Posts Tagged ‘música’

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Eles de novo. A banda britânica Radiohead divulgou nesta terça-feira (1º) uma nova iniciativa para divulgar seu álbum In Rainbows, desta vez os fãs poderão remixar o novo single Nude. Essa iniciativa faz parte de uma parceria com a loja virtual do Itunes e o software de edição Garage Band.
Os fãs podem comprar cinco partes da música (guitarra, voz, baixo, efeito e bateria) e enviarem as faixas mixadas para o site radioheadremix.com onde todos poderão votar em suas versões preferidas.
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A banda no ano passado surpreendeu todo o mundo deixando a critério dos fãs a decisão de quanto pagariam para fazer o download do novo cd In Rainbows, sem contudo perder a legibilidade já que o cd se manteve no topo das paradas de vendas por algumas semanas.

Chris Anderson, editor-chefe da revista Wired, uma das publicações mais respeitadas em termos de inovação, publicou em seu livro A Cauda Longa (Campus/Elsevier) sua teoria que demonstra que o desenvolvimento tecnológico, ao tornar cada vez menos fundamental o meio físico, propicia a mudança de foco da cultura e da economia: os best-sellers passam a ter tanta importância no mercado quanto os produtos de nicho.

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A banda mineira Pato Fu lançou no ano passado seu nono cd Daqui pro Futuro pela internet para que os fãs pudessem baixar as faixas individualmente, alcançando recordes de downloads na UOL Megastore. O lançamento do cd físico só veio um mês depois, quando as músicas já estavam na ponta da língua dos fãs.

Estaríamos entrando em um universo sem controle tal como queriam os anarquistas? A verdade é que a internet desmitifica a hierarquia da informação. Ela coloca lado a lado hits e nichos de mercado, reduz consideralvelmente o tempo de resposta dos receptores. É cada macaco no seu galho e todos conectados on-line. Viva o amadorismo concreto. Viva a vanguarda dos meios eletrônicos. Viva a criatividade.

 

Beeeeeeeeeeeeeeeeeeeeh. Esse mês tem reunião 25. Cai numa sexta-feira (25/04). Preparem suas línguas, seus corações e suas cabeças. O blog precisa de idéias novas. Diretas já!

Canções como “Wake Up Alone” da Amy Winehouse e “No Pressure Over Cappuccino” da Alanis Morissette têm o poder de me deixar pra baixo, meio melancólico ou – como minha mãe insiste em rotular – deprimidinho. Mas, para minha sorte, a modinha do verão é ouvir feel-good songs! Pense nas baladinhas dos Cardigans e dos White Stripes. “Keep Fishing”, do Weezer, também.

Sim, as feel-good songs voltaram com tudo – odeio essa expressão. Geralmente são musiquinhas folk com violões simples e pianos, que trazem um ar retro. Mocinhas bonitinhas cantam lindamente letras também bonitinhas sobre coisinhas do dia-a-dia. Relacionamentos, rotina, amores, animais de estimação. Elas não cantam nem tocam mal e as músicas são feitas pra gente ouvir e ficar alegre. Algumas ainda nos dão a chance de soltar uns palavrões e dar uns gritos.

E eu estou adorando. Essa onde está me fazendo bem, eu acho. Gosto de letras doces e de arranjos simples – e as duas coisas estão vindo agora juntas. Começou com Feist. Desde a propaganda daquele perfume da Lacoste a música não saía da minha mente. Depois veio Regina Spektor, minha a favorita do estilo. As letras são ótimas, ela canta sobre amores, família, cultura, história, drogas e religião. Tem pianinho, guitarrinhas, beat box e batuques em cadeiras. Ela é bonita e tem senso de humor.

Também entram na lista Fiona Apple (pouca coisa, na verdade) e Kate Nash (foto) – que descobri recentemente e ando viciado. No Brasil, acho que o CD solo da Fernanda Takai – que eu recomendo – serve muito bem de exemplo. Bem mais da metade dele tem o frescor dessas músicas pra ser feliz. E, aliás, tem show dela no final do mês.

Esse ar infantil das canções é tão legal! Refletem meu estado atual, sabe 🙂

Na ceninha de Belorizonte já é mais que obrigatório que todo lugar tenha uma festinha new rave por semana. Nada contra: Klaxons, Justice, Simian Mobile Disco, New Rave Kids On The Block e CSS fazem parte dos sets e eu gosto do som deles. O problema é que ainda não está bem certo se é um estilo, uma tendência, apenas um simples apelido ou – a opção que tenho como verdadeira – tudo isso junto.

O termo surgiu aleatoriamente e se tornou hype. A parte legal é que elementos de várias gerações se misturam: roupas coloridas e bastões de néon num clima de festa e bagunça decadente ao som de batidas que embalam o público que dança sem parar às músicas que misturam rock clássico com as novas vertentes do eletrônico.

Acho que tudo começou, na verdade, com o primeiro álbum do LCD Soundsystem, pois eles começaram a misturar rock e e-music de uma maneira eficaz e diferente. De lá pra cá veio o The Rapture (com seu sugestivo nome pra esse contexto) e aí os ingleses do Klaxons. Então, agora, basta uma cor mais forte ou um sintetizador mais forte pra falarem que The Strokes, Clap Your Hands Say Yeah e Arctic Monkeys são new rave! Acho que essa rotulação atirando-pra-todos-os-lados pode fazer do new rave mais um simples termo diante de tantos outros que surgem e desaparecem no mundo da música… E, por outro lado, se ninguém sabe de onde veio qual seria o problema de acabar, right?

Enfim. Pra pressionar o termo a não sumir tem gente que aceita como verbete, outros como gênero musical, outros como moda mesmo. O mais bizarro do movimento new rave é a sua existência inexistente (uau, essa foi a frase mais paradoxal da minha vida). Pois não é um movimento, mas ninguém sabe direito o que é. “É tão subjetivo que é quase uma sensação, um sentimento” alguém me disse outro dia. Puxa, rapaz, talvez meu pai seja new rave e nem saiba.

Verdades cantadas

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Conversa de brincadeira que ficou séria: eu e amigas selecionando as maiores verdade contidas em aguma canção. Primeiro pensei em algumas cujos títulos já são auto-explicativos, como “Love is a Losing Game” (Amy Winehouse). Mas bolei uma listinha pro blog. Eu fiquei um tempão pensando se publicava ou não – pois provavelmente vou lembrar de outras 50 daqui a pouco.

Pecado é Lhe Deixar de Molho (Tribalistas): A primeira frase da canção: “Falados os segredos calam”. Adoro essa. Acho tão verdadeira: sempre que algo até então escondido é exposto há um momento de silêncio – que serve pra coisas diferentes dependendo da pessoa.

Best Of You (Foo Fighters): “Você nasceu pra resistir ou ser abusado?”, pergunta a música. E o clipe ainda dá mais poder pra canção, com cenas muito bonitas de coisas delicadas ou agressivas.

Dindi (Tom Jobim): Mais pro final, ele fala para a amada “Ah, Dindi, se um dia você for embora, me leva contigo, Dindi”. É tão sincero. Essa é uma das mais simples e, porém, mais belas canções dele.

 All you need is love (The Beatles), All is Full of Love (Björk) e Real Love (John Lennon): As frases que dão título às duas primeiras canções são realmente poderosas e resumem muita coisa, não? No final das contas – como já foi discutido nesse blog – o que todos querem ter é amor. Mas muitos se esquecem que ele já está aí, em todo lugar. É preciso confiar. E a de John Leenon passa segurança: quando o amor é real, não existe medo nem solidão.

Links: Amy Winehouse cantando “Love is a Losing Game” aqui, Regina Spektor cantando “Real Love” aqui, clipe de “The Best Of You” (Foo Fighters) aqui, “Dindi” com Jobim e Gal Costa aqui, Björk aqui e Beatles aqui. 🙂

Há muito tempo eu escuto esse papo furado
Dizendo que o samba acabou
Só se foi quando o dia clareou

VIOLA, Paulinho. Eu Canto Samba

 

Quando era pequerrucha, domingo de manhã era dia de acordar cedo pra aproveitar que todo mundo estava em casa. Como desde sempre a preguiça me acompanhava, existia uma técnica bolchevique: música no último volume. Domingo era dia de pegar os vinis que ficavam no armário da copa e acordar ao som de Chico, Francis Hime, João Gilberto, Paulinho da Viola e Pink Floyd (tá, vai entender…). Eu ficava um pouco nervosa nos cinco primeiros minutos, mas logo depois já pegava minha pipa pra ir à Pça. do Papa. Eis que cresci, mas o gosto ficou. Sim, a estranha no colegial, com sua coleção de vinis antigos. Sempre achei uma pena o preconceito que as pessoas nutrem religiosamente por tudo que é brasileiro, genuinamente brasileiro. O maior exemplo disso é o samba… Cartola, Bezerra da Silva, Zé Kéti, Leci Brandão (isso pra não falar nos mais desconhecidos) andam perambulando por aí, de universidade em universidade, de escola de samba em escola de samba.

Minha surpresa foi então quando vi que a MTV (sim, aquela mesma que promoveu BSB, Avril Lavigne e hoje tem entre os top 10 o NX Zero) lançou um acústico do Paulinho da Viola. Lindo, lindo, lindo! Me pego pensando se existe por aí alguma garotinha, emo que só, ouvindo em casa Paulinho e descobrindo que mora num país de gente excepcionalmente genial. Sei que não tenho muita autoridade pra falar porque conheço pouquíssimo do que se produz fora da América Latina, mas que me perdoem os roqueiros: o samba é fundamental!

Ps: fica o convite pras atividades do FAN (Festival de Arte Negra) que tá rolando aqui. Imperdível!!!

 

Natalie Portman é uma das mulheres mais bonitas de todo o mundo (mesmo careca), uma excelente atriz (mesmo careca!) e, agora posso afirmar, dona de um gosto musical impecável – que provavelmente não mudaria caso ela estivesse careca.

A moça foi uma das escolhidas para fazer um coletânea beneficente que está sendo vendida no site iTunes desde o começo do mês. A renda será revertida para a Finca, uma entidade que promove empréstimos para empreendimentos de pessoas de baixa renda em diversos países. Entre os selecionados pela morena (ou loira, ou pink, ou careca) estão Antony & the Johnsons, Rogue Wave, The Shins, Sean Hayes e até o brasileiro Curumin – atualmente em turnê com a (supervalorizada) cantora Céu. Algumas músicas são exclusivas.

Incrível, não? Não basta ser ótima atriz e linda, tem ainda que ter consciência social? Puxa vida. Acho isso tão bacana. Olho ao redor e vejo um tanto de gente que pensa que faz bem pro mundo simplesmente pois não faz nada de errado. “Eu não roubo, eu não mato”. Como se isso fosse suficiente. Não fazer coisas ruins não é sinônimo de fazer coisa boa, certo? Bando de preguiçosos reativos. Bom, mas essa coluna nem era sobre isso. Voltemos às músicas…

Pensando que ela escolheu 16, não sei a ordem e quais exatamente, mas eu provavelmente incluiria na minha “Intervention”, “Open Your Eyes”, “Us”, “A Lack Of Color, “July”… Mas as perguntas são: você pagaria para baixar músicas? Nem pelo contexto social? Você gostou da seleção dela? E da minha? Qual seria a sua coletânea? Qual o sentido da vida?

 

magnoliaAbracei Magnólia. O calor regado pela fumaça dos veículos transmitiam o retorno para a casa.
Todos aguardavam ansiosos o último episódio da novela das 8, quem morreu, Paula ou Thaís? Quem matou?
Segurei forte a sua mão, sussurei alguma coisa carinhosa em seu ouvido e fomos caminhar um pouco. Passei pela Praça da Sé afim de pegar a última sessão do dia em alguma loja de eletrodomésticos ainda aberta. Estávamos perto do Natal, ou seria outra data comercial, ainda não sei, prefiro ser meu próprio relógio, quem governa é o coração.
As pessoas agem como se estivessem em um jogo de xadrez, movimentam-se com facilidade, e no final da noite sentam e dormem, satisfeitos pelo fato de terem preservado a rainha. A mulher é o futuro do homem. Minha doce, Magnólia.
Paro em frente à TV 29″ ainda ligada das Casas Bahia, o preço continua imbatível, mesmo não sabendo ler eu sei disso , de números eu entendo. Passei boa parte de minha vida por conta deles. O bonner e a fátima continuam formando um belo casal (diga-se dupla), suspiro com os lábios entreabertos, mas ainda distorcem suas fisionomias ao falar do terror que estamos acostumados a ver nos filmes. Morei em Hong Kong há três anos, aprendi a cantar em mandarim, a comer de pauzin e a pular com duas cordas, coisas que não são fáceis para um velho de 79 anos. Nasci no sertão nordestino, aprendi a andar com minha cachorra Baleia, saí de Itapioca para o mundo. São oito da noite e já fazem alguns dias que não coloco nada na boca, a não ser o mel que sai da boca de Magnólia. Ela respira por mim, faz do meu corpo um lance de chamas, um botão prestes a ser confortado por uma blusa de lã. Eu e ela sabemos que amar é demodê sim, mas quem se importa com tamanho descrédito para o que sentimos?
Andei pelas ruas, passo por um vira-lata, parecia estar perdido, faço um esforço para que ele ouça meus pensamentos, que saiba que alguém nesse mundo olha por e para ele. Magnólia o conhecia muito bem, já que o chamou pelo nome, mas ele mal pôde nos ver, pois tinha sobre os olhos uma camada branca, cicatrizada pelo tempo. Observamos seu caminhar macio sobre a calçada, passos cansados, sábios por percorrer tantas vezes o mesmo caminho. Ele pára em frente a uma estante de frangos assados de uma grande padaria, suor escorrendo, ainda dá pra ouvir a pele estourando e o barulho das engrenagens. Por ali ele permanece por várias horas, somos todos tele-espectadores do mesmo canal.
Resolvo voltar para casa, Magnólia foi fazer companhia para o amigo dos passos cansados. Voltei um pouco desolado, mas eu teria que voltar para casa, não aguentaria acompanhá-la por muito mais tempo….

 

Continua na próxima semana.
Esta parte da história foi baseada na letra da música Baader-meinhof Blues da Legião Urbana, por aqui.

Olá, eu sou o Braulio, escrevo aqui todas as terças.
O nome da minha coluna é EMUNDO, e vou tentar colocar aqui músicas, filmes, notícias que eu pego por aí traduzidos por alguns trocadilhos modernos. Viva la comunication.