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“Carnaval would be tragic if it weren’t funny.” – Hitchcock

Uma semana para o carnaval e a virada do ano praqueles que vivem e presumem todos os feriados que terão do trabalho-família-cachorro-relógio-cama-chuveiro-arrozcomfeijão-emacarrão no segundo dia do ano. Carnaval por aqui em mins (MG) vira antônimo de mulata sambando with lasers na Sapucaí, isso tudo é coisa para atrair os gringos. Carnaval pro bom brasileiro agora é rua, ladeira, micareta, baile funk (e quem deu nome a isso de baile, me explica)… samba, epa, samba também é pros gringos.
O carnaval ganhou um pouco de pudor… Digo isso porque como as coisas andam, o brasileiro já deveria ter perdido a inocência quanto a nudez exposta na televisão, parar de colocá-la como ícone cultural para ser vislumbrada somente em peças de teatro. A gringa, que se ruborizava frente às mulatas e biquínis brasileiros, hoje televisionam cenas de nudez até mesmo em canal aberto. E por que o pudor? Qual a graça em ver um desfile com a rainha de bateria camuflada de pavão? Devemos repugnar é a zoofilia.
Não posso falar de carnaval com tanta veemência quanto uma cuíca armada ou alguém da velha guarda da Portela, eu era o do sofá. De ficar vendo o desfile em casa com a família, de amargurar o desfile de algumas escolas com raios de pensamentos malcriados e decorar o samba-enredo da Mocidade como se eu morasse em Padre Miguel. Eu era o da gringa. Mas depois percebi que o carnaval, assim como qualquer outro feriado, nada mais era do que uma dispersão de pensamentos para quem nada queria pensar, mas fazer. Tornou-se o ápice de viver a vida e criar vidas, e o ministério da saúde adverte: a igreja não entende nada de sexo.

Carnaval esse ano cai no dia 5 (terça-feira) e tem sempre um jeito de emendar ali, costurar aqui para que o batuquê se prolongue. A data acompanha os sete domingos que antecedem a Páscoa também conhecida como fugadoshebreus-ressureiçãodecristo-mudançadeestação-primeirodomingodeluacheiaapós21demarço – “você sabia?”.
Querendo ou não, pelas bandas de cá (de minas), o carnaval começa cedo nos guetos e ladeiras das cidades históricas, que é gerado pelo buzz marketing (o boca a boca), isso sim que é o carnaval do pão de queijo (por aqui, escolas de samba têm razões sociais e não culturais).
São cinco dias para fugir, do Nepal ao sofá da casa de seus pais, do “vamos pra cachoeira” ao butequê da esquina, do EGO ao ID. É QUASE uma copa do mundo, até os comentaristas da globo estão lá, para que você não perca sequer um lance e nem se atrapalhe na hora de empurar as bolas pra dentro do gol.

Há muito tempo eu escuto esse papo furado
Dizendo que o samba acabou
Só se foi quando o dia clareou

VIOLA, Paulinho. Eu Canto Samba

 

Quando era pequerrucha, domingo de manhã era dia de acordar cedo pra aproveitar que todo mundo estava em casa. Como desde sempre a preguiça me acompanhava, existia uma técnica bolchevique: música no último volume. Domingo era dia de pegar os vinis que ficavam no armário da copa e acordar ao som de Chico, Francis Hime, João Gilberto, Paulinho da Viola e Pink Floyd (tá, vai entender…). Eu ficava um pouco nervosa nos cinco primeiros minutos, mas logo depois já pegava minha pipa pra ir à Pça. do Papa. Eis que cresci, mas o gosto ficou. Sim, a estranha no colegial, com sua coleção de vinis antigos. Sempre achei uma pena o preconceito que as pessoas nutrem religiosamente por tudo que é brasileiro, genuinamente brasileiro. O maior exemplo disso é o samba… Cartola, Bezerra da Silva, Zé Kéti, Leci Brandão (isso pra não falar nos mais desconhecidos) andam perambulando por aí, de universidade em universidade, de escola de samba em escola de samba.

Minha surpresa foi então quando vi que a MTV (sim, aquela mesma que promoveu BSB, Avril Lavigne e hoje tem entre os top 10 o NX Zero) lançou um acústico do Paulinho da Viola. Lindo, lindo, lindo! Me pego pensando se existe por aí alguma garotinha, emo que só, ouvindo em casa Paulinho e descobrindo que mora num país de gente excepcionalmente genial. Sei que não tenho muita autoridade pra falar porque conheço pouquíssimo do que se produz fora da América Latina, mas que me perdoem os roqueiros: o samba é fundamental!

Ps: fica o convite pras atividades do FAN (Festival de Arte Negra) que tá rolando aqui. Imperdível!!!