numa grande emissora no programa de esportes. Ricardo virou editor de um dos maiores jornais do Estado e dá um show no caderno de cultura. Pedro virou assessor da própria faculdade. Fabrício acabou mudando-se para São Paulo, é crítico de cinema. Tudo a ver com ele. E Marina?

Marina continua em Porto Alegre. Fez cursos, se especializou. Ficou por alguns anos trabalhando em uma revista nacional. Tudo o que sempre quis. Afastou-se por um bom tempo do tão adorado jornalismo cultural, mas voltou. Entretanto, as circunstâncias da vida a trouxera de volta ao universo dos AI’s – assessores de imprensa. Ela se lembra com carinho dos primeiros aprendizados enquanto estagiária de comunicação. Mal sabia redigir um release e hoje tira de letra qualquer resposta a um jornalista mal informado (ou intencionado, vai saber!).

A verdade é que Marina se encontra muito bem no cargo que exerce em sua profissão. Se sente realizada e feliz. Defende seu superior no que for preciso e não deixa jamais o código deontológico de lado. É ética! E às vezes peca por isso – é que nem todo mundo vê tal atitude com bons olhos…

Agora, não sei se Marina se comporta assim por ser uma profissional exemplar por si só ou porque gostaria muito de estar no lugar dos jornalistas das diversas redações que recebem seus releases quase todos os dias. Sinto que ela queria muito poder receber um release e ir além. Pesquisar, ligar para as fontes (não fornecer a fonte) e produzir um material de interesse público a sair no jornal no dia seguinte… Mas Marina é feliz e isso é o que vale!

A indagação do dia? Por que sempre deixamos de ver o lado bom das coisas? Por que o ser humano tende ao negativismo, ao pessimismo e à constante diminuição de si mesmo? É preciso acreditar em si. No seu potencial… Marina pode ser você amanhã. Ou eu, vai saber!

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Hoje, prometo, eu nao vou falar do Google…

Agora é tarde. Damn it!

Mas essa semana eu tive um insight.

Meu professor estava comentando umas coisas sobre a “época” dele e me veio esse pensamento: O quão diferentes nós somos das pessoas que viviam sem computador?… Ah, é. Eu devo me atentar à realidade do mundo e reformular a questão: O quão diferentes nós somos das pessoas que VIVEM sem computador?

É a questão… E por falar nisso, acabei de lembrar, eu, definitivamente, ODEIO questões de trailers de filmes. Tipo: “Se você pudesse mudar o futuro… se você pudesse destruir o passado… você desistiria do presente para salvar a pessoa que você amou?…”. hahaha… Sei lá!

A maior parte das pessoas que eu conheço (e isso inclui eu mesmo) viveu a transição. Os PCs vieram de nenhum lugar, não me lembro. Mas um dia eles estavam ali. Surpreendentemente, os professores pararam de fazer aquelas provas roxas cheirando de álcool no mimiógrafo. Agora, eles podem marcar a data de entrega de um trabalho pra sábado à noite. Sem problema. Ou com problema. É só fazer o upload no moodle. Na engenharia, em especial, nós sentimos a diferença que uma dessas calculadoras HP da vida podem fazer. Nossa “profissão”, inclusive, nem existiria se não existissem computadores. Pessoalmente, depois que o Senhor Windows 95 chegou à minha casa, eu virei uma criança melhor. Eu parei de assistir a 12 horas de televisão por dia e aprendi a programar as coisas pra poder ficar, no computador, 16 horas por dia.

Essas pessoas de 20 e poucos anos viveram os trabalhos de tarde na biblioteca. Depois experimentaram as buscas em “1 ou 2 minutos” do Cadê. Essas pessoas viram outras pessoas pararem de comprar CDs e gravarem as músicas boas da rádio numa fita cassete…

E assim como não existe mais o romantismo (e o trabalho) de fazer uma fita mixada pra alguém (tipo a gente vê em filmes), a vida vai mudando. Às vezes, eu fico meio desesperado com isso, mas na maior parte do tempo, eu nem me dou conta de como a vida é diferente agora. O Lucas criança vivia nos anos 90 e assistia Chaves e todos os desenhos da televisão… O Lucas de 2000… Bem… o Lucas de 2000 assiste Chaves e todas as séries da televisão. Com exceções, mas a vida mudou.

Eu já achei ter e-mail uma besteira… E alguém lembra de como você fazia pra encontrar com as pessoas quando ninguém tinha celular?…

Sei lá.

Talvez todas as gerações tenham passado por mudanças drásticas no mundo como essas. Ou talvez as crianças de hoje nunca pensem no que eu estou pensando. Muito provavelmente eu vou ser aquele tipo de velho que começa todas as frases com “no meu tempo”… O fato é que nós, que usamos computadores, fazemos tudo de um jeito diferente. Nós pensamos de um jeito diferente e aprendemos de um jeito diferente. Agora, o foco é outro na faculdade, por exemplo. Nós aprendemos softwares!… Nós não precisamos saber fazer divisão com zeros TÃÃÃO bem. Ninguém precisa assistir ao Jornal Nacional ou comprar a Veja. Ninguém nem precisa sair de casa se quer conhecer pessoas…

E nós quase nunca vemos alguns dos nossos melhores amigos.

Isso não te soa estranho?