Posts Tagged ‘pirataria’

Ela disse que ele disse que ela disse.Você não viu, não escutou, não pegou, não cheirou, não sentiu.Vem então a fé! Primeiro, temos os nossos queridos e grandes contadores de causos: a caixinha mágica em cima da estante, os estandartes nas bancas.

Aí de repente eles nos dizem que são mais confiáveis que o governo. Falam de uma pesquisa em nome estrangeiro. Não que ser mais confiável do que o governo seja lá grandes coisas, ainda mais no Brasil. Mas aí uma vozinha discreta, em meio a tantos www’s, alarma: não é bem assim! E aí? E quem não passeia por esses www’s? E quem ouviu de relance uma noticia tão empacotadinha e de fácil consumo???

De repente, não mais que de repente: outros burburinhos, tão céticos e práticos: Contra a pirataria!!! Milhares de empregos vão acabar com o fim das gravadoras!!! Artistas estão sendo pilhados por todos os lados!!! Ninguém mais está sobrevivendo de música!!! Mas um amigo hoje lembrou: qual foi a última gravadora que você ouviu falar que faliu? Foi por causa do MP3 ou por má administração???!!! E você já ouviu falar de “Pirataria Oficial”???

Então, eis que surge o inegável, o inquestionável, mestre Google! Afinal, quem mais é tão confiável e te dá uma passagem em todos (todos?) os pontos possíveis da grande teia mundial? Pois já que hoje é um dia especial – hoje Chuck Norris faz 68 anos!!! – – ta bom, essa brincadeira acho já ta meio velha, mas mesmo assim é legal – vá até o Google e digite “find Chuck Norris” e logo em seguida clique em “estou com sorte”. E então??? Em quem você confia???

Menina, acabei de chegar da rua, conversei com o Nascimento e ele falou que o 38 tá na mão.
Paraaaaa tudo e chama a Nasa, como que você conseguiu essa brecha?
Tão comercializando lá na 25, tão vendendo casado com o Tropa de Elite IV…
Mas ta baleada?
Não, acabou de sair da máquina de costura.

Ha, você sabe se tem 44, eu comi um tropeiro ontem menina, que virou a tropa da cEluLITE…

Capitão NascimentoHá glória no filme do diretor José Padilha, Tropa de Elite, considerado o filme brasileiro do ano. Mas porque não o colocar na hall da fama dos filmes hollywoodianos? Justamente porque ninguém discute a saga do Frodo e o anel numa mesa de bar pitando um cigarrinho em círculos, ninguém sai de Matrix se sentindo culpado pela guerra para se livrar do domínio das máquinas e da inteligência artificial, ou muito menos saímos das salas de cinema cantando com os coleguinhas da Highschool aquela música inesquecível do filme:
“Sai da frente,
Lá vem eles minha gente
Agora o chumbo é quente
Eles têm toda a razão (ha, ha, ha!)”.

Pois no Brasil, a ficção não é nada mais do que a encenação do que o jornal não pode mostrar ou do que foi censurado nas novelas. De início, o longa que seria um documentário, só veio a cabeça do diretor José Padilha ao perceber que o conteúdo do livro Elite da Tropa só sairia do papel se fosse encenado, já que pra obter testemunhos daquela grandeza, custaria não só vidas, como patrocínios. Diga-se logo de passagem, que os filmes brasileiros são bem filmados, gastam-se milhões, são patrocinados por leis de incentivos provindas de nossos impostos, e possuem bons atores e atrizes (recém formados nas novelas da Globo) que agradam com personagens que dançam em nossos viver limitado de perfis humanos. Incomodança.
Filmes como Cidade de Deus, Tropa de Elite, Olga, Ilha das Flores, O Homem Do Ano têm a cara do Brasil, lavada e com a barba feita.
E dizem que quando o trem é bom mesmo, cai na boca do povo. E como caiu. Os uniformes do BOPE estão saindo mais que brinco da Jade na época da novela O Clone e maiô engana-mamãe do vestuário da Bebel em Paraíso Tropical. Tragam as caveiras, tragam bacias, tragam algemas, Tropa de Elite virou até fetiche!
A polêmica envolvendo a pirataria do filme nem atrapalhou a exaltação daqueles que preferiram ir ao cinema, gastar o seu dinheirinho, às vezes dando até pra sacrificar com uma pipoquinha, porque ver Tropa de Elite vale a pena! Não que eu tenha preguiça de ler, livros fazem mal para o coração, o legal é ver o sangue escorrer, a bala se desintegrar no corpo alheio, o grito ecoar. E pum, é como se mascássemos o mesmo chiclete por dias e dias na vontade dele acabar, é a necessidade de espremer uma laranja por dia.
Mas e aí, já viu o dois? Não? Estava eu na porta de uma boate, quando olho pra um camelô e estão vendendo não apenas o 2 (a continuação), como o 3 (o retorno) e o 4 (Jason Lives), pois aí está, apesar de coçar a mão e quase sair de lá com os 3 por 15 reais, resolvi antes pesquisar sobre a filmografia.
Na verdade, não se trata de continuações, mas sim de outros filmes, colagens, documentários…
– A “versão 2” por eles comercializada é o documentário Notícias de uma Guerra Particular, do cineasta João Moreira Salles;
– A “versão 3” é apenas uma colagem de vídeos de operações policiais em favelas, principalmente em Niterói;
– A “versão 4” é o filme Quase Dois Irmãos, de Lúcia Murat, com Caco Ciocler no elenco.
Ouvi falar que um homem se suicidou em uma sala de cinema no Recife ao assistir o filme – sentiu o peso da culpa playboy? Eu acredito na idéia de que o Capitão Nascimento, como discípulo de Kant, nada mais é que o futuro da solucionática no plenário. É preciso ter força, é precido ter raça, é preciso ter gana sempre. Assoe e nariz, seja cara-de-pau e não se preocupe com o futuro do país, as melhores árvores que conheci não sabiam o que queriam fazer da vida aos 70 anos de idade.
Em uma entrevista realizada pela revista Veja, 52% dos entrevistados consideraramm o Capitão Nascimento um Herói. Mas em uma era de super-heróis, super-poderes, isso muda alguma coisa? Os heróis brasileiros tem três escolhas: ou ele se corrompe, ou se omite ou vai para a guerra. De bombeiros a bombados, por aqui eles têm vez.
Analogicamente, falar que José Padilha quis defender o BOPE utilizando o macunaíma carioca Capitão Nascimento é o mesmo que dizer que Copolla procurou reconstruir a imagem da máfia italiana em O Poderoso Chefão.
Para ser herói, deve-se acima de tudo:
1. conhecer;
2. motivar-se ou desejar ocupar aquele lugar;
3. ser humilde, mostrando-se um projeto sempre aberto a mais aprendizagens (projeto em devir);
4. ser audacioso (ser da coragem).
5. fazer por merecer
E o prêmio herói metido a vilão brasuca vai para…estão no páreo com o capitão Nascimento: Dom Gerônimo da A Muralha, Laura de Celebridades, o pica-pau, o Sílvio Santos e o Gizmo (dos Gremlins).
E como diz o personagem de Samuel L. Jackson em “Corpo Fechado”: “Por trás de todo grande herói, existe um grande vilão. Não existe um herói sem um vilão”. E pra render o pensamento, com muito fermento debaixo do braço, uma certeza: de médico herói e vilão louco, todo mundo tem um pouco. E ponto final.