Posts Tagged ‘sexo’

Depois de boas semanas de pegação e conversas bobas, as coisas começam a fica mais sérias. As conversas mais profundas, as saídas mais freqüentes e chega a hora de conhecer onde a outra pessoa mora.

E você entra sem pedir licença mas acanhado. Tenta olhar tudo sem parecer estar olhando e vocês seguem pro quarto. Rola um papo casual enquanto guardam as compras, bolsas, casacos ou mochilas e você olha. Ali está! A prateleira de livros.

Você não necessariamente torce pra encontrar nenhum em especial. Você passa os olhos tentando identifica-los pela lateral de escritos verticais. Vendo se há alguma ordem ali, se estão organizados por título, autor, sobrenome do autor ou aleatoriamente. E então acontece; você vê seu livro favorito na prateleira. Meio minuto depois vocês já estão fazendo sexo.

Livros favoritos são complicados. Pense nos seus. Faça uma boa lista e depois vá até sua prateleira. Quantos deles você tem em casa? Quantos livros mudaram sua vida e pertencem a bibliotecas ou amigos? Esse é o motivo da excitação. O outro achou esse livro tão bom que ele o tem em casa. Ele! O livro! Em casa!

Não é nada superficial. Encontrar Zibia Gaspareto na estante de alguém não é broxante. Mas achar um Mark Twain ou Gustave Flaubert é pra lá de excitante – se a pessoa já tem outros pré-requisitos, claro. Isso se chama “tesão cultural” e “penetração intelectual”.

hitchcock_alfred2.jpg
“Carnaval would be tragic if it weren’t funny.” – Hitchcock

Uma semana para o carnaval e a virada do ano praqueles que vivem e presumem todos os feriados que terão do trabalho-família-cachorro-relógio-cama-chuveiro-arrozcomfeijão-emacarrão no segundo dia do ano. Carnaval por aqui em mins (MG) vira antônimo de mulata sambando with lasers na Sapucaí, isso tudo é coisa para atrair os gringos. Carnaval pro bom brasileiro agora é rua, ladeira, micareta, baile funk (e quem deu nome a isso de baile, me explica)… samba, epa, samba também é pros gringos.
O carnaval ganhou um pouco de pudor… Digo isso porque como as coisas andam, o brasileiro já deveria ter perdido a inocência quanto a nudez exposta na televisão, parar de colocá-la como ícone cultural para ser vislumbrada somente em peças de teatro. A gringa, que se ruborizava frente às mulatas e biquínis brasileiros, hoje televisionam cenas de nudez até mesmo em canal aberto. E por que o pudor? Qual a graça em ver um desfile com a rainha de bateria camuflada de pavão? Devemos repugnar é a zoofilia.
Não posso falar de carnaval com tanta veemência quanto uma cuíca armada ou alguém da velha guarda da Portela, eu era o do sofá. De ficar vendo o desfile em casa com a família, de amargurar o desfile de algumas escolas com raios de pensamentos malcriados e decorar o samba-enredo da Mocidade como se eu morasse em Padre Miguel. Eu era o da gringa. Mas depois percebi que o carnaval, assim como qualquer outro feriado, nada mais era do que uma dispersão de pensamentos para quem nada queria pensar, mas fazer. Tornou-se o ápice de viver a vida e criar vidas, e o ministério da saúde adverte: a igreja não entende nada de sexo.

Carnaval esse ano cai no dia 5 (terça-feira) e tem sempre um jeito de emendar ali, costurar aqui para que o batuquê se prolongue. A data acompanha os sete domingos que antecedem a Páscoa também conhecida como fugadoshebreus-ressureiçãodecristo-mudançadeestação-primeirodomingodeluacheiaapós21demarço – “você sabia?”.
Querendo ou não, pelas bandas de cá (de minas), o carnaval começa cedo nos guetos e ladeiras das cidades históricas, que é gerado pelo buzz marketing (o boca a boca), isso sim que é o carnaval do pão de queijo (por aqui, escolas de samba têm razões sociais e não culturais).
São cinco dias para fugir, do Nepal ao sofá da casa de seus pais, do “vamos pra cachoeira” ao butequê da esquina, do EGO ao ID. É QUASE uma copa do mundo, até os comentaristas da globo estão lá, para que você não perca sequer um lance e nem se atrapalhe na hora de empurar as bolas pra dentro do gol.

fotche15.jpg
O che fumava…

Bom, eu costumo vir aqui para excitar alguns desejos de consumo até que eles pipoquem como necessidades em sua consciência de consumidor. Porém há alguns bens que vem para o mal. E o prêmio de melhor mal de todos os tempos do século passado da última semana é… o cigarro. Então, antes que você acabe pendurado pelo pescoço e perca o fôlego ao tentar subir pela escada rolante, me coloco a disposição para lançar cinco bons motivos para que você pare de fumar.

Um
Cigarros aceleram o efeito ESTUFA.
É como uma cadeia, você fuma, seus músculos relaxam e loga dá aquela vontade de peidar e cagar. E nossos gases (junto com os das vacas e cavalos) são os maiores responsáveis pelo buraco na camada de ozônio (metano neles!). Sim, fumar ajudar a normalizar o intestino, pelo menos é o que dizem alguns especialistas. Mas nem pense em trocar o seu Activia de ameixa porque o retorno deste é mais garantido. Ou melhor, a ida é mais garantida.

Dois
Cigarros são anatomicamente desconfortáveis
É claro que o rolinho é funcional. É o canal para que o o furmo queime em harmonia e chege às suas vias aéreas. Porém, eu falo do lado de lá, de quem observa. Andar com um canudo na boca o tempo todo só vai te fazer parecer James Dean se estiver com um Zippo do lado. Caso contrário, seria uma desculpa para se passar por meretrizes do cais a espera do coito remunerado. É essa a impressão que eu tenho. E não venha com piteiras!

ashley-olsen-smoking.jpg
A Mary-Kate Olsen de Full House/Três é dimais (lembram dela?) anda fumando…

Três
Ainda não inventaram um bom ar de bolso nem cigarros com cheirinho de mombiju.
Pois é, são coisas totalmente paradoxais. É impossível comer esfiha de carne do HABIBs e querer um hálito fresco, assim como não dá pra comer repolho e soltar um pum com essências do campo. Então é fato, vai feder. O cabelo (até os do suvaco), a pele, os joelhos e as orelhas.

Quatro
Na Rússia e no mundo, o cigarro é quem fuma você.
Os gastos com Halls Preta, antisépticos bucais, isqueiros perdidos, somados, dariam pra alimentar a boca dos seus filhos, netos e bisnetos (nessa ordem, enquanto você estiver vivo). E olhe que no Brasil o preço do maço de cigarro é um dos mais baixos do mundo. O governo arrecada com isso mais de 5 milhões (3 da Souza Cruz) em impostos, e poderia lucrar ainda mais aumentando em sua alíquota, subindo o preço dos cigarros, o que evitaria milhões de mortes prematuras. Mexeu no bolso, mexeu comigo. É um sobe e desce infinito.

Na Califórnia, os índices de câncer de pulmão têm caído três vezes mais depressa do que no resto dos Estados Unidos desde 1998, quando o Estado aumentou o imposto em 25 centavos de dólar por maço.

amy.jpg
A Amy Winehouse já até perdeu um dente…

Cinco
Você ira reduzir exponencialmente sua produtividade sexual.
É fato.

Uma pesquisa inédita realizada pela Pfizer revelou que 7% dos entrevistados já deixaram de transar pois o parceiro ou a parceira tinha o hábito de fumar. Então antes de mandar aquela “eu chupo uma halls preta e tá garantido o beijo”, lembre-se que “perereca não chupa halls não!”. Bem, pelo menos não na minha terra.

 

É engraçado como idéias que surgem do agora acabam por se mostrar legitimadoras de tradições antiquadas, e até, politicamente incorretas. Por exemplo, estava eu outro dia a enquetear informalmente uns amigos sobre o tipo de mulher por quem a classe masculina mais se interessava. Eu não esperava uma resposta única, tipo loiras, ou peitudas, mas me surpreendi quando responderam em meio a gargalhadas: “homem gosta de toda mulher que mija sentada”. Minha surpresa, no entanto, não veio pela resposta. Veio do que eu senti pela resposta. Eu parei um segundo e por um segundo admirei o que para muitos, e principalmente muitas acham ser uma canalhice, ou galinhagem, prova de que “homem é tudo igual”: a disponibilidade masculina em amar o sexo oposto, por ele ser, simplesmente, do sexo oposto. Mesmo que muitos dizem que isso se reduz ao sexo, a busca pelo ato sexual mesmo, isso não tira o valor da exaltação que eles possuem pelo ser feminino, de forma coletiva mesmo. Pelo contrário, me parece que as mulheres em geral gostam de enaltecer um indivíduo único, e jogar com ele como se ele fosse o representante de toda a classe masculina. Por isso é tão comum, nas dores de cornos das luluzinhas o famoso “homem não presta, é tudo igual”.  É realmente engraçado, amar o coletivo de um indivíduo. Depois de um segundo de ponderação, a admiração passou e eu me vi as voltas com marcas de carimbo na minha testa: “machista”, “amélia”, “retrógrada”. Amar coletivo… Todo mundo sabe que toda massa é burra. Todo mundo? 

Seguindo com as enquetes, um oooutro dia fui perguntar “o que você faria se depois que se apaixonasse perdidamente por alguém, descobrisse que a pessoa era transexual (ou seja, fez uma operação para mudar fisicamente de sexo, não querendo dizer que ela/ele seja gay, já que a pessoa pode já ter nascido com predisposição para, antes de tudo SER do outro sexo – e não GOSTAR do outro sexo)?” Muitas respostas pularam direto no rio lodorento do preconceito, outras tentaram escapar invocando aspectos como os ferormônios, e outros detalhes que seriam definitivos na caracterização do sexo oposto. Mas vale lembrar que isso também é passível de mudança, se considerarmos os avanços da medicina nessa área. E ainda mais se considerarmos uma paixão fulminante, ela existe? No final das contas, eu mesma fiquei sem resposta pra mim e pra todo mundo. O que será que isso quer dizer?

 E pra terminar abrindo essa semana e fechando o ciclo amoroso do 25 centavo (abro no fecho – o que está acontecendo com nossos inconscientes coletivos?), afinal… de que amor estamos falando? Em recente visita a um homeopata, (- Tem mais de duas semanas que estou sentindo um gosto amargo na língua… – É o fogo do coração. Tem alguma coisa de amargo em sua vida…)(eu amo medicina chinesa!), soube do pensamento de que a busca que move o homem no mundo é o contato com o outro ser humano, a fim de romper a solidão intrínseca que é ser dotado de consciência única, mas não poder partilhar dela diretamente. Não é sexo, não é a imagem da mãe ou do pai, não é dinheiro. É o puro e simplesmente contato. Por isso, anotem, vale mais um amigo que improvisa com você na guitarra do que sexo por sexo no elevador! Contato, contato! Contaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaatos! Urgentes de terceiro grau!