Posts Tagged ‘violência’

Menina, acabei de chegar da rua, conversei com o Nascimento e ele falou que o 38 tá na mão.
Paraaaaa tudo e chama a Nasa, como que você conseguiu essa brecha?
Tão comercializando lá na 25, tão vendendo casado com o Tropa de Elite IV…
Mas ta baleada?
Não, acabou de sair da máquina de costura.

Ha, você sabe se tem 44, eu comi um tropeiro ontem menina, que virou a tropa da cEluLITE…

Capitão NascimentoHá glória no filme do diretor José Padilha, Tropa de Elite, considerado o filme brasileiro do ano. Mas porque não o colocar na hall da fama dos filmes hollywoodianos? Justamente porque ninguém discute a saga do Frodo e o anel numa mesa de bar pitando um cigarrinho em círculos, ninguém sai de Matrix se sentindo culpado pela guerra para se livrar do domínio das máquinas e da inteligência artificial, ou muito menos saímos das salas de cinema cantando com os coleguinhas da Highschool aquela música inesquecível do filme:
“Sai da frente,
Lá vem eles minha gente
Agora o chumbo é quente
Eles têm toda a razão (ha, ha, ha!)”.

Pois no Brasil, a ficção não é nada mais do que a encenação do que o jornal não pode mostrar ou do que foi censurado nas novelas. De início, o longa que seria um documentário, só veio a cabeça do diretor José Padilha ao perceber que o conteúdo do livro Elite da Tropa só sairia do papel se fosse encenado, já que pra obter testemunhos daquela grandeza, custaria não só vidas, como patrocínios. Diga-se logo de passagem, que os filmes brasileiros são bem filmados, gastam-se milhões, são patrocinados por leis de incentivos provindas de nossos impostos, e possuem bons atores e atrizes (recém formados nas novelas da Globo) que agradam com personagens que dançam em nossos viver limitado de perfis humanos. Incomodança.
Filmes como Cidade de Deus, Tropa de Elite, Olga, Ilha das Flores, O Homem Do Ano têm a cara do Brasil, lavada e com a barba feita.
E dizem que quando o trem é bom mesmo, cai na boca do povo. E como caiu. Os uniformes do BOPE estão saindo mais que brinco da Jade na época da novela O Clone e maiô engana-mamãe do vestuário da Bebel em Paraíso Tropical. Tragam as caveiras, tragam bacias, tragam algemas, Tropa de Elite virou até fetiche!
A polêmica envolvendo a pirataria do filme nem atrapalhou a exaltação daqueles que preferiram ir ao cinema, gastar o seu dinheirinho, às vezes dando até pra sacrificar com uma pipoquinha, porque ver Tropa de Elite vale a pena! Não que eu tenha preguiça de ler, livros fazem mal para o coração, o legal é ver o sangue escorrer, a bala se desintegrar no corpo alheio, o grito ecoar. E pum, é como se mascássemos o mesmo chiclete por dias e dias na vontade dele acabar, é a necessidade de espremer uma laranja por dia.
Mas e aí, já viu o dois? Não? Estava eu na porta de uma boate, quando olho pra um camelô e estão vendendo não apenas o 2 (a continuação), como o 3 (o retorno) e o 4 (Jason Lives), pois aí está, apesar de coçar a mão e quase sair de lá com os 3 por 15 reais, resolvi antes pesquisar sobre a filmografia.
Na verdade, não se trata de continuações, mas sim de outros filmes, colagens, documentários…
– A “versão 2” por eles comercializada é o documentário Notícias de uma Guerra Particular, do cineasta João Moreira Salles;
– A “versão 3” é apenas uma colagem de vídeos de operações policiais em favelas, principalmente em Niterói;
– A “versão 4” é o filme Quase Dois Irmãos, de Lúcia Murat, com Caco Ciocler no elenco.
Ouvi falar que um homem se suicidou em uma sala de cinema no Recife ao assistir o filme – sentiu o peso da culpa playboy? Eu acredito na idéia de que o Capitão Nascimento, como discípulo de Kant, nada mais é que o futuro da solucionática no plenário. É preciso ter força, é precido ter raça, é preciso ter gana sempre. Assoe e nariz, seja cara-de-pau e não se preocupe com o futuro do país, as melhores árvores que conheci não sabiam o que queriam fazer da vida aos 70 anos de idade.
Em uma entrevista realizada pela revista Veja, 52% dos entrevistados consideraramm o Capitão Nascimento um Herói. Mas em uma era de super-heróis, super-poderes, isso muda alguma coisa? Os heróis brasileiros tem três escolhas: ou ele se corrompe, ou se omite ou vai para a guerra. De bombeiros a bombados, por aqui eles têm vez.
Analogicamente, falar que José Padilha quis defender o BOPE utilizando o macunaíma carioca Capitão Nascimento é o mesmo que dizer que Copolla procurou reconstruir a imagem da máfia italiana em O Poderoso Chefão.
Para ser herói, deve-se acima de tudo:
1. conhecer;
2. motivar-se ou desejar ocupar aquele lugar;
3. ser humilde, mostrando-se um projeto sempre aberto a mais aprendizagens (projeto em devir);
4. ser audacioso (ser da coragem).
5. fazer por merecer
E o prêmio herói metido a vilão brasuca vai para…estão no páreo com o capitão Nascimento: Dom Gerônimo da A Muralha, Laura de Celebridades, o pica-pau, o Sílvio Santos e o Gizmo (dos Gremlins).
E como diz o personagem de Samuel L. Jackson em “Corpo Fechado”: “Por trás de todo grande herói, existe um grande vilão. Não existe um herói sem um vilão”. E pra render o pensamento, com muito fermento debaixo do braço, uma certeza: de médico herói e vilão louco, todo mundo tem um pouco. E ponto final.

 

magnoliaAbracei Magnólia. O calor regado pela fumaça dos veículos transmitiam o retorno para a casa.
Todos aguardavam ansiosos o último episódio da novela das 8, quem morreu, Paula ou Thaís? Quem matou?
Segurei forte a sua mão, sussurei alguma coisa carinhosa em seu ouvido e fomos caminhar um pouco. Passei pela Praça da Sé afim de pegar a última sessão do dia em alguma loja de eletrodomésticos ainda aberta. Estávamos perto do Natal, ou seria outra data comercial, ainda não sei, prefiro ser meu próprio relógio, quem governa é o coração.
As pessoas agem como se estivessem em um jogo de xadrez, movimentam-se com facilidade, e no final da noite sentam e dormem, satisfeitos pelo fato de terem preservado a rainha. A mulher é o futuro do homem. Minha doce, Magnólia.
Paro em frente à TV 29″ ainda ligada das Casas Bahia, o preço continua imbatível, mesmo não sabendo ler eu sei disso , de números eu entendo. Passei boa parte de minha vida por conta deles. O bonner e a fátima continuam formando um belo casal (diga-se dupla), suspiro com os lábios entreabertos, mas ainda distorcem suas fisionomias ao falar do terror que estamos acostumados a ver nos filmes. Morei em Hong Kong há três anos, aprendi a cantar em mandarim, a comer de pauzin e a pular com duas cordas, coisas que não são fáceis para um velho de 79 anos. Nasci no sertão nordestino, aprendi a andar com minha cachorra Baleia, saí de Itapioca para o mundo. São oito da noite e já fazem alguns dias que não coloco nada na boca, a não ser o mel que sai da boca de Magnólia. Ela respira por mim, faz do meu corpo um lance de chamas, um botão prestes a ser confortado por uma blusa de lã. Eu e ela sabemos que amar é demodê sim, mas quem se importa com tamanho descrédito para o que sentimos?
Andei pelas ruas, passo por um vira-lata, parecia estar perdido, faço um esforço para que ele ouça meus pensamentos, que saiba que alguém nesse mundo olha por e para ele. Magnólia o conhecia muito bem, já que o chamou pelo nome, mas ele mal pôde nos ver, pois tinha sobre os olhos uma camada branca, cicatrizada pelo tempo. Observamos seu caminhar macio sobre a calçada, passos cansados, sábios por percorrer tantas vezes o mesmo caminho. Ele pára em frente a uma estante de frangos assados de uma grande padaria, suor escorrendo, ainda dá pra ouvir a pele estourando e o barulho das engrenagens. Por ali ele permanece por várias horas, somos todos tele-espectadores do mesmo canal.
Resolvo voltar para casa, Magnólia foi fazer companhia para o amigo dos passos cansados. Voltei um pouco desolado, mas eu teria que voltar para casa, não aguentaria acompanhá-la por muito mais tempo….

 

Continua na próxima semana.
Esta parte da história foi baseada na letra da música Baader-meinhof Blues da Legião Urbana, por aqui.

Olá, eu sou o Braulio, escrevo aqui todas as terças.
O nome da minha coluna é EMUNDO, e vou tentar colocar aqui músicas, filmes, notícias que eu pego por aí traduzidos por alguns trocadilhos modernos. Viva la comunication.